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Revoada dos Papagaios-Charão em Urupema (SC): Impressionante Espetáculo Natural no Sul do Brasil
15 de Abril, 2026
Descubra Urupema (SC), a "Cidade Mais Fria do Brasil", na Serra Catarinense. Conheça a Cascata que Congela, observe a fauna local e presencie a impressionante revoada do papagaio-charão, um dos espetáculos naturais mais fascinantes do sul do Brasil.
Embarcamos em uma viagem de moto pela encantadora Serra Catarinense rumo a Urupema (SC), conhecida como a “Cidade Mais Fria do Brasil”. Por lá, visitamos a famosa Cascata que Congela, um fenômeno natural único que transforma a paisagem nos dias mais gelados. Também nos hospedamos em uma acolhedora pousada rural familiar, observamos uma grande diversidade de aves e tivemos a oportunidade de presenciar a impressionante revoada do papagaio-charão, um dos espetáculos naturais mais fascinantes do sul do Brasil.

Bom dia, Urupema (SC)! Despertamos nas primeiras horas do dia na cidade conhecida como a “Cidade Mais Fria do Brasil”. Envolvidos por uma temperatura agradável, sob um céu azul com algumas nuvens, preparamos um chimarrão especial para começar a manhã.

Chegamos a Urupema ao anoitecer do dia anterior e optamos por nos hospedar em uma propriedade rural localizada a menos de 2 quilômetros da praça principal.

Logo percebemos que a escolha havia sido acertada. Além da calorosa recepção do simpático casal Iva e Edson, proprietários do Chalé Refúgio das Águas, o local se revelou um verdadeiro paraíso natural.

O chalé de madeira, charmoso e aconchegante, está cercado pela natureza e situado ao lado de um pequeno córrego de águas cristalinas.


Para nossa alegria (especialmente para quem aprecia a observação de aves), a propriedade conta com diversos comedouros abastecidos diariamente, atraindo uma impressionante variedade de espécies ao longo do dia.



As saracuras e as gralhas-azuis foram mais rápidas que o fotógrafo, e não conseguimos registrá-las se alimentando.



Por outro lado, os tico-ticos (Zonotrichia capensis) e os vibrantes canários-da-terra (Sicalis flaveola) renderam belos registros fotográficos.



Pouco depois, fomos surpreendidos por um casal de quete-do-sul (Microspingus cabanisi) e por vários tecelões (Cacicus chrysopterus), também conhecidos como japim-soldado ou melro.


Com plumagem predominantemente preta, marcada por detalhes amarelos nas asas e na parte inferior do dorso, essas aves chamam bastante atenção.

O tecelão recebe esse nome pela impressionante habilidade de construir ninhos complexos, entrelaçando fibras vegetais com precisão quase artesanal. Em formato de bolsa, esses ninhos podem atingir cerca de 58 centímetros de comprimento. A espécie costuma produzir, em média, duas ninhadas por estação, com três ovos em cada uma.


Enquanto fotografávamos as aves, Iva nos surpreendeu com uma grande bandeja de madeira repleta de delícias para o café da manhã.


E que café! Frutas frescas, geleias artesanais, café, chá e leite bem quentinhos, além de uma variedade de quitutes que fazem jus à tradição do café colonial serrano.


Mesmo com a mudança do tempo e a chegada de nuvens cinzentas acompanhadas por uma leve garoa, optamos por tomar o café ao ar livre.


Após o desjejum, percorremos uma pequena trilha ecológica dentro da propriedade, que nos levou a uma pequena, porém fascinante, cascata.



Com águas límpidas e cercada por vegetação nativa (com destaque para os imponentes xaxins), o local convidava à contemplação e à conexão com a natureza.


No retorno, o tempo voltou a abrir, e aproveitamos o caminho para colher e saborear amoras silvestres diretamente do pé.


Vimos ainda diversos ninhos de lagartas (estruturas de seda construídas por colônias, como as da mariposa-arminho ou da mariposa-da-tenda) que servem de abrigo durante o período de alimentação.

Perto do meio-dia, o tempo fechou novamente e a chuva começou a cair, numa daquelas viradas rápidas típicas das regiões serranas. Vestimos nossas capas e seguimos caminhando em direção ao centro de Urupema, Santa Catarina.


No trajeto, conseguimos fotografar um ágil arapaçu-escamoso-do-sul (Lepidocolaptes falcinellus) e observar um grande bando de gralhas-azuis que colocou um carcará para voar (literalmente).

Em poucos minutos, chegamos ao centro da cidade. O primeiro atrativo visitado foi a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, localizada em frente à Igreja Matriz de Urupema.

Em seguida, subimos a escadaria até a Igreja Matriz de Sant’Ana, dedicada à padroeira local. O nome do templo religioso remete ao antigo povoado que deu origem à cidade: Sant’Ana.

Muito antes da chegada dos colonizadores europeus, o Planalto Serrano Catarinense já era habitado por povos indígenas do tronco linguístico Jê, especialmente os Kaingang, principais ocupantes históricos da região.

Esses povos mantinham uma relação profunda com o ambiente, ocupando áreas de campos de altitude e florestas de araucária, com amplo conhecimento dos ciclos naturais, da caça, da coleta e do uso sustentável dos recursos.

Em frente à igreja matriz está a ampla Praça Municipal Manoel Pinto de Arruda, onde ficam o Centro de Informações Turísticas e a futura Rua Coberta, atualmente em construção.

A formação do núcleo urbano que daria origem a Urupema começou oficialmente em 25 de março de 1918, com a fundação do povoado de Sant’Ana por famílias que buscavam terras para agricultura e criação de animais.

Esse movimento integrou o processo de ocupação do Planalto Serrano Catarinense, conhecido como Campos de Lages, caracterizado por pequenas propriedades, trabalho familiar e forte ligação com o meio rural. O isolamento geográfico e o clima rigoroso moldaram desde cedo o modo de vida local.

Em 1938, o povoado foi elevado à categoria de vila. Entre 1943 e 1944, ocorreu uma mudança significativa: o nome Sant’Ana foi substituído por Urupema. A alteração teve motivação principalmente administrativa, já que “Sant’Ana” (ou “Santana”) era um nome bastante comum no Brasil, o que gerava duplicidade nos registros oficiais.

O novo nome, Urupema, tem origem na língua tupi e significa uma peneira artesanal feita de fibras vegetais, reforçando a conexão simbólica com a natureza e com os povos originários.

Apesar da longa história, Urupema tornou-se município apenas no final do século XX:
- 04 de janeiro de 1988: emancipação política de São Joaquim (SC);
- 01 de junho de 1989: instalação oficial do município.
Com isso, passou a contar com administração própria, consolidando sua identidade política, social e cultural.

Localizada no coração da Serra Catarinense, Urupema ocupa uma área de 353 km² e possui aproximadamente 2.600 habitantes. Cercada por campos de altitude e marcada por invernos rigorosos, é um dos destinos mais frios do Brasil, com geadas intensas, temperaturas negativas e, em alguns anos, até ocorrência de neve.

Com altitude média de 1.425 metros, Urupema é a cidade mais alta de Santa Catarina e uma das mais elevadas do país. Essa característica influencia diretamente o clima e reforça o título de “Capital Nacional do Frio”, atraindo visitantes em busca de um inverno autêntico.

Juntamente com o clima, Urupema se destaca pelas nascentes de águas cristalinas. Um exemplo curioso é a criação de truta arco-íris no Rio Caronas, que corta o centro da cidade. Ali, os peixes se reproduzem livremente e abastecem restaurantes locais que servem a truta grelhada, defumada ou ao molho de ervas.

As raízes rurais permanecem vivas em tradições campeiras, como torneios de laço, festivais e bailes gaúchescos.

A economia local sempre esteve baseada na agricultura de clima frio, com destaque para maçã, batata e morango, bem como a pecuária e as pequenas propriedades familiares. Nos últimos anos, o turismo vem ganhando relevância.

Distante do ritmo acelerado dos grandes centros, Urupema oferece uma experiência mais tranquila, ideal para quem busca contato com a natureza e com a simplicidade da vida serrana.

Como já se percebe desde o início deste relato, a região de Urupema se destaca como um importante destino para o avistamento de aves no sul do Brasil, com mais de 250 espécies registradas no WikiAves.

Entre tantas aves, uma delas se sobressai por proporcionar um verdadeiro espetáculo natural único no mundo: o papagaio-charão (Amazona pretrei).

O papagaio-charão é uma das aves mais emblemáticas do sul do país. Endêmico da Mata Atlântica associada às florestas de araucária, ocorre atualmente apenas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Registros históricos indicam presença também na Argentina e no Paraguai, mas hoje sua distribuição está restrita a essas áreas.

É o menor entre os papagaios brasileiros, medindo cerca de 30 a 34 centímetros e pesando aproximadamente 300 gramas. Ainda assim, chama atenção pela aparência marcante: sua plumagem verde-claro contrasta com a máscara vermelha intensa que cobre a testa, contorna os olhos e aparece também na parte superior das asas — sua principal característica visual.

Social e barulhento, o papagaio-charão vive em grandes bandos ao longo do ano, formando algumas das maiores concentrações de papagaios do país. Apresenta discreto dimorfismo sexual: os machos costumam ter coloração vermelha mais intensa e são ligeiramente maiores que as fêmeas.

Entre os psitacídeos brasileiros, destaca-se por apresentar um comportamento raro: é a única espécie de papagaio com padrão migratório bem definido no país. Além disso, percorre longas distâncias em busca de alimento.

Entre agosto e janeiro, permanece no Rio Grande do Sul, onde sua dieta é bastante variada, incluindo frutos, sementes e flores nativas.

Com o fim do verão, toda a população inicia um impressionante deslocamento rumo à Serra Catarinense. Todos os anos, entre março e junho, milhares de indivíduos seguem para regiões como Urupema, Painel e Bocaina do Sul.

Nessas áreas, exploram as florestas de araucária, onde o pinhão — semente do pinheiro-brasileiro (Araucaria angustifolia) — é seu principal alimento, essencial para acumular energia no inverno e, depois, retornar ao Rio Grande do Sul para iniciar o período reprodutivo.

Esse movimento transforma Urupema (SC) em palco de um fenômeno extraordinário: mais de 20 mil papagaios-charão podem se concentrar na região, formando verdadeiras nuvens verdes que dominam o céu da serra catarinense.

Ao amanhecer e, principalmente, no fim da tarde, ocorre o auge desse espetáculo. Centenas (muitas vezes milhares) de aves cruzam o horizonte em revoadas sincronizadas, preenchendo o céu com movimento e som em uma das maiores concentrações da espécie já registradas no Brasil.

Com o crescente interesse por esse fenômeno, que atrai observadores de aves de diversas regiões do país e do mundo, foi criado um ponto oficial para observação da revoada dos papagaios-charão nas proximidades do centro de Urupema (SC).

Mirante de Observação de Aves — Ponto de Observação dos Papagaios-Charão
Situado em um ponto elevado, o Mirante de Observação de Aves — Ponto de Observação dos Papagaios-Charão proporciona uma vista panorâmica de 360° da paisagem serrana de Urupema (SC) e se destaca como o local ideal para contemplar a impressionante revoada do papagaio-charão.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Mirante de Observação de Aves — Ponto de Observação dos Papagaios-Charão partindo do centro de Florianópolis – Santa Catarina – Brasil:
Contatos do Mirante de Observação de Aves — Ponto de Observação dos Papagaios-Charão
- Endereço: Estrada Geral da Bossoroca | Urupema – Santa Catarina – Brasil
- Telefone: (49) 3236-1157
- E-mail: turismo@urupema.sc.gov.br
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: da 0h às 24h | As revoadas de papagaios-charões acontecem entre março e junho, no fim da tarde, geralmente a partir das 16h30.
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 2 horas

Localizado em uma área elevada, o Mirante de Observação de Aves — Ponto de Observação dos Papagaios-Charão oferece uma vista panorâmica de 360° da paisagem serrana.

Embora esteja em propriedade privada, o espaço é aberto gratuitamente ao público, permitindo contemplar os campos e as florestas de araucária que caracterizam o município.

Pouco antes do pôr do sol, os bandos começam a se reunir e seguem em direção aos dormitórios coletivos, geralmente localizados nas copas de árvores altas ou em áreas de reflorestamento. Grupos vindos de diferentes direções se encontram em um fluxo contínuo, marcando o momento mais intenso da atividade diária.

Mais do que um espetáculo visual, esse comportamento revela a complexidade social da espécie e sua profunda relação com o ambiente.

Durante a temporada, Urupema (SC), que recentemente recebeu o título de “Terra dos Papagaios”, promove o Festival dos Papagaios, realizado anualmente entre o fim de abril e o início de maio desde 2012, celebrando a presença dessas aves e promovendo a conscientização sobre a preservação da fauna local.

Após explorar a praça principal, seguimos até a Casa da Cultura Ana Paula da Silva Souza, que infelizmente estava fechada. Com a chuva diminuindo ao longo da tarde, continuamos até o mirante de observação.

Ali, preparamos um mate enquanto o céu começava a abrir entre nuvens cinzentas. Não demorou para que os primeiros papagaios surgissem no horizonte. Embora em número reduzido, por volta das 16h, já criavam uma atmosfera de grande expectativa.

Como o auge do movimento ocorre mais próximo do entardecer, aproveitamos para caminhar pela região e apreciar a paisagem rural ao redor, que por si só já justifica a visita.

A história recente do papagaio-charão guarda um episódio curioso. Até meados da década de 1980, grandes concentrações (com mais de 15 mil aves) eram registradas na Estação Ecológica de Aracuri-Esmeralda, em Muitos Capões (RS), criada justamente para proteger a espécie.

De forma repentina, esses bandos desapareceram da região, gerando um mistério entre pesquisadores e moradores: para onde haviam ido os charões?

Esse enigma deu início, no começo dos anos 1990, a uma longa investigação científica liderada por biólogos como Jaime Gonzales e Nêmora Prestes, cuja conexão com a espécie surgiu a partir do encantamento com as primeiras revoadas observadas.

Após anos de expedições, buscas e estudos de campo, a resposta começou a surgir em meados da década de 1990, quando pequenos grupos de papagaios-charão foram localizados na região serrana de Santa Catarina. A partir dessas descobertas, identificaram-se concentrações muito maiores, revelando o novo destino migratório da espécie.

Os papagaios-charão haviam migrado em massa para o planalto catarinense, especialmente para regiões como Urupema, onde as florestas de araucária ainda estavam relativamente preservadas e ofereciam maior disponibilidade de alimento.

No Rio Grande do Sul, a redução dessas florestas, causada por décadas de exploração madeireira, comprometeu diretamente sua principal fonte alimentar, forçando a busca por novos destinos.

Diante desse cenário, foi criado em 1991 o Projeto Charão, em parceria com instituições como a Universidade de Passo Fundo (UPF). O projeto passou a desenvolver um trabalho contínuo de monitoramento, censos populacionais, estudos migratórios e ações de conservação.

Com técnicas como radiotelemetria e contagens sistemáticas durante as revoadas, foi possível mapear as rotas migratórias e estimar a população atual da espécie, hoje em torno de 20 mil indivíduos — uma recuperação significativa, já que, na década de 1990, ela beirava os 2.000.

Esse esforço do Projeto Charão também contribuiu para a criação de áreas protegidas, como a Reserva Particular do Patrimônio Natural Papagaios de Altitude, em Urupema, além de incentivar a conservação da mata nativa entre proprietários rurais. Como grande parte das araucárias está em áreas privadas, a preservação ambiental depende diretamente da parceria com agricultores.

Outra iniciativa do projeto foi a criação do livro As aventuras do papagaio-charão em quadrinhos. Destinado especialmente às crianças, o livro apresenta a história do papagaio-charão, sua migração em busca do pinhão no Planalto Catarinense, além de trazer brincadeiras e diversas informações sobre a fauna e a flora do Sul do Brasil. A versão digital está disponível aqui.

Mesmo assim, o papagaio-charão continua ameaçado de extinção. A perda de habitat, especialmente das florestas de araucária (atualmente em estado crítico de conservação) e a captura ilegal de filhotes ainda representam sérios riscos. Além disso, o fato de se concentrar em áreas relativamente restritas durante o inverno torna a espécie especialmente vulnerável a qualquer impacto ambiental.

Durante nossa caminhada pela região, ainda presenciamos algumas cenas curiosas da fauna local.

Em um desses momentos, um pica-pau-do-campo (Colaptes campestris) escalava rapidamente um pinheiro, enquanto, a poucos metros, um elegante quiriquiri (Falco sparverius) descansava tranquilamente.


O pica-pau-do-campo, também chamado de chanchã, é uma espécie campestre sul-americana facilmente reconhecida pela cabeça amarela contrastando com o corpo escuro e o ventre barrado.


Já o quiriquiri, conhecido como falcão-americano, é o menor falcão do Brasil. O macho apresenta coloração cinza-azulada na cabeça e nas asas, enquanto a fêmea possui tons mais avermelhados.


Pouco depois, o quiriquiri levantou voo e seguiu até outro pinheiro, onde se encontrou com seu par.


Entre os pássaros avistados, estavam ainda os carcarás, aves de rapina bastante adaptáveis e comuns em áreas abertas.


Também observamos curicacas (curucacas), espécie típica de campos e pastagens, facilmente reconhecida pelo canto forte e pelo hábito de caminhar em grupo enquanto se alimenta no solo.


À medida que o entardecer se aproximava e o cenário mudava rapidamente, outras pessoas começaram a chegar ao mirante para acompanhar o principal espetáculo do dia: a incrível revoada dos papagaios-charão.


Nos acomodamos na plataforma de madeira, câmeras em mãos e olhos atentos ao horizonte. Até que um dos presentes avisou: “Preparem-se, lá vêm eles.”


Em poucos instantes, o céu começou a ser preenchido por uma sucessão de pontos verdes em movimento acelerado, acompanhados por vocalizações intensas. A maior revoada do dia havia começado.


Assista ao vídeo abaixo e acompanhe os principais momentos da nossa viagem de moto por Urupema (SC), incluindo a impressionante revoada dessas aves.
Ver centenas de papagaios-charão cruzando o céu em direção aos dormitórios coletivos é uma experiência difícil de descrever. Mais do que a beleza, esse comportamento sincronizado permite aos pesquisadores realizar contagens populacionais com maior precisão.


Apesar de viverem em grandes bandos, os papagaios-charão formam casais monogâmicos durante o período reprodutivo, que ocorre no Rio Grande do Sul. A fêmea põe geralmente de dois a três ovos em cavidades de árvores, enquanto o macho se encarrega de alimentá-la durante a incubação.


Após cerca de 29 dias, os filhotes nascem e permanecem no ninho por algumas semanas, sendo alimentados por ambos os pais. Os casais podem permanecer juntos por toda a vida, que pode ultrapassar 40 anos.


Além da beleza e da complexidade social, esse psitacídeo desempenha um papel ecológico essencial como dispersor de sementes, contribuindo para a regeneração das florestas de araucária.


Ao se alimentar de pinhão, frequentemente derruba sementes durante o processo, favorecendo naturalmente a renovação da vegetação.


Observar a revoada dos papagaios-charão na Serra Catarinense é mais do que presenciar um espetáculo natural: é testemunhar o equilíbrio vivo entre espécie, floresta e território.


Segundo ornitólogos e fotógrafos especializados presentes na observação, a maior revoada do dia contou com cerca de 900 indivíduos. Ao longo do dia, outros pequenos bandos foram vistos, mas esse foi, sem dúvida, o momento mais marcante.


Para os especialistas, o número pode parecer modesto, já que em períodos de pico os bandos ultrapassam 20 mil indivíduos. A quantidade menor neste momento se explica pelo fato de ainda ser o início da temporada de chegada dos papagaios a Urupema e pela menor safra de pinhão neste ano, causada principalmente pela falta de chuvas e pelo pouco vento durante o período de polinização, o que prejudicou a formação dos pinhões.


Ainda assim, para nós, foi uma experiência inesquecível. Ouvir a algazarra de centenas de papagaios surgindo no horizonte e ver o céu ser tomado por esses pequenos, ágeis e elegantes pássaros, que voam quase em movimento sincronizado rumo à mesma direção (muitas vezes passando exatamente sobre nós), é surreal! Se tiver a oportunidade, ao menos uma vez na vida, vá presenciar. A sensação e a emoção vividas ali são difíceis de traduzir em palavras.


Junto ao papagaio-charão, avistamos o papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea), espécie igualmente ameaçada e dependente das florestas de araucária.


Endêmico da Mata Atlântica e ave símbolo do Parque Estadual do Rio Turvo (PERT), no estado de São Paulo (que visitamos recentemente), ocorre no Sul e Sudeste do Brasil, além de áreas do Paraguai e da Argentina, sendo reconhecido pela característica coloração arroxeada no peito.


Assim como o charão, forma casais monogâmicos e depende diretamente do pinhão, reforçando sua ligação com o ecossistema da araucária.


Ao cair da noite, ainda imersos na experiência, retornamos ao chalé e encerramos o dia com um relaxante escalda-pés, uma prática ancestral que promove bem-estar ao corpo e à mente, prolongando a sensação de conexão vivida ao longo do dia.

O dia seguinte amanheceu frio, com densa neblina e uma leve garoa, cenário perfeito para aproveitar um pouco mais o aconchego do chalé.

Mesmo assim, optamos por saborear o café da manhã ao ar livre, observando o despertar das aves.

A vontade de permanecer em Urupema era grande, mas a viagem precisava continuar. Perto do meio-dia, deixamos a hospedagem e, antes de nos despedirmos da “Cidade Mais Fria do Brasil”, seguimos para conhecer outro atrativo imperdível: a famosa Cascata que Congela.

Para chegar até lá, enfrentamos um curto trecho de estrada de terra que, após a chuva da noite anterior, rendeu boas reboladas da Formosa — mas, felizmente, sem maiores consequências.

Cascata que Congela
A Cascata que Congela tem cerca de 18 metros de altura e está situada a aproximadamente 7 quilômetros do centro de Urupema (SC), a uma altitude de 1.545 metros. O nome curioso vem de um fenômeno raro: nos dias mais frios do ano, suas águas chegam a congelar, criando um espetáculo natural impressionante.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Cascata que Congela partindo do centro de São Paulo – São Paulo – Brasil:
Contatos da Cascata que Congela
- Endereço: Rua Evaristo Pereira – Estrada Velha de Urupema | Urupema – Santa Catarina – Brasil
- Telefone: (49) 3236-1157
- E-mail: turismo@urupema.sc.gov.br
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: da 0h às 24h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos

A Cascata que Congela, também conhecida como Cachoeira que Congela, possui cerca de 18 metros de altura e está localizada a aproximadamente 7 quilômetros do centro de Urupema (SC), a 1.545 metros de altitude.

Ela fica próxima ao topo do Morro das Torres (ou Morro das Antenas), cuja formação integra a Serra do Campo Novo e atinge 1.733 metros de altitude.

O fenômeno que dá nome à cascata ocorre durante os dias mais rigorosos do inverno. Devido à sua posição, praticamente protegida da luz solar direta pela vegetação, combinada com rochas constantemente geladas, cria-se um microclima ideal para o congelamento da água.

Na estrada que leva ao topo do morro, é comum encontrar, nos dias mais rigorosos do inverno, estalactites de gelo que podem chegar a meio metro de comprimento.

Esse fenômeno costuma ocorrer por poucos dias ao ano, geralmente quando as temperaturas variam entre -5 °C e -15 °C, com sensação térmica que pode chegar a -25 °C.

Aliás, a Cascata que Congela é o fenômeno mais emblemático de Urupema (SC), e, segundo a Prefeitura Municipal, não há registro conhecido de algo semelhante em outros locais do planeta.

O acesso à Cascata que Congela é relativamente fácil, pois ela fica às margens da Estrada Velha de Urupema. Após a visita, nos despedimos da cidade e seguimos viagem pela SC-370.














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