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Viagem de Moto pela Estrada-Parque Serra da Macaca (SP-139) no Parque Estadual Carlos Botelho, em São Paulo
28 de Janeiro, 2026
Descubra a Estrada-Parque Serra da Macaca (SP-139) em uma viagem de moto pelo Parque Estadual Carlos Botelho. Percorra uma das mais belas rotas cênicas de São Paulo, com 32 quilômetros de curvas, mirantes e paisagens exuberantes da Mata Atlântica preservada.
A Estrada-Parque Serra da Macaca (SP-139) é uma das estradas mais bonitas de São Paulo e um dos melhores destinos para uma viagem de moto pelo Brasil. Atravessando uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica preservada do mundo, ela oferece uma experiência única em meio à natureza. Neste relato, compartilhamos nossa experiência percorrendo essa incrível rota cênica dentro do Parque Estadual Carlos Botelho, um dos mais importantes santuários naturais do país. Pelo caminho, encontramos curvas sinuosas, mirantes, rios de águas cristalinas e uma biodiversidade extraordinária, transformando cada quilômetro em uma verdadeira imersão na natureza.

Considerada um dos mais belos e importantes roteiros cênicos do estado de São Paulo, a Estrada-Parque Serra da Macaca reúne engenharia, preservação ambiental e turismo sustentável em um único percurso. Cercada por uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica preservada do Brasil, a estrada proporciona uma experiência única para quem busca contato com a natureza.

Localizada no trecho da SP-139 (Rodovia Nequinho Fogaça) entre os municípios de São Miguel Arcanjo e Sete Barras, a estrada atravessa o coração do Parque Estadual Carlos Botelho, oferecendo paisagens exuberantes e uma das mais impressionantes experiências de ecoturismo no estado paulista.

O trecho da estrada-parque compreende os quilômetros 45 ao 78 da SP-139, totalizando aproximadamente 32 quilômetros de extensão. Durante todo o percurso, os visitantes percorrem a Serra de Paranapiacaba, conhecida regionalmente como Serra da Macaca, conectando os dois núcleos do Parque Estadual Carlos Botelho: o Núcleo São Miguel Arcanjo, na região do Alto Paranapanema, e o Núcleo Sete Barras, localizado no Vale do Ribeira.

No post anterior, registramos nossa visita ao Núcleo São Miguel Arcanjo do Parque Estadual Carlos Botelho, onde percorremos suas principais trilhas autoguiadas: Trilha do Rio Taquaral, Trilha das Juçaras, Trilha das Bromélias e Trilha da Canela.

Durante o passeio, tivemos a oportunidade de observar aves emblemáticas da Mata Atlântica, como o tangará e o abre-asas-de-cabeça-cinza, avistar diversos animais silvestres, fazer um piquenique às margens de um rio de águas cristalinas, conhecer um pouco da história do parque e caminhar por trechos da cênica Estrada-Parque Serra da Macaca. Foi uma experiência inesquecível em um dos principais destinos brasileiros de ecoturismo e turismo de natureza.

Desta vez, chegou o momento de levar a Formosa, nossa Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014, para percorrer novamente essa estrada, considerada um verdadeiro paraíso para amantes da natureza, motociclistas e ciclistas. Já havíamos passado por aqui durante a Moto Expedição 2020: Belas Rotas, quando subimos a Serra da Macaca sob chuva.
Estrada-Parque Serra da Macaca (SP-139) | Parque Estadual Carlos Botelho
A Estrada-Parque Serra da Macaca está localizada no sul do estado de São Paulo e compreende o trecho entre os quilômetros 45 e 78 da SP-139, atravessando o Parque Estadual Carlos Botelho e ligando os municípios de São Miguel Arcanjo e Sete Barras. Inaugurada em 2015 como a primeira estrada-parque paulista, possui cerca de 32 quilômetros de extensão e foi construída com pavimento ecológico em blocos intertravados, reunindo infraestrutura, conservação ambiental e turismo. Ao longo do percurso, passagens de fauna, controle de velocidade e mirantes contribuem para proteger um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do Brasil.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Estrada-Parque Serra da Macaca (SP-139) | Parque Estadual Carlos Botelho partindo do centro de São Paulo – São Paulo – Brasil:
Contatos da Estrada-Parque Serra da Macaca (SP-139) | Parque Estadual Carlos Botelho
- Endereço: Estrada-Parque Serra da Macaca / Rodovia Nequinho Fogaça (SP-139), Km 78 | São Miguel Arcanjo – São Paulo – Brasil
- Telefone: (15) 3279-0483
- E-mail: pe.carlosbotelho@fflorestal.sp.gov.br
Para obter informações mais detalhadas, visite o site oficial da Estrada-Parque Serra da Macaca (SP-139) | Parque Estadual Carlos Botelho.
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: das 6h às 20h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
*Os limites de velocidade variam entre 20 km/h e 40 km/h.
**É permitida apenas a circulação de caminhões com Peso Bruto Total (PBT) de até 9 toneladas e comprimento máximo de 8 metros.
***É proibida a circulação de veículos que transportem produtos perigosos.
Tempo Médio de Visitação
- 1 hora
*Tempo estimado para percorrer a Estrada-Parque Serra da Macaca, respeitando os limites de velocidade e sem realizar paradas ao longo do percurso.
Agora, era hora de fazer o percurso no sentido contrário, descendo a serra. Para nossa felicidade, o dia amanheceu completamente diferente da primeira viagem: céu azul, sol, temperatura agradável e visibilidade perfeita, criando o cenário ideal para mais uma inesquecível viagem de moto pela Estrada-Parque Serra da Macaca.

A descida pela Serra da Macaca é uma experiência marcante. Em pouco mais de 20 quilômetros, a estrada desce de aproximadamente 800 metros de altitude para menos de 50 metros, revelando uma sequência de curvas sinuosas, mirantes naturais e paisagens exuberantes da Mata Atlântica preservada.

Ao longo do percurso, há diversos pontos de parada com infraestrutura gratuita para os visitantes. Mirantes, estacionamentos, quiosques com mesas e bancos em meio à floresta, lixeiras, banheiros públicos limpos e organizados, além de áreas para banho em rios de águas cristalinas, tornam o passeio ainda mais agradável e convidativo.

Como a rodovia atravessa uma unidade de conservação, também é possível explorar diversas trilhas ecológicas que percorrem a Mata Atlântica. Algumas são autoguiadas, enquanto outras exigem acompanhamento de monitores credenciados. Todas requerem registro junto ao Parque Estadual Carlos Botelho, e algumas possuem cobrança de ingresso (mais informações aqui). Há opções para diferentes perfis de visitantes, desde percursos curtos e acessíveis até trilhas mais longas e desafiadoras.

A história da Serra da Macaca remonta à década de 1940, quando a estrada foi aberta para conectar as regiões do Alto Paranapanema e do Vale do Ribeira.

Durante muitos anos, permaneceu sem pavimentação e tornou-se uma tradicional rota utilizada pelos romeiros que seguem em direção a Iguape durante a Romaria do Senhor Bom Jesus de Iguape, considerada a segunda maior festa católica do estado de São Paulo. A devoção teve origem em 1647, quando, segundo a tradição, a imagem do Senhor Bom Jesus foi encontrada por moradores no litoral paulista.

Muito antes da chegada dos colonizadores, porém, o traçado que deu origem à atual estrada já era utilizado por povos nativos. As antigas trilhas da serra permitiam a travessia da Mata Atlântica, ligando o planalto ao litoral e facilitando deslocamentos, atividades de caça e o intercâmbio entre diferentes grupos indígenas.

Entre os povos que historicamente ocuparam a região destacam-se os Guarani Mbyá, que há séculos circulam pelas florestas do Vale do Ribeira e ainda mantêm aldeias próximas ao parque, como a Tekoa Peguaoty. Outros grupos indígenas, como os Kaingang, também utilizaram essas rotas antes do avanço da colonização.

O nome Serra da Macaca está relacionado à abundância de primatas que habitam a região, como os bugios, os macacos-prego e o muriqui-do-sul, considerado o maior primata das Américas e uma das espécies mais ameaçadas da Mata Atlântica.

A transformação da rodovia ocorreu em 2015, quando ela recebeu uma pavimentação inovadora que a tornou a primeira estrada-parque do estado de São Paulo. O projeto foi concebido para permitir a circulação de veículos com o menor impacto possível sobre um dos mais importantes remanescentes contínuos de Mata Atlântica do Brasil.

Em substituição ao asfalto convencional, foram instalados cerca de 10 milhões de blocos de concreto intertravados. Essa solução favorece a permeabilidade do solo, melhora a drenagem das águas da chuva, reduz a temperatura da superfície e diminui os impactos ambientais causados pela pavimentação tradicional.

Outro diferencial é o ruído produzido pelos pneus ao trafegarem sobre os blocos de concreto. Esse som funciona como um alerta para a fauna silvestre, contribuindo para reduzir o risco de atropelamentos. Além disso, o projeto incorporou passagens aéreas e subterrâneas exclusivas para os animais, permitindo que atravessem a rodovia com segurança e mantendo a conectividade entre os dois lados da floresta.

Toda essa concepção está diretamente ligada ao Parque Estadual Carlos Botelho (PECB), criado em 1982 para proteger um dos mais importantes remanescentes contínuos de Mata Atlântica do país. Com mais de 38 mil hectares, a unidade de conservação abrange os municípios de São Miguel Arcanjo, Sete Barras e Capão Bonito, preservando extensas áreas de floresta ombrófila densa, onde predominam espécies como palmito-juçara, jequitibás, figueiras, canelas e inúmeras outras árvores nativas.

O parque integra o Mosaico de Paranapiacaba, juntamente com os parques estaduais Intervales, Nascentes do Paranapanema, PETAR e a Estação Ecológica de Xitué, formando um dos maiores corredores contínuos de Mata Atlântica do planeta. Essa conexão ecológica desempenha papel fundamental na conservação da biodiversidade e na proteção das bacias hidrográficas do Alto Paranapanema e do Vale do Ribeira.

A biodiversidade impressiona. O parque abriga mais de 340 espécies de aves, 56 de peixes, 70 de anfíbios, 31 de répteis, 25 espécies de pequenos mamíferos e 35 espécies de médios e grandes mamíferos. Entre os animais mais emblemáticos estão a onça-pintada, a onça-parda, a anta, o queixada, o raro mico-leão-preto e o muriqui-do-sul, dois dos maiores símbolos da conservação da Mata Atlântica brasileira.

Em reconhecimento à sua relevância ambiental, no ano de 1999, áreas do Parque Estadual Carlos Botelho passaram a integrar a Reserva da Mata Atlântica do Sudeste, declarada pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial.

Por atravessar uma área de proteção integral, a circulação de veículos na Estrada-Parque Serra da Macaca segue regras específicas voltadas à preservação ambiental. O tráfego é permitido diariamente, inclusive aos finais de semana e feriados, sempre entre 6h e 20h.

Os limites de velocidade variam entre 20 km/h e 40 km/h, proporcionando uma condução tranquila e contemplativa, além de reduzir significativamente os impactos sobre a fauna silvestre.

Também existem restrições para veículos de carga. Caminhões somente podem trafegar respeitando o limite de 9 toneladas de Peso Bruto Total (PBT) e oito metros de comprimento, sendo proibida a circulação de veículos que transportem produtos perigosos, medida que reduz os riscos ambientais em caso de acidentes.

A baixa velocidade faz com que a viagem seja muito mais do que um simples deslocamento. Embora seja possível percorrer toda a estrada em aproximadamente uma hora, o ideal é reservar entre três e quatro horas para aproveitar cada parada, contemplar as paisagens, visitar os mirantes, conhecer os rios e absorver toda a energia desse extraordinário cenário natural.

Ao longo da rodovia, o visitante encontra diversos mirantes, áreas de descanso, espaços para piqueniques, bicas de água, rios e pequenas cachoeiras, criando excelentes oportunidades para apreciar a paisagem, observar aves e conhecer de perto a rica biodiversidade da Mata Atlântica.

Não por acaso, a estrada tornou-se um dos destinos preferidos de motociclistas, ciclistas, fotógrafos, observadores de aves e amantes do ecoturismo, sendo considerada uma das rotas cênicas mais bonitas do Brasil.

O Parque Estadual Carlos Botelho complementa essa experiência com uma excelente infraestrutura para visitantes, incluindo centro de visitantes, museu ambiental, sanitários, quiosques, hospedagem, energia elétrica, acesso à internet e uma ampla rede de trilhas que conduzem a rios, cachoeiras e áreas de floresta preservada.

Além de seu enorme valor ambiental e turístico, a SP-139 também desempenha importante função logística. A rodovia liga o interior paulista ao Vale do Ribeira, ao litoral sul e à BR-116, servindo como alternativa para quem segue viagem em direção ao Paraná. Muitos viajantes acabam descobrindo que o próprio trajeto se transforma em uma atração turística, tornando a viagem uma verdadeira imersão na natureza.

Percorrer a Estrada-Parque Serra da Macaca é muito mais do que dirigir por uma rodovia. É atravessar um dos últimos grandes santuários da Mata Atlântica brasileira, onde montanhas, rios, florestas e uma rica vida selvagem convivem em perfeita harmonia com uma obra de engenharia concebida para preservar o meio ambiente.

A combinação entre paisagens deslumbrantes, biodiversidade, excelente infraestrutura para visitantes e um modelo pioneiro de mobilidade sustentável faz da Serra da Macaca um dos destinos naturais mais extraordinários do estado de São Paulo e uma das principais referências brasileiras em ecoturismo e turismo de natureza.

A seguir, confira o vídeo completo da nossa viagem de moto pela Estrada-Parque Serra da Macaca. As imagens foram registradas com uma câmera 360°, proporcionando uma experiência muito mais imersiva e transmitindo a real sensação de percorrer uma das mais belas rotas cênicas do estado de São Paulo.
No fim da tarde, chegamos à guarita que marca a entrada do Núcleo Sete Barras do Parque Estadual Carlos Botelho e o término da espetacular Estrada-Parque Serra da Macaca.

Aproveitamos para fazer mais uma pausa antes de seguir viagem. Visitamos os banheiros, descansamos por alguns minutos e observamos as aves que circulavam pela área, cercada pela exuberante Mata Atlântica e por um rio de águas cristalinas e correntezas suaves, que torna o ambiente ainda mais agradável.

Assim como acontece no Núcleo São Miguel Arcanjo, o Núcleo Sete Barras merece ser explorado com calma. Suas trilhas, atrativos naturais e rica biodiversidade justificam reservar pelo menos um dia inteiro para a visita. Mas essa experiência ficará para o próximo post.

Revigorados, bem hidratados e felizes após um dia incrível percorrendo a Estrada-Parque Serra da Macaca de moto, seguimos viagem pela SP-139 em direção ao centro de Sete Barras, no Vale do Ribeira.

Nos primeiros quilômetros após o parque, a Rodovia Nequinho Fogaça ainda mantém o característico pavimento de blocos de concreto intertravados. Pouco depois, ele dá lugar a um asfalto em excelente estado de conservação, que acompanha uma estrada estreita, sinuosa e muito prazerosa de percorrer, especialmente para quem viaja de moto.

Já ao anoitecer, chegamos ao centro de Sete Barras (SP), município localizado no coração do Vale do Ribeira, uma das regiões mais preservadas de Mata Atlântica do país. Com cerca de 1.062 km² de área territorial e aproximadamente 13 mil habitantes, a cidade mantém baixa densidade populacional e uma forte relação com a natureza.

Reconhecida como Município de Interesse Turístico (MIT), Sete Barras foi emancipada em 1959 e destaca-se pela expressiva produção de banana e palmito pupunha, além de abrigar parte significativa do Parque Estadual Carlos Botelho (PECB).

Muito antes da colonização europeia, a região era ocupada por povos indígenas, que chamavam o local de Gointaoga (ou Goyntahogoa, conforme registros históricos). A presença dos colonizadores intensificou-se entre os séculos XVII e XVIII, impulsionada pela exploração do ouro no Vale do Ribeira e pela navegação no Rio Ribeira de Iguape.

Durante o século XIX, o povoado começou a se desenvolver ao redor de uma capela dedicada ao Divino Espírito Santo, construída em terras doadas por José Carlos Toledo. Esse núcleo religioso deu origem ao distrito que, anos mais tarde, se transformaria no atual município de Sete Barras.

Sete Barras é conhecida como “Ouro Verde do Vale”, denominação oficial adotada em 1975 em referência à importância econômica da bananicultura, que substituiu o antigo ciclo do ouro como principal fonte de riqueza da região.

Outro capítulo importante da história local é a imigração japonesa, que exerceu papel fundamental no desenvolvimento agrícola do município, especialmente no cultivo da banana, consolidando Sete Barras entre os maiores produtores do estado de São Paulo.

A origem do nome Sete Barras ainda desperta curiosidade e controvérsias. A explicação mais aceita relaciona a denominação à barra — ou foz — do sétimo afluente do Rio Ribeira de Iguape, nas proximidades do local onde surgiu o primeiro povoado. Existe também uma antiga tradição popular ligada ao ciclo do ouro.

Segundo a lenda, exploradores teriam fundido o metal encontrado na região em sete barras, que foram enterradas às margens do Rio Ribeira de Iguape e jamais localizadas. Embora faça parte do imaginário e da identidade cultural do município, essa versão não possui comprovação histórica.

Durante a noite abafada, característica do clima subtropical úmido da região, marcado por altas temperaturas, elevada umidade do ar e chuvas frequentes ao longo do ano, saímos para caminhar pelo agradável centro da cidade. A praça principal recebia uma animada feira noturna, onde também visitamos a Igreja Matriz São João Batista, um dos principais marcos históricos de Sete Barras.

Para encerrar esse dia perfeito da melhor forma possível, encontramos uma pizzaria e saboreamos uma excelente pizza, fechando com chave de ouro mais uma etapa inesquecível da nossa viagem de moto pelo Vale do Ribeira.

No mapa acima, você pode conferir o trajeto percorrido neste dia de viagem pela Estrada-Parque Serra da Macaca, ligando os municípios de São Miguel Arcanjo e Sete Barras, no interior do estado de São Paulo.








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