Avistar Brasil 2026 no Jardim Botânico de São Paulo
Palco do Avistar Brasil 2026, o Jardim Botânico de São Paulo é uma importante área de preservação ambiental, reunindo jardins, trilhas, lagos e uma rica diversidade de espécies da flora brasileira. O local também abriga a nascente do córrego Pirarungáua, um dos afluentes do Riacho do Ipiranga, e o Bosque do Pau-Brasil, com diversos exemplares da árvore que deu nome ao Brasil.

Durante três dias, o Jardim Botânico de São Paulo se transformou em um ponto de encontro para amantes da natureza, observadores de aves e entusiastas da conservação ambiental ao sediar o Avistar Brasil 2026.

O que é o Avistar Brasil
O Avistar Brasil (Encontro Brasileiro de Observação de Aves) é um dos principais eventos brasileiros dedicados à observação de aves, ao turismo de natureza e à conservação ambiental.
Idealizado e concretizado por Guto Carvalho em 2006, o evento acontece anualmente na cidade de São Paulo, reunindo observadores de aves, pesquisadores, fotógrafos, profissionais do turismo e pessoas interessadas na conservação da natureza.
A programação busca aproximar ciência, cultura, turismo responsável e conservação ambiental, sempre tendo as aves e a natureza como grandes protagonistas.

Avistar Brasil 2026
A edição comemorativa dos 20 anos do evento, o Avistar Brasil 2026, teve como palco o Jardim Botânico de São Paulo e aconteceu entre os dias 15 e 17 de maio de 2026.
O evento contou com uma programação intensa, incluindo palestras, oficinas, congresso, espaço kids, feira com expositores de diferentes regiões do Brasil e da América Latina e, claro, algumas passarinhadas para promover a prática e a conexão com a natureza no Jardim Botânico e em outros locais de São Paulo.

Este ano surgiu a oportunidade e, claro, não poderíamos deixar de participar desse grande evento.
Chegamos a São Paulo em meio à temperatura amena, ao céu nublado e à tradicional garoa da capital paulista, que faz jus ao famoso apelido de “Terra da Garoa”.

Logo na entrada do Jardim Botânico, fomos recebidos por uma grande diversidade de aves vocalizando e sobrevoando a área.
Entre elas, destacavam-se os inúmeros biguás, aves aquáticas relativamente fáceis de observar, mas que chamam bastante a atenção, especialmente pelos olhos em tons de azul e verde.

Para escapar da chuva, seguimos direto para um espaço coberto, onde acabava de começar a abertura da segunda edição do Fórum de Educação Ambiental “Observai”, promovido pelo Terra da Gente.

Na sequência, a equipe do Terra da Gente realizou uma entrevista especial intitulada “O papel do Planeta Aves no atual cenário da educação ambiental”, com ninguém menos que Willian Menq.
Willian Menq e sua esposa, Jéssica Menq, são biólogos, ornitólogos e criadores do Planeta Aves, canal dedicado à divulgação sobre aves.

Foi muito especial poder ouvir de perto as palavras de Willian e, depois, conhecer pessoalmente ele e Jéssica, trocando algumas rápidas palavras. Afinal, a fila para tirar fotos ao lado do casal era imensa.
Há muito tempo, eles nos inspiram por meio das redes sociais, dos vídeos e de seus trabalhos voltados à divulgação científica e à observação de aves. De certa forma, também estão entre os responsáveis pela nossa nova paixão: o birdwatching.

Aproveitamos a oportunidade para pedir um autógrafo no livro “Aves de Rapina do Brasil: Todas as Espécies”, de autoria de Willian Menq, que adquirimos assim que foi lançado, em 2025.
A obra reúne informações sobre espécies brasileiras de aves de rapina e acabou se tornando mais uma companhia importante para nossas descobertas nesse universo que estamos começando a explorar.

Palestras, oficinas e a Feira Avistar
De volta ao Avistar Brasil 2026, ao longo do primeiro dia do evento, no qual choveu bastante, acompanhamos palestras sobre observação de aves, fotografia, ciência cidadã, turismo e conservação, além de outros temas ligados à vida silvestre.
Também participamos de oficinas e visitamos a Feira Avistar, que reuniu expositores de várias regiões do Brasil e da América Latina para apresentar destinos, hospedagens, operadoras de turismo e diferentes formas de produção artística e cultural relacionadas às aves e à natureza.

No sábado, o sol finalmente resolveu dar o ar da graça. E, convenhamos: como o céu azul faz bem para São Paulo!
No meio da manhã, participamos da passarinhada “Observação da Biodiversidade do Jardim Botânico”, conduzida pela equipe da Rede de Observadores da Natureza (RON), iniciativa formada por graduandos e profissionais da biologia.
O grupo reúne pessoas com conhecimentos voltados à fauna, flora e funga, o que deixou a caminhada ainda mais interessante.

Jardim Botânico de São Paulo
A trilha percorreu alguns caminhos em meio ao extenso Jardim Botânico de São Paulo, inserido em uma unidade de conservação que protege um importante remanescente de Mata Atlântica dentro da cidade.

O espaço permite conhecer diversas espécies de plantas, observar animais e caminhar por trechos preservados de floresta, algo que surpreende quando lembramos que estamos dentro de uma das maiores cidades do país.
Foi durante essa caminhada que começamos a perceber que o Jardim Botânico seria muito mais do que apenas o local onde acontecia o Avistar Brasil. O próprio jardim merecia ser explorado com calma.
Jardim Botânico de São Paulo
O Jardim Botânico de São Paulo está localizado em uma Unidade de Conservação que abriga o maior remanescente de Mata Atlântica da capital paulista. No local, é possível conhecer diversas espécies de plantas, observar animais e até desfrutar de um verdadeiro banho de natureza ao caminhar por um fragmento preservado da Mata Atlântica.
Localização
Avenida Miguel Estefno, 3031 – Água Funda
São Paulo – São Paulo, Brasil
Contatos
Telefone: (11) 4934-6804
Horários de funcionamento
- Todos os dias: das 9h às 17h
Bilheteria e acesso até as 16h.
Não é permitida a entrada de animais.
Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.
Valores de ingresso
- Público em geral: R$ 39,90
- Meia-entrada: R$ 19,90
- Passaporte mensal: R$ 49,90
- Passaporte anual: R$ 229,90
Tempo de visita
- Dia inteiro
Recursos para sua visita
Mapa do Jardim Botânico de São Paulo
Formato: PDF
Tamanho: 621 KB
História do Jardim Botânico de São Paulo
A história dos jardins botânicos em São Paulo é antiga e passou por diferentes fases até chegar ao espaço que conhecemos atualmente.

No final do século XVIII, foi criado o primeiro jardim botânico do estado, no bairro da Luz. O objetivo era aclimatar plantas de interesse econômico, especialmente especiarias.
Em 1799, uma carta régia determinou sua criação, e a implantação teve início em 1803. O espaço foi concluído e aberto ao público em 1825.

A partir de 1830, porém, o jardim entrou em declínio devido a mudanças administrativas, loteamentos e à venda de parte de suas áreas. Com isso, perdeu sua função científica e passou a ser utilizado principalmente como área de lazer.
Em 1838, o espaço passou a ser chamado de Jardim Público. Ao longo do tempo, grande parte da área foi urbanizada ou destinada à construção de estruturas como a Estação da Luz e a Pinacoteca do Estado.
Atualmente, o Parque da Luz preserva apenas uma pequena parte daquela área original.

Uma nova tentativa de criação de um jardim botânico em São Paulo ocorreu em 1888, proposta pelo Dr. Alberto Löfgren. Sua consolidação aconteceu alguns anos depois, quando uma área próxima ao Parque Estadual da Cantareira foi destinada ao projeto.
Löfgren, como botânico da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, participou da organização do espaço e dos estudos da vegetação local.

Em 1909, o espaço foi oficialmente criado por decreto, com o objetivo de realizar pesquisas científicas, reconstituir áreas de mata, manter viveiros e produzir mudas.
Com o tempo, porém, o projeto passou a ter um foco mais econômico, afastando-se da proposta original de jardim botânico e dando origem ao que hoje conhecemos como Horto Florestal.

O atual Jardim Botânico de São Paulo
O atual Jardim Botânico de São Paulo começou a se consolidar a partir de 1928, quando teve início um projeto voltado à preservação da flora, à pesquisa científica e à educação ambiental.

A área, que no fim do século XIX era composta por mata nativa e ocupada por sítios, foi desapropriada pelo governo com o objetivo principal de proteger nascentes e os recursos hídricos do Riacho do Ipiranga.
Em 1917, passou a ser chamada de Parque do Estado, inicialmente destinada ao abastecimento de água da região.

Em 1928, o naturalista Frederico Carlos Hoehne assumiu a condução do projeto e estruturou o jardim com foco na conservação da flora brasileira.
Foram criados lagos, estufas, um orquidário e áreas inspiradas em modelos internacionais. O Orquidário do Estado foi aberto ao público em 1929, marcando o início da visitação.

O Jardim Botânico de São Paulo foi oficialmente reconhecido em 1938 e, em 1942, o Departamento de Botânica foi transformado no Instituto de Botânica, sob a direção de Hoehne.
Nesse período, a função educativa do espaço foi fortalecida, com a realização de cursos práticos, pesquisas e a criação do Museu Botânico “Dr. João Barbosa Rodrigues”, voltado ao ensino da botânica.

Ao longo das décadas, o Jardim Botânico manteve suas funções de conservação, pesquisa e educação, passando por melhorias estruturais e pelo enriquecimento de sua vegetação, com destaque para espécies da Mata Atlântica.

Parque Estadual das Fontes do Ipiranga
O Jardim Botânico está inserido no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), uma extensa unidade de conservação localizada na região sudeste da cidade de São Paulo.
O parque possui formação vegetacional característica de floresta ombrófila densa de encosta atlântica, onde estão as nascentes do histórico Riacho do Ipiranga.

Também concentra uma rede hídrica formada por diversos corpos de água preservados, além de fauna silvestre e espécies vegetais ameaçadas de extinção.
Entre as espécies citadas na área estão imbuias, cambucis, araucárias, jequitibás, cabreúvas, xaxins e samambaias.

No Parque Estadual das Fontes do Ipiranga estão inseridos também o Parque Zoológico de São Paulo, o Parque de Ciência e Tecnologia da USP e o Observatório de São Paulo.

Espaços de visitação no Jardim Botânico de São Paulo
Hoje, o Jardim Botânico de São Paulo reúne coleções botânicas, trilhas ecológicas, biblioteca especializada e estruturas de pesquisa, consolidando-se como um importante espaço científico, educativo e ambiental do estado de São Paulo.

Estufas do Jardim Botânico de São Paulo
Após caminharmos pelo belo Jardim de Lineu — espaço composto por espelho d’água, escadarias, passeios, gramados, cercas vivas e canteiros, margeado por trechos de Mata Atlântica — chegamos às Estufas Dr. Frederico Carlos Hoehne.
Cada uma das duas estufas possui 26 metros de comprimento por 12 metros de largura.

Inicialmente, uma delas era destinada à exposição temporária de orquídeas, bromélias, samambaias e outras plantas, enquanto a outra abrigava uma mostra permanente da flora da Mata Atlântica.
Após diversas restaurações e manutenções, atualmente elas representam os dois biomas presentes no estado de São Paulo: o Cerrado, atualmente fechado à visitação, e a Mata Atlântica.

Entre as estufas, é possível apreciar as espécies de orquídeas da coleção. O Orquidário “Dr. Frederico Carlos Hoehne” é considerado um dos espaços históricos ligados à formação do Jardim Botânico de São Paulo.

O espaço ripado onde estão expostas essas plantas reflete a influência da arquitetura paulista da época, marcada por casarões, jardins e pergolados.

A coleção científica que antes ocupava esse local foi transferida para uma nova estrutura na década de 1970, de acesso restrito.
Atualmente, a pérgola de visitação abriga algumas espécies expostas, em sua maioria nativas do estado de São Paulo e de outras regiões do Brasil.

Além das orquídeas, o pergolado também reúne bromélias provenientes de projetos científicos e coletas realizadas em diferentes partes do país.

Palmeto histórico do Jardim Botânico de São Paulo
Caminhando para a área atrás das estufas, acessamos o Palmeto Histórico, um espaço composto por algumas das primeiras palmeiras da coleção do Jardim Botânico, de interesse comercial e ornamental.

A iniciativa foi criada pelo Dr. Frederico Carlos Hoehne em 1933, com o objetivo de apresentar aos visitantes a beleza, a utilidade e a importância científica das palmeiras nativas e exóticas.

No jardim, essas palmeiras também servem como fonte de alimento para diversos animais. Não é difícil observar sabiás-laranjeira e outras aves entre suas folhas, alimentando-se dos frutos.

Lago das Ninfeias
Ao chegarmos à área superior do Jardim Botânico, observamos o Lago das Ninfeias, um dos pontos que mais chamam a atenção nessa parte do jardim.

Ali, foi possível avistar diversas espécies de aves, com destaque para dois frangos-d’água, também conhecidos como galinhas-d’água, que nadavam em direções opostas, criando uma curiosa ilusão de ótica, semelhante a um efeito espelhado.

O Lago das Ninfeias foi formado a partir do represamento de nascentes que contribuem para o Rio do Ipiranga, entre 1929 e 1930.

As ninfeias (Nymphaea) são plantas aquáticas perenes conhecidas por suas folhas flutuantes e flores exuberantes. Enraizadas no fundo dos lagos, fazem parte da paisagem e ajudam a criar ambientes favoráveis para diferentes formas de vida.

Atualmente, o lago abriga espécies como a ninfeia-amarela, a ninfeia-azul e a ninfeia-rosa. Além disso, serve de habitat para borboletas, libélulas, tartarugas e peixes.

Ali, fotografamos um lírio-tocha, também conhecido como tocha-africana, planta perene originária da África do Sul, famosa por suas inflorescências em formato de espiga, que lembram uma tocha acesa.

Nas proximidades, localizam-se o Lago dos Bugios e o Bosque das Imbuias, formados por árvores originárias do Paraná, doadas à coleção do Jardim Botânico em março de 1931.
Atualmente, a imbuia encontra-se ameaçada de extinção devido à intensa exploração de sua madeira.

Não poderíamos deixar de fotografar pelo menos um quero-quero (Vanellus chilensis), ave típica da América do Sul e símbolo oficial do estado do Rio Grande do Sul.

Hidrofitotério do Jardim Botânico de São Paulo
Logo chegamos ao Hidrofitotério, idealizado e construído pelo Dr. Frederico C. Hoehne em 1947 para abrigar plantas aquáticas, tanto fixas quanto flutuantes.
Atualmente, o espaço conta com 80 compartimentos e abriga uma grande diversidade de plantas aquáticas e algas microscópicas.

Dali, conseguimos avistar uma alma-de-gato (Piaya cayana), ave presente em todo o Brasil e amplamente distribuída pela América Latina, destacando-se pela longa cauda escura com pontas claras.

Portão Histórico do Jardim Botânico de São Paulo
Próximo ao Hidrofitotério encontra-se o Portão Histórico do Jardim Botânico de São Paulo, um remanescente dos usos anteriores da área.

Instalado no final do século XIX, por volta de 1894, o portão fazia parte do sistema de acesso às estruturas de captação e controle de água que abasteciam a região do Ipiranga, em um período de intensa expansão urbana da cidade.

Doado ao Jardim Botânico como monumento em 1973 pelo antigo Serviço de Água e Esgoto, o portão evidencia a ocupação funcional anterior da região, ligada à gestão dos recursos hídricos e à infraestrutura urbana.

É interessante perceber como um elemento aparentemente simples consegue conectar diferentes momentos da história ambiental e urbana de São Paulo.

Jardim dos Sentidos e Brejo Natural
O próximo espaço de visitação é o Jardim dos Sentidos, um percurso em que logo percebemos a presença dos aromas espalhados pelo ar.

O ambiente foi projetado para ser inclusivo e estimulante, oferecendo outras formas de perceber a natureza além da visão.
Nele, é possível experimentar diferentes texturas, aromas e sabores das plantas.

As plantas aromáticas também despertam memórias e sensações, tornando a caminhada pelo espaço uma experiência diferente daquela que temos em uma trilha convencional.

Nas proximidades, pudemos observar uma elegante garça-branca-pequena (Egretta thula).

Mais alguns passos nos levaram ao Brejo Natural, uma área de solo encharcado onde ocorre um ecossistema típico de brejo, abrigando plantas e animais adaptados às condições de umidade e alagamento.

Trilha da Nascente do Riacho Ipiranga
Por fim, chegamos ao início da Trilha da Nascente, que conecta o Jardim Botânico ao remanescente de floresta do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga.

A Trilha da Nascente é um percurso suspenso de 360 metros, construído com madeira de reflorestamento.

Trilha da Nascente | Jardim Botânico de São Paulo
A Trilha da Nascente conecta o Jardim Botânico de São Paulo ao remanescente de floresta do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. Ao final do percurso, é possível chegar à nascente do córrego Pirarungaua, um dos contribuintes do Riacho do Ipiranga.
Localização
Avenida Miguel Estefno, 3031 – Água Funda
São Paulo – São Paulo, Brasil
Contatos
Telefone: (11) 4934-6804
Horários de funcionamento
- Todos os dias: das 10h às 16h
Não é permitida a entrada de animais.
Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.
Valores de ingresso
- Público em geral: Gratuito para visitantes do Jardim Botânico de São Paulo
Informações da trilha
- Visitação: autoguiada
- Distância: 720 metros (ida e volta)
- Duração média: 30 minutos
- Nível de dificuldade: fácil
- Acessibilidade: acessível para pessoas com mobilidade reduzida

Planejada como um importante espaço de educação ambiental dentro do Jardim Botânico, a trilha contribui para ampliar a percepção sobre a importância da conservação das florestas e é acessível a pessoas com mobilidade reduzida.

Sem dúvida, foi o espaço que mais nos encantou em todo o Jardim Botânico de São Paulo.

Ao percorrê-la tranquilamente, o silêncio da mata foi interrompido pela vocalização marcante e imponente do bugio, também chamado de macaco-uivador (Alouatta guariba clamitans), primata de vida livre que utiliza a floresta como passagem.

Em seguida, fomos surpreendidos por um grande bando de saguis e por uma infinidade de aves vocalizando ao redor.

Ao longo do trajeto, há áreas que funcionam como pequenos mirantes, com até quatro metros de altura, ideais para observação e contemplação da natureza.

A Trilha da Nascente foi inaugurada em 2006 sem que nenhuma árvore da mata precisasse ser removida para sua instalação.

Destaque especial para a expressiva população de palmeiras-juçara, espécie nativa atualmente ameaçada de extinção.


No final do percurso, alcançamos a nascente do córrego Pirarungáua, um dos contribuintes do Riacho do Ipiranga.

Nesse momento, aproveitamos a pausa para admirar a água cristalina brotando da terra.


Infraestrutura do Jardim Botânico de São Paulo
Outro ponto que merece destaque é a infraestrutura do Jardim Botânico de São Paulo.
Durante nossa visita, encontramos café, restaurante, banheiros e diversos bebedouros de água filtrada distribuídos pelas alamedas.

Um dos detalhes que mais chamam a atenção são os curiosos bebedouros rústicos, em formato de grandes vasos ou jarras de barro, localizados na Trilha de Terra Batida.
Esse caminho tem aproximadamente 1.500 metros e liga a entrada da Trilha da Nascente ao Jardim de Lineu.
O percurso atravessa a vegetação nativa e convida o visitante a caminhar com mais calma, observando a fauna em meio ao silêncio da mata.

Bosque do Pau-Brasil
Antes de encerrar nossa visita pelo amplo Jardim Botânico de São Paulo, passamos pelo Bosque do Pau-Brasil.
Implantado em 1979, o bosque surgiu como uma importante iniciativa de conservação do Pau-Brasil (Paubrasilia echinata), espécie ameaçada de extinção.
Ali, é possível apreciar de perto essa árvore tão importante para a história do país e entender um pouco melhor por que sua preservação é tão necessária.

A história do Pau-Brasil
O Pau-Brasil é uma árvore endêmica da Mata Atlântica e nativa da faixa litorânea brasileira, ocorrendo originalmente desde a região Sudeste até o Rio Grande do Norte.
Considerada símbolo oficial do Brasil, a espécie possui uma data comemorativa celebrada em 3 de maio.
Antes da colonização, os povos indígenas já utilizavam sua madeira para fabricar arcos, flechas e instrumentos musicais, além de empregá-la como fonte de pigmento para pintura corporal.

Conhecida pelos povos tupis como Ibirapitanga (ybirá-pitanga), expressão associada à ideia de “árvore vermelha”, a espécie chamava atenção pela intensa coloração avermelhada presente no interior do tronco.
Durante os primeiros anos da ocupação portuguesa no território que hoje corresponde ao Brasil, o Pau-Brasil despertou o interesse dos europeus principalmente pela madeira avermelhada.
Dela era extraído um corante vermelho valorizado na Europa para a pigmentação de tecidos.

A madeira das novas terras americanas rapidamente se tornou um produto cobiçado no mercado europeu e passou a ter grande importância econômica durante os primeiros anos da colonização portuguesa.
Os colonizadores utilizavam nomes como “brecilis” e “brezil”, em referência a uma espécie asiática de madeira avermelhada já conhecida na Europa.
Posteriormente, passou a ser chamada de Pau-Brasil, além de outras denominações populares como Pau-Vermelho, Pau-de-Pernambuco, Pau-de-Tinta e Pau-Rosado.

De onde vem o nome Brasil?
A origem do nome Brasil é cercada por discussões e diferentes interpretações entre historiadores.
Uma das explicações relaciona o termo “brasil” à coloração avermelhada da madeira.
Alguns historiadores relacionam a palavra ao termo latino brasilia, utilizado para designar uma cor avermelhada ou semelhante à brasa.

Com o tempo, o nome associado à madeira e ao corante acabou sendo incorporado à nova terra colonizada pelos portugueses, especialmente a partir do início do século XVI, quando o produto ganhou importância no mercado europeu.
Nos primeiros anos da colonização, porém, a América Portuguesa recebeu diversas denominações, como Ilha de Vera Cruz, Terra dos Papagaios, Terra de Santa Cruz e, posteriormente, Brasil.

A mudança de nomenclatura gerou debates entre alguns portugueses da época. O cronista Pero Magalhães de Gandavo, por exemplo, defendia o retorno do nome “Terra de Santa Cruz” por razões religiosas.
Em 1576, publicou a obra História da Província de Santa Cruz, na qual registrou diversos relatos sobre a América Portuguesa.

A exploração do Pau-Brasil
A extração do Pau-Brasil foi a primeira atividade econômica desenvolvida pelos colonizadores portugueses no território brasileiro.
Em 1501, Fernão de Loronha, também conhecido como Fernão de Noronha, recebeu da Coroa Portuguesa o direito de exploração da madeira.
Pouco tempo depois, recebeu a ilha de São João, atual Fernando de Noronha, como capitania hereditária.

Em 1511, ocorreu uma das primeiras grandes exportações registradas de Pau-Brasil para Portugal, quando cerca de 5 mil toras foram embarcadas no navio Bretoa.
Nesse mesmo período, o sistema de exploração da madeira passou por mudanças e, posteriormente, interessados poderiam explorá-la mediante o pagamento dos impostos devidos à Coroa Portuguesa.

A intensa exploração ao longo dos séculos provocou impactos ambientais severos.
Estimativas históricas apontam para a derrubada e exportação de grandes quantidades de madeira entre os séculos XVI e XIX. O avanço do desmatamento da Mata Atlântica também reduziu drasticamente as populações naturais da espécie.

Durante o século XX, o Pau-Brasil chegou a ser considerado praticamente extinto na natureza, até ser redescoberto em Pernambuco, em 1928.
Atualmente, a espécie segue ameaçada de extinção e sua conservação continua sendo uma preocupação importante.

O Pau-Brasil também está relacionado à expressão “madeira de lei”, utilizada historicamente para designar espécies cuja exploração era submetida ao controle da Coroa Portuguesa.
O termo surgiu para indicar que apenas madeiras autorizadas pela Coroa Portuguesa poderiam ser exploradas, numa tentativa de combater o contrabando realizado por embarcações estrangeiras, especialmente francesas, espanholas e inglesas.

Características do Pau-Brasil
Além de sua relevância histórica, o Pau-Brasil possui características botânicas bastante interessantes.
Trata-se de uma árvore que pode alcançar cerca de 15 metros de altura, embora existam registros históricos e estimativas de exemplares muito maiores.

Seus galhos apresentam espinhos, as flores possuem coloração amarela e a copa permanece densa e verde durante boa parte do ano.
Sua madeira é extremamente pesada, dura, compacta e resistente. Atualmente, continua sendo valorizada especialmente na fabricação de arcos para instrumentos de corda, como violinos e violoncelos.
A flexibilidade e a qualidade acústica da madeira fazem com que peças produzidas com Pau-Brasil sejam muito valorizadas por músicos especializados.

Em uma das árvores presentes no Bosque do Pau-Brasil do Jardim Botânico de São Paulo, observamos um pequeno furo no tronco, do qual saía, de forma bastante visível, a seiva avermelhada da planta.
Foi uma daquelas pequenas descobertas da visita que fazem a gente parar e olhar com mais atenção para aquilo que está ao redor.

Ao entrar em contato com o oxigênio do ar, os compostos responsáveis pela coloração da madeira do Pau-Brasil participam de reações de oxidação que intensificam a tonalidade avermelhada.
Biologicamente, a liberação dessa resina funciona como um mecanismo natural de defesa da planta, auxiliando na cicatrização de “feridas” no tronco e protegendo a árvore contra ataques de insetos e fungos.


Bosque dos Passuarés
Caminhando de volta à área onde acontecia o Avistar Brasil 2026, notamos, ao fundo de um extenso gramado que contorna a mata, o Bosque dos Passuarés.

Essa espécie, típica da Mata Atlântica, está entre as árvores mais altas encontradas no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga.

O local convida os visitantes a sentar, relaxar ao sol, fazer piqueniques e deixar as crianças brincarem na grama.

É um espaço que transmite uma sensação gostosa de liberdade, especialmente para quem vive em uma grande metrópole como São Paulo.

Museu Botânico “Dr. João Barbosa Rodrigues”
Pelo caminho, aproveitamos para explorar o interior do Museu Botânico “Dr. João Barbosa Rodrigues”, que funciona aos finais de semana e feriados, das 10h às 16h, permanecendo fechado em dias de chuva para preservar seu acervo.

Inaugurado em 1942, em comemoração ao centenário de nascimento do naturalista que dá nome ao museu, o prédio abriga um importante acervo dividido em cinco salas.

Ali, é possível conhecer um pouco mais da história do Jardim Botânico de São Paulo, da botânica no Brasil e da importância da pesquisa científica para a conservação da biodiversidade.
Hoehne idealizou o museu como um centro de comunicação, educação e divulgação da ciência botânica para os visitantes.

Entre as salas, encontramos painéis, objetos e dioramas com informações sobre o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, materiais de pesquisa de Hoehne e de outros estudiosos da botânica.
Também há conteúdos sobre os biomas do estado de São Paulo, ilustrações de plantas e fungos e telas com documentários e vídeos informativos.

Mais palestras no Avistar Brasil 2026
De volta ao Avistar Brasil, seguimos diretamente ao Auditório Master, onde assistimos à apresentação intitulada “Escolha sete espécies em sete mil”, de Fábio Olmos, biólogo, ornitólogo e fotógrafo brasileiro.

Ao término da palestra, uma verdadeira multidão se formou no auditório para acompanhar a apresentação “Corujas: o que ainda não sabemos?”, conduzida por Willian Menq.


Na sequência, outra palestra de destaque: “15 anos – 150 guias – Uma grande homenagem!”, apresentada por Silvia Linhares, fotógrafa com mais de 1.750 espécies registradas.

Com o fim do dia se aproximando, uma pequena aglomeração surgiu ao redor do grande lago próximo ao local do evento.
O motivo? A presença de um pequeno e ágil tatu, que acabou nos proporcionando também o encontro com o simpático Rômulo Ferreira, do canal Biologia com Rômulo.
Jovem naturalista da cidade de Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro, Rômulo participou da mesa de jovens observadores.

Último dia do Avistar Brasil 2026
O último dia do Avistar 2026 seguiu com uma programação intensa, reunindo fotógrafos, cientistas, pesquisadores, conservacionistas e apaixonados pelo universo das aves.

A edição deste ano também marcou os 20 anos do Avistar, com o tema “Avistar 20 anos: impactos na conservação”.

A última apresentação que acompanhamos foi “Observatório Ornitológico: berço do Rio Iguaçu”.

O casal, criador e mantenedor da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu, Carlos Amaral e Elisabeth Gebauer, contou sobre os propósitos, a gestão e os atrativos da reserva, formada e estruturada ao longo dos últimos 16 anos na Serra do Mar paranaense.

Ainda no domingo, participamos da passarinhada “Canon na Trilha – Passarinhada Fotográfica”.
Entre inúmeras aves observadas, conseguimos fotografar um casal de corujinhas-do-mato (Megascops choliba), cuidadosamente encorujadas entre galhos e folhas.

Nossa experiência no Avistar Brasil 2026
Com um enorme sorriso no rosto, nos despedimos do Avistar Brasil 2026.
Foram dias de aprendizado, troca de experiências, palestras, práticas de fotografia de natureza e muitas descobertas sobre o universo do birdwatching.

Um dos momentos mais marcantes foi conhecer pessoalmente pessoas que há muito tempo nos inspiram pelas redes sociais e por seus trabalhos, além de fazer novas amizades.
Mas o Avistar acabou nos proporcionando algo além do evento.
Ao longo daqueles três dias, tivemos a oportunidade de conhecer melhor o Jardim Botânico de São Paulo, caminhar por suas trilhas, observar aves, descobrir um pouco da história do lugar e perceber como existe muita coisa para explorar dentro daquele espaço.

Eventos como o Avistar Brasil — Encontro Brasileiro de Observação de Aves — mostram que a observação de aves vai muito além da fotografia: é também uma forma de conexão com a natureza, de incentivo à conservação ambiental e de descoberta de um novo olhar sobre o mundo natural.
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