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Jardim Botânico de São Paulo e Avistar Brasil 2026: o Maior Encontro de Observação de Aves da América Latina
17 de Maio, 2026
Confira como foi o Avistar Brasil 2026, o maior evento de observação de aves e turismo de natureza da América Latina, realizado no Jardim Botânico de São Paulo. Descubra os atrativos e trilhas em um dos espaços verdes mais importantes da capital paulista.
Participamos do Avistar Brasil 2026, o maior evento de observação de aves e turismo de natureza da América Latina, realizado no Jardim Botânico de São Paulo. Foram dias de muito aprendizado, troca de experiências e descobertas sobre o universo do birdwatching, com palestras, exposição de equipamentos, fotografia de natureza e inúmeras curiosidades sobre a observação de aves. Também tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente pessoas que há muito tempo nos inspiram por meio das redes sociais e de seus trabalhos voltados à natureza e à conservação ambiental. Além disso, participamos de passarinhadas, exploramos trilhas em meio à Mata Atlântica e conhecemos alguns dos principais atrativos do Jardim Botânico, um dos espaços verdes mais importantes da capital paulista.

Entre os dias 15 e 17 de maio de 2026, o Jardim Botânico de São Paulo se transformou no principal ponto de encontro para amantes da natureza, observadores de aves e entusiastas da conservação ambiental ao sediar o Avistar Brasil, o maior evento de observação de aves e turismo de natureza da América Latina.

E, claro, não poderíamos deixar de participar desse grande encontro. Chegamos a São Paulo em meio à temperatura amena, ao céu nublado e à tradicional garoa da capital paulista, que faz jus ao famoso apelido de “Terra da Garoa”.

Logo na entrada do Jardim Botânico, fomos recebidos por uma grande diversidade de aves vocalizando e sobrevoando a área. Entre elas, destacavam-se os inúmeros biguás, aves aquáticas relativamente fáceis de observar, mas de beleza impressionante, especialmente pelos olhos em tons de azul brilhante e verde-esmeralda.

Para escapar da chuva, seguimos direto para o espaço onde acabava de começar a abertura da segunda edição do Fórum de Educação Ambiental “Observai”, promovido pelo Terra da Gente.

Na sequência, a equipe do Terra da Gente realizou uma entrevista especial intitulada “O papel do Planeta Aves no atual cenário da educação ambiental”, com ninguém menos que Willian Menq. Willian e sua esposa, Jéssica Menq, são biólogos, ornitólogos e criadores do Planeta Aves, o maior canal do YouTube do mundo especializado em aves.

Sem dúvida, foi um momento marcante poder ouvir de perto as palavras de Willian e, depois, conhecer pessoalmente ele e Jéssica, trocando algumas rápidas palavras, afinal, a fila para tirar fotos ao lado do casal era imensa. Há muito tempo, eles nos inspiram por meio das redes sociais e de seus trabalhos incríveis voltados à divulgação científica e à observação de aves.

Aproveitamos a oportunidade para pedir um autógrafo no livro “Aves de Rapina do Brasil: Todas as Espécies”, de autoria de Willian Menq, que adquirimos assim que foi lançado, em 2025. A obra é considerada o catálogo mais completo do país sobre o tema, reunindo informações detalhadas sobre 99 espécies de aves de rapina brasileiras, entre elas águias, gaviões, falcões, corujas e urubus.

Ao longo do primeiro dia, acompanhamos palestras sobre observação de aves, fotografia, ciência cidadã, turismo e conservação, além de diversos outros temas ligados à vida silvestre. Também participamos de oficinas e visitamos a Feira Avistar, que reuniu expositores de várias regiões do Brasil e da América Latina para apresentar destinos, pousadas, operadoras de turismo e diferentes formas de produção artística e cultural relacionadas às aves e à natureza.

No sábado, o sol finalmente resolveu dar o ar da graça. E, convenhamos: como o céu azul faz bem para São Paulo!

No meio da manhã, participamos da passarinhada “Observação da Biodiversidade do Jardim Botânico”, conduzida pela equipe da Rede de Observadores da Natureza (RON), iniciativa formada por graduandos e profissionais da biologia. O grupo reúne uma equipe diversa, com conhecimentos voltados à fauna, flora e funga.

O Jardim Botânico de São Paulo está inserido em uma Unidade de Conservação que abriga o maior remanescente de Mata Atlântica em meio à capital paulista.

Jardim Botânico de São Paulo
O Jardim Botânico de São Paulo está localizado em uma Unidade de Conservação que abriga o maior remanescente de Mata Atlântica da capital paulista. No local, é possível conhecer diversas espécies de plantas, observar animais e até desfrutar de um verdadeiro banho de natureza ao caminhar por um fragmento preservado da Mata Atlântica.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Jardim Botânico de São Paulo partindo do centro de Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – Brasil:
Contatos do Jardim Botânico de São Paulo
- Endereço: Avenida Miguel Estefno, 3031 – Água Funda | São Paulo – São Paulo – Brasil
- Telefones: (11) 4934-6804 | (11) 5067-6000
- E-mail: atendimento@jardimbotanico.com.br
Para obter informações mais detalhadas, visite o site oficial do Jardim Botânico de São Paulo.
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: das 9h às 17h
Valores de Ingresso
- Público em geral: R$ 39,90
- Meia entrada: R$ 19,90
- Passaporte mensal: R$ 49,90
- Passaporte anual: R$ 229,90
*Não é permitida a entrada de animais.
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 8 horas
Recursos para sua Visita

O espaço permite conhecer diversas espécies de plantas, observar animais e desfrutar de um verdadeiro banho de natureza ao caminhar por trechos preservados da floresta.

A história do Jardim Botânico de São Paulo remonta ao final do século XVIII, quando foi criado o primeiro jardim botânico do estado, no bairro da Luz. O objetivo era aclimatar plantas de interesse econômico, especialmente especiarias. Em 1799, uma carta régia determinou sua criação, e a implantação teve início em 1803. O espaço foi concluído e aberto ao público em 1825.

A partir de 1830, o jardim entrou em declínio devido a mudanças administrativas, loteamentos e à venda de parte de suas áreas. Com isso, perdeu sua função científica e passou a ser utilizado principalmente como área de lazer.

Em 1838, passou a ser chamado de Jardim Público. Ao longo do tempo, grande parte de sua área foi urbanizada ou destinada à construção de estruturas como a Estação da Luz e a Pinacoteca do Estado. Atualmente, o Parque da Luz preserva apenas uma pequena fração da área original.

Uma nova tentativa de criação de um jardim botânico em São Paulo ocorreu em 1888, proposta pelo Dr. Alberto Löfgren. No entanto, sua consolidação efetiva só aconteceu em 1896, quando uma área próxima ao Parque Estadual da Cantareira foi destinada ao projeto. Löfgren, como botânico da Comissão Geográfica e Geológica de São Paulo, foi responsável pela organização do espaço e pelos estudos da vegetação local.

Em 1909, o espaço foi oficialmente criado por decreto, com o objetivo de realizar pesquisas científicas, reconstituir áreas de mata, manter viveiros e produzir mudas. Com o tempo, porém, o projeto passou a ter um foco mais econômico, afastando-se da proposta original de jardim botânico e dando origem ao que hoje conhecemos como Horto Florestal.

O atual Jardim Botânico de São Paulo começou a se consolidar apenas a partir de 1928, quando teve início um projeto voltado à preservação da flora, à pesquisa científica e à educação ambiental. A área, que no fim do século XIX era composta por mata nativa e ocupada por sítios, foi desapropriada pelo governo com o objetivo principal de proteger nascentes e os recursos hídricos do Riacho do Ipiranga. Em 1917, passou a ser chamada de Parque do Estado, inicialmente destinada ao abastecimento de água da região.

Em 1928, o naturalista Frederico Carlos Hoehne assumiu a condução do projeto e estruturou o jardim com foco na conservação da flora brasileira. Foram criados lagos, estufas, um orquidário e áreas inspiradas em modelos internacionais, como o de Uppsala, na Suécia. O Orquidário do Estado foi aberto ao público em 1929, marcando o início da visitação.

O Jardim Botânico de São Paulo foi oficialmente reconhecido em 1938 e, em 1942, o Departamento de Botânica foi transformado no Instituto de Botânica, sob a direção de Hoehne. Nesse período, a função educativa do espaço foi fortalecida, com a realização de cursos práticos, pesquisas e a criação do Museu Botânico “Dr. João Barbosa Rodrigues”, voltado ao ensino da botânica.

Ao longo das décadas, o Jardim Botânico manteve suas funções de conservação, pesquisa e educação, passando por melhorias estruturais e pelo enriquecimento de sua vegetação, com destaque para espécies da Mata Atlântica.

O Jardim Botânico está inserido no Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (PEFI), uma extensa unidade de conservação que também abriga o Parque Zoológico de São Paulo, o Parque de Ciência e Tecnologia da USP e o Observatório de São Paulo. A região conta com ampla área de preservação, clima tropical de altitude e vegetação típica da Mata Atlântica.

Hoje, o espaço reúne coleções botânicas, trilhas ecológicas, biblioteca especializada e estruturas de pesquisa, consolidando-se como um importante centro científico, educativo, ambiental e turístico do estado de São Paulo.

Após caminharmos pelo belo Jardim de Lineu — espaço composto por espelho d’água, escadarias, passeios, gramados, cercas vivas e canteiros, margeado por trechos de Mata Atlântica — chegamos às Estufas Dr. Frederico Carlos Hoehne.

Cada uma das duas estufas possui 26 metros de comprimento por 12 metros de largura. Inicialmente, uma delas era destinada à exposição temporária de orquídeas, bromélias, samambaias e outras plantas, enquanto a outra abrigava uma mostra permanente da flora da Mata Atlântica.

Após diversas restaurações e manutenções, atualmente elas representam os dois biomas presentes no estado de São Paulo: o Cerrado, atualmente fechado à visitação, e a Mata Atlântica.

Entre as estufas, é possível se encantar com a beleza das espécies de orquídeas da coleção. O Orquidário “Dr. Frederico Carlos Hoehne” é considerado um dos marcos que deram origem ao Jardim Botânico de São Paulo.

O espaço ripado onde estão expostas essas plantas reflete a influência da arquitetura paulista da época, marcada por casarões, jardins e pergolados.

A coleção científica que antes ocupava esse local foi transferida para uma nova estrutura na década de 1970, de acesso restrito. Atualmente, a pérgola de visitação abriga algumas espécies expostas, em sua maioria nativas do estado de São Paulo e de outras regiões do Brasil.

Além das orquídeas, o pergolado também reúne bromélias provenientes de projetos científicos e coletas realizadas em diferentes partes do país.

Caminhando para a área atrás das estufas, acessamos o Palmeto Histórico, um espaço composto por algumas das primeiras palmeiras da coleção do Jardim Botânico, de interesse comercial e ornamental.

A iniciativa foi criada pelo Dr. Frederico Carlos Hoehne em 1933, com o objetivo de apresentar aos visitantes a beleza, a utilidade e a importância científica das palmeiras nativas e exóticas.

No jardim, essas palmeiras também servem como fonte de alimento para diversos animais. Não é difícil observar sabiás-laranjeira e outras aves entre suas folhas, alimentando-se tranquilamente dos frutos.

Ao chegarmos à área superior do Jardim Botânico, observamos o Lago das Ninfeias, o maior lago da área de visitação.

Ali, foi possível avistar diversas espécies de aves, com destaque para dois frangos-d’água (também conhecidos como galinhas-d’água), que nadavam em direções opostas, criando uma curiosa ilusão de ótica semelhante a um efeito espelhado.

O Lago das Ninfeias foi formado a partir do represamento de nascentes que contribuem para o Rio do Ipiranga, entre 1929 e 1930.

As ninfeias (Nymphaea) são plantas aquáticas perenes conhecidas por suas folhas flutuantes e flores exuberantes, que se abrem durante o dia ou à noite. Enraizadas no lodo do fundo, são ideais para lagos e espelhos d’água, contribuindo para a oxigenação da água e oferecendo sombra aos peixes.

Atualmente, o lago abriga espécies como a ninfeia-amarela, a ninfeia-azul e a ninfeia-rosa. Além disso, serve de habitat para borboletas, libélulas, tartarugas e peixes, compondo uma das paisagens mais marcantes do Jardim Botânico de São Paulo.

Ali, fotografamos um lírio-tocha, também conhecido como tocha-africana, planta perene originária da África do Sul, famosa por suas inflorescências vibrantes em formato de espiga, que lembram uma tocha acesa.

Nas proximidades localizam-se o Lago dos Bugios e o Bosque das Imbuias, formados por árvores originárias do Paraná, doadas à coleção do Jardim Botânico em março de 1931. Atualmente, a espécie encontra-se ameaçada de extinção devido à intensa exploração de sua madeira na fabricação de móveis de luxo.

Não poderíamos deixar de fotografar pelo menos um quero-quero (Vanellus chilensis), ave típica da América do Sul e símbolo oficial do estado do Rio Grande do Sul.

Logo chegamos ao Hidrofitotério, idealizado e construído pelo Dr. Frederico C. Hoehne em 1947 para abrigar plantas aquáticas, tanto fixas quanto flutuantes. Atualmente, o espaço conta com 80 compartimentos e abriga uma grande diversidade de plantas aquáticas e algas microscópicas.

Dali, conseguimos avistar uma alma-de-gato (Piaya cayana), ave cuculiforme presente em todo o Brasil e amplamente distribuída pela América Latina, destacando-se pela longa cauda escura com pontas claras.

Próximo ao Hidrofitotério encontra-se o Portão Histórico do Jardim Botânico de São Paulo, um remanescente dos usos anteriores da área.

Instalado no final do século XIX, por volta de 1894, o portão fazia parte do sistema de acesso às estruturas de captação e controle de água que abasteciam a região do Ipiranga, em um período de intensa expansão urbana da cidade.

Doado ao Jardim Botânico como monumento em 1973 pelo antigo Serviço de Água e Esgoto, o portão evidencia a ocupação funcional anterior da região, ligada à gestão de recursos naturais e à infraestrutura urbana, conectando diferentes camadas da história ambiental e urbana paulistana.

Suas formas ornamentadas revelam a elegância de uma época em que arte e arquitetura caminhavam lado a lado com a paisagem natural.

O Portão Histórico representa o encontro entre passado e presente, convidando o visitante a vivenciar uma experiência que une beleza, história e conservação ambiental.

O próximo espaço de visitação é o Jardim dos Sentidos, um percurso em que logo se percebe a presença de aromas espalhados pelo ar.

O ambiente foi projetado para ser inclusivo e estimulante, oferecendo mais do que aquilo que os olhos estão acostumados a enxergar. Nele, é possível experimentar a natureza de outra forma: sentir a textura das folhas, o aroma das flores e a diversidade de sabores.

As plantas aromáticas têm o poder de evocar memórias, despertar sensações e provocar sentimentos. Espaços como o Jardim dos Sentidos proporcionam excelentes oportunidades para se reconectar consigo mesmo e com o ambiente ao redor.

Nas proximidades, pudemos observar uma elegante garça-branca-pequena (Egretta thula).

Mais alguns passos nos levaram ao Brejo Natural, uma área de solo encharcado onde ocorre um ecossistema típico de brejo, abrigando plantas e animais adaptados às condições de umidade e alagamento.

Por fim, chegamos ao início da Trilha da Nascente, que conecta o Jardim Botânico ao remanescente de floresta do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga.

Trilha da Nascente | Jardim Botânico de São Paulo
A Trilha da Nascente conecta o Jardim Botânico de São Paulo ao remanescente de floresta do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga. Ao final do percurso, é possível chegar à nascente do córrego Pirarungaua, um dos afluentes do Riacho do Ipiranga.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Trilha da Nascente | Jardim Botânico de São Paulo partindo do centro de Florianópolis – Santa Catarina – Brasil:
Contatos do Jardim Botânico de São Paulo
- Endereço: Avenida Miguel Estefno, 3031 – Água Funda | São Paulo – São Paulo – Brasil
- Telefones: (11) 4934-6804 | (11) 5067-6000
- E-mail: atendimento@jardimbotanico.com.br
Para obter informações mais detalhadas, visite o site oficial do Jardim Botânico de São Paulo.
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: das 10h às 16h
Valores de Ingresso
- Público em geral: O ingresso para a Trilha da Nascente é gratuito para os visitantes do Jardim Botânico de São Paulo.
*Não é permitida a entrada de animais.
**O acesso à Trilha da Nascente possui uma limitação de 206 pessoas por vez.
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Informações da Trilha
Extensão, tempo e nível de dificuldade da trilha:
- Percurso: A trilha possui uma extensão de 720 metros (ida e volta).
- Duração: A média de tempo para completar a trilha é de 30 minutos.
- Nível de Dificuldade: O nível de dificuldade é considerado leve.

A Trilha da Nascente é um percurso suspenso, com 360 metros de extensão, construído com madeira de reflorestamento.

Planejada como um importante espaço de educação ambiental dentro do Jardim Botânico, a trilha contribui para ampliar a percepção sobre a importância da conservação das florestas e é acessível a pessoas com mobilidade reduzida.

Sem dúvida, foi o espaço que mais nos encantou em todo o Jardim Botânico de São Paulo.

Ao percorrê-la tranquilamente, o silêncio da mata foi interrompido pela vocalização marcante e imponente do bugiu, também chamado de macaco-uivador (Alouatta guariba clamitans), primata de vida livre que utiliza a floresta como passagem.

Em seguida, fomos surpreendidos por um grande bando de saguis e por uma infinidade de aves vocalizando ao redor.

Ao longo do trajeto, há áreas que funcionam como pequenos mirantes, com até quatro metros de altura, ideais para observação e contemplação da natureza.

A Trilha da Nascente foi inaugurada em 2006 sem que nenhuma árvore da mata precisasse ser removida para sua instalação.

Destaque especial para a expressiva população de palmeiras-juçara, espécie nativa atualmente ameaçada de extinção.

No final do percurso, alcançamos a nascente do córrego Pirarungaua, um dos afluentes do Riacho do Ipiranga.


Nesse momento, aproveitamos a pausa para admirar a água cristalina brotando da terra.


Vale destacar que o Jardim Botânico de São Paulo oferece infraestrutura completa para os visitantes, incluindo café, amplo restaurante, diversos banheiros e vários bebedouros de água filtrada distribuídos estrategicamente ao longo das alamedas.

Um dos destaques mais conhecidos do parque são os curiosos bebedouros rústicos em formato de grandes vasos ou jarras de barro, localizados na Trilha de Terra Batida — um percurso de aproximadamente 1.500 metros que liga a entrada da Trilha da Nascente ao Jardim de Lineu. Esse caminho atravessa a vegetação nativa e convida o visitante a se conectar com a natureza, observando a fauna em meio ao silêncio da mata.


Antes de encerrar nossa visita pelo amplo Jardim Botânico de São Paulo, passamos pelo Bosque do Pau-Brasil. Implantado em 1979, o bosque surgiu como uma iniciativa de conservação do Pau-Brasil (Paubrasilia echinata), espécie ameaçada de extinção. Ali, é possível apreciar e conhecer de perto essa árvore icônica que deu nome ao país, reforçando a importância de sua preservação.


O Pau-Brasil, nativo da Mata Atlântica, é símbolo oficial do Brasil e possui uma data comemorativa celebrada em 3 de maio. Antes da colonização, os povos indígenas utilizavam sua madeira para fabricar arcos, flechas, instrumentos musicais e também como tintura vermelha para pintura corporal.


Os colonizadores chamavam a árvore de “brecilis” e “brezil”, em referência a uma espécie asiática (Biancaea sappan) de madeira avermelhada conhecida na Europa. Posteriormente, passou a ser chamada de Pau-Brasil, além de outras denominações populares como Pau-Vermelho, Pau-de-Pernambuco, Pau-de-Tinta e Pau-Rosado. Para os povos tupis, era conhecida como Ibirapitanga, termo que significa literalmente “árvore vermelha”.

O nome do Pau-Brasil é cercado por especulações e debates entre historiadores. Atualmente, o consenso é que o termo “brasil” fazia referência à resina avermelhada presente na madeira da árvore. Algumas historiadoras afirmam que o termo, assim como suas variações, tem origem na palavra latina “brasilia”, utilizada para designar a “cor de brasa” ou o tom avermelhado.

Durante a colonização, o corante vermelho extraído da madeira tornou-se extremamente valioso para tingir tecidos de luxo, transformando o Pau-Brasil no primeiro recurso natural explorado pelos portugueses e na base da primeira atividade econômica do país.


A exploração diminuiu no século XIX com a chegada dos corantes sintéticos, mas deixou impactos ambientais significativos. Desde 1992, a espécie é considerada ameaçada de extinção, e sua extração sem autorização é considerada crime ambiental.


Inclusive, em uma das árvores de Pau-Brasil observamos um furo do qual saía, de forma bastante visível, a seiva avermelhada da planta, que contém o pigmento natural chamado brasilina. Ao entrar em contato com o oxigênio do ar, a brasilina sofre oxidação e se transforma em brasileína, adquirindo uma coloração vermelha intensa e brilhante.


Biologicamente, a liberação dessa resina funciona como um mecanismo de defesa da planta, ajudando na cicatrização de “feridas” no tronco e protegendo-a contra ataques de insetos e fungos.


Caminhando de volta à área onde acontecia o Avistar 2026, notamos ao fundo de um extenso gramado, contornando a mata, o Bosque dos Passuarés. Essa espécie, típica da Mata Atlântica, está entre as árvores mais altas do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga.


O local convida os visitantes a deitar e relaxar ao sol, fazer piqueniques e deixar as crianças brincarem livremente na grama, proporcionando uma sensação de liberdade rara para quem vive em uma grande metrópole como São Paulo.



Pelo caminho, aproveitamos para explorar o interior do Museu Botânico “Dr. João Barbosa Rodrigues”, que funciona aos finais de semana e feriados, das 10h às 16h, permanecendo fechado em dias de chuva para preservar seu acervo.

Inaugurado em 1942, em comemoração ao centenário de nascimento do naturalista que dá nome ao museu, o prédio abriga um importante acervo dividido em cinco salas.

Ali, é possível mergulhar na história do Jardim Botânico de São Paulo, da botânica no Brasil e da relevância da pesquisa científica para a conservação da biodiversidade. Hoehne idealizou o museu como um centro de comunicação, educação e divulgação da ciência botânica aos visitantes.

Entre as salas, encontram-se painéis, objetos e dioramas com informações sobre o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, materiais de pesquisa de Hoehne e de outros estudiosos da botânica, além de conteúdos sobre os biomas do estado de São Paulo (Cerrado e Mata Atlântica), ilustrações de plantas e fungos e telas que exibem documentários e vídeos informativos.

De volta ao Avistar Brasil, seguimos diretamente ao Auditório Master, onde assistimos à inspiradora apresentação intitulada “Escolha sete espécies em sete mil”, de Fábio Olmos, renomado biólogo, ornitólogo e fotógrafo brasileiro reconhecido mundialmente por já ter fotografado mais de 7 mil espécies de aves.

Ao término da palestra, uma verdadeira multidão se formou no auditório para acompanhar a apresentação “Corujas: o que ainda não sabemos?”, conduzida pelo fenômeno Willian Menq.


Na sequência, outra palestra de destaque: “15 anos – 150 guias – Uma grande homenagem!”, apresentada por Silvia Linhares, fotógrafa com mais de 1.750 espécies registradas.

Com o fim do dia se aproximando, uma pequena aglomeração surgiu ao redor do grande lago próximo ao local do evento. O motivo? A presença de um pequeno e ágil tatu, que acabou nos proporcionando o encontro com o simpático Rômulo Ferreira, do canal Biologia com Rômulo. Jovem naturalista da cidade de Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro, Rômulo participou da mesa de jovens observadores.

O último dia do Avistar 2026 seguiu com uma programação intensa, mostrando por que o evento reúne em São Paulo tantos fotógrafos, cientistas, pesquisadores, conservacionistas e apaixonados pelo fascinante universo das aves.

A edição deste ano foi ainda mais especial: o Avistar 2026 celebrou seus 20 anos com o tema “Avistar 20 anos: impactos na conservação”.

A última apresentação que acompanhamos foi “Observatório Ornitológico: berço do rio Iguaçu”. O casal de mantenedores da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Observatório Ornitológico Nascentes do Iguaçu, Carlos Amaral e Elisabeth Gebauer, contou sobre os propósitos, a gestão e os atrativos da reserva, formada e estruturada nos últimos 16 anos na Serra do Mar paranaense.

Ainda no domingo, participamos da passarinhada “Canon na Trilha – Passarinhada Fotográfica”, onde, entre inúmeras aves observadas, conseguimos fotografar um casal de corujinhas-do-mato (Megascops choliba), cuidadosamente encorujadas entre galhos e folhas.


Com um enorme sorriso no rosto, nos despedimos do Avistar Brasil 2026. Foram dias de aprendizado, troca de experiências, palestras, práticas de fotografia de natureza e muitas curiosidades sobre o universo do birdwatching. Um dos momentos mais marcantes foi conhecer pessoalmente pessoas que há muito tempo nos inspiram pelas redes sociais e por seus trabalhos, além de fazer novas amizades.


Eventos como o Avistar Brasil — Encontro Brasileiro de Observação de Aves — mostram que a observação de aves vai muito além da fotografia: trata-se de uma forma de conexão com a natureza, incentivo à conservação ambiental e descoberta de um novo olhar sobre o mundo natural.






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