Cerro Largo • Expedição 2022: Uruguay • Lago Merín • Río Branco • Uruguai
Dia do Motociclista no Uruguai: Assado, Chajá e Hospitalidade em Lago Merín
28 de Julho, 2022
Celebre o Dia do Motociclista durante uma viagem de moto pelo Uruguai e viva uma recepção inesquecível no Balneário de Lago Merín, com assado, chajá e hospitalidade às margens da Lagoa Mirim.
Os três primeiros dias que passamos no balneário de Lago Merín, distrito de Río Branco, no departamento de Cerro Largo, no Uruguai, foram marcados por neblina intensa, frio constante e ventos cortantes. Ainda assim, exploramos a charmosa orla da imensa Lagoa Mirim, aproveitando para saborear alguns mates e experimentar nosso primeiro alfajor artesanal uruguaio. A maior surpresa, porém, estava por vir. Gissel e Javier, nossos anfitriões, organizaram uma verdadeira festa de boas-vindas e convidaram Alvaro, Mery e seus familiares para celebrar conosco. Na noite de 27 de julho, coincidentemente o Dia do Motociclista no Brasil, fomos presenteados com um jantar repleto de boas energias, coroado por um legítimo assado uruguaio e pela clássica sobremesa do país: o chajá.

Na quarta-feira, as ruas tranquilas de Lago Merín amanheceram sob um vento gelado, típico dessa região que se estende às margens da lagoa, uma das maiores da América do Sul, com mais de 3.700 km² de área compartilhada entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Além de sua grandiosidade, a Lagoa Mirim desempenha papel ecológico e econômico fundamental para os dois países.

Buscando abrigo do clima rigoroso, preparamos um reconfortante chá de camomila para aquecer o corpo e o espírito. Para acompanhar, abrimos o pacote das irresistíveis pepas argentinas que havíamos comprado no dia anterior, pequenas rodelas amanteigadas recheadas, geralmente com doce de leite ou geleia de frutas.
Essas delícias foram adquiridas em um dos diversos free shops de Río Branco, cidade fronteiriça ligada ao município gaúcho de Jaguarão pela histórica Ponte Mauá, inaugurada em 1930. A variedade de produtos impressiona, e entre tantas opções, as pepas se destacaram como um daqueles achados simples que tornam a experiência de viagem ainda mais saborosa.

Ao sairmos de casa, ouvimos o chamado carinhoso de Gissel. Ao chegarmos, fomos surpreendidos por uma mesa de café da manhã generosa, repleta de pães frescos, queijos, fiambres (como salames e outros embutidos) e o inigualável doce de leite uruguaio, reconhecido há décadas pela cremosidade e sabor marcante.

Conversamos por um bom tempo com nossa anfitriã, desfrutando da hospitalidade que tanto caracteriza o povo uruguaio. Em seguida, fomos ao mercadinho do bairro comprar frutas, verduras e um chip pré-pago da operadora Antel, recomendada por ela. A aquisição e ativação foram surpreendentemente simples: bastou apresentar o número do passaporte para desbloquear o chip, garantindo um número uruguaio e acesso à internet, algo essencial em viagens de moto.
Para quem planeja visitar Lago Merín ou qualquer cidade do Uruguai, essa praticidade faz toda a diferença. Vale registrar também que, na troca realizada no dia anterior em uma casa de câmbio, a cotação estava em 1 real = 7,65 pesos uruguaios.

Próximo ao meio-dia, retornamos para o almoço. Sayo, sempre criativa mesmo com recursos limitados, preparou um delicioso macarrão sem glúten com atum, salada fresca e queijo uruguaio tipo colônia, produto tradicional da região, de sabor mais intenso e muito apreciado no país. Depois da refeição, desfrutamos de um bom mate em nossa nova cuia térmica Stanley.

Apesar do frio persistente e da neblina densa, caminhamos até a extensa faixa de areia da praia principal de Lago Merín. Sentados à beira d’água, apreciando a paisagem, provamos nosso primeiro alfajor uruguaio artesanal da viagem: simples, mas extremamente saboroso.

Ao anoitecer, recebemos outro convite de Gissel e Javier para jantar em sua casa. Assim que chegamos, fomos recebidos com uma segunda surpresa: uma linda mensagem de boas-vindas decorava o salão, com nossos nomes carinhosamente incluídos na recepção. Um gesto que nos emocionou e tornou o encontro ainda mais especial.

O aroma inconfundível no ar anunciava o prato principal: um autêntico assado uruguaio, preparado lentamente, como manda a tradição. No Uruguai, o assado é mais do que uma refeição, é um ritual social que reúne família e amigos ao redor do fogo, sempre acompanhado de longas conversas.

Pouco depois, chegaram Alvaro e Mery (responsáveis por tornar aquele encontro possível) trazendo uma sobremesa típica uruguaia: o chajá, criado em 1927 na cidade de Paysandú. Essa especialidade combina pão de ló, doce de leite, pêssego, chantilly e merengue, resultando em uma sobremesa leve e irresistível.

Tanto o assado quanto o chajá estavam impecáveis. Nossa singela contribuição para a confraternização foram duas tortinhas preparadas por Sayo em pequenas panelinhas que mais pareciam de brinquedo, utilizando apenas um fogareiro a álcool de acampamento. Uma delas era recheada com brigadeiro; a outra, com banana. Dois sabores bem brasileiros, recebidos com curiosidade e carinho pelos amigos.

Durante o jantar, conhecemos também as filhas e o genro de Gissel, todos motociclistas, além da doce Sofi, filha de Mery. Entre risadas, histórias e sotaques misturados, fomos percebendo o quanto aquele momento era improvável e especial. Era difícil acreditar que, apenas um dia antes, havíamos cruzado a fronteira ao anoitecer em busca de um local para acampar em Lago Merín. Ao pedir informação a um casal até então desconhecido, fomos imediatamente acolhidos e conectados a amigos que nos ofereceram não apenas abrigo, mas uma verdadeira imersão cultural e humana.

Naquela noite, celebramos rodeados de boas energias, saboreando pratos típicos e compartilhando experiências, mesmo com nosso portunhol ainda hesitante. Nada parecia acontecer por acaso, especialmente considerando que o camping onde pretendíamos ficar estava fechado, o que acabou se revelando uma sorte inesperada.

Entre abraços e palavras de gratidão, agradecemos a Alvaro, Mery, Gissel e Javier por toda a generosidade e acolhimento. Para tornar o dia ainda mais simbólico, percebemos que era 27 de julho, data em que se comemora o Dia do Motociclista no Brasil, e que maneira mais especial poderíamos encontrar para celebrar?

Após um jantar que se estendeu até a madrugada, fomos descansar ao som suave da chuva que começava a cair.

Na manhã de quinta-feira, a chuva persistia, acompanhada pelo vento gelado e pela cerração que encobria Lago Merín. Permanecemos dentro de casa durante toda a manhã. Nesse cenário, Sayo preparou um saboroso refogado de batata-doce, cenoura, tomate, alho, cebola, ervas e cogumelos secos (funghi), utilizando apenas o fogareiro a álcool.


À tarde, com o tempo ainda fechado, aproveitamos para organizar nossos pertences, adiantar leituras e editar vídeos gravados ao longo da viagem. No início da Moto Expedição 2022, criamos um canal no YouTube para facilitar as publicações, já que selecionar fotos, redimensioná-las e escrever para o blog demanda bastante tempo. No entanto, rapidamente percebemos que o formato em vídeo não se alinhava ao que desejávamos viver naquele momento e decidimos abandonar a ideia.


Agora, seguimos na expectativa de que o clima melhore e possamos explorar com mais calma tudo o que Lago Merín e seus arredores oferecem. A convivência, a cultura local, a gastronomia e a hospitalidade já tornaram esses dias inesquecíveis, e esperamos continuar descobrindo as belezas desse destino acolhedor no interior do Uruguai.
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