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Viagem de Moto ao Uruguai pela Fronteira de Jaguarão (RS): Documentos Obrigatórios, Dicas e Regras da Aduana
26 de Julho, 2022
Prove os tradicionais doces de Pelotas (RS) e embarque em uma viagem de moto pelos pampas gaúchos até o extremo sul do Brasil. Cruze a Ponte Internacional Barão de Mauá e descubra quais documentos e requisitos são exigidos pela aduana para entrar no Uruguai.
Após um café da manhã reforçado em Pelotas (RS), repleto de doces tradicionais da “Capital Nacional do Doce”, iniciamos nossa viagem de moto pela BR-116 rumo ao extremo sul do Brasil. O percurso de cerca de 150 km até Jaguarão (RS) revelou as paisagens típicas dos pampas gaúchos e nos conduziu ao centro da cidade fronteiriça, onde abastecemos a Formosa antes de cruzar a histórica Ponte Internacional Barão de Mauá. Já em território uruguaio, após os trâmites de entrada em Río Branco, seguimos viagem embalados por um pôr do sol inesquecível até Lago Merín, onde a famosa hospitalidade uruguaia se confirmou e nos presenteou com novos e valiosos amigos.

Despertamos nas primeiras horas da terça-feira em Pelotas (RS), onde aproveitamos toda a comodidade do apartamento locado para preparar um café da manhã especial e digno de uma boa despedida da cidade. O aroma do café, preparado em uma fusão entre o estilo cambona e o tradicional café turco, ganhou um toque especial com cardamomos frescos.

Para acompanhar, degustamos os irresistíveis cookies integrais de banana, aveia, nozes-pecan e cacau, cuidadosamente preparados pela Sayo, que harmonizaram perfeitamente com o clima frio daquela manhã típica do sul gaúcho. Além disso, completaram nosso banquete iogurte natural, bananas frescas, mel, própolis verde e, como não poderia faltar na “Capital Nacional do Doce”, alguns dos renomados doces tradicionais de Pelotas, que havíamos adquirido no dia anterior, incapazes de resistir à tentação assim que chegamos à cidade.

Pelotas, no Rio Grande do Sul, possui uma história profundamente ligada às charqueadas, que impulsionaram a economia local no século XIX e transformaram a cidade em um dos principais polos produtores de charque do Brasil. Durante o auge desse ciclo econômico, entre as décadas de 1860 e 1870, o charque pelotense abastecia diversas regiões do país, especialmente o Nordeste.

Curiosamente, os navios que traziam mercadorias ao Porto de Pelotas traziam também abundante açúcar nordestino, insumo fundamental para o surgimento da famosa tradição doceira local. Naquela época, as claras dos ovos eram utilizadas para engomar roupas, e as gemas, antes descartadas, passaram a ser aproveitadas na criação dos doces finos, origem de receitas como fios de ovos, quindins e demais iguarias que, até hoje, dão identidade à cidade.


Com forte influência portuguesa e francesa, Pelotas (RS) consolidou-se como referência nacional em confeitaria, conquista reforçada pela criação, em 1986, da Fenadoce – a Feira Nacional do Doce. O evento celebra anualmente a tradição artesanal da cidade e atrai visitantes de todo o país em busca dos doces finos que se tornaram símbolo regional. Esses produtos, feitos majoritariamente com o açúcar que chegava do Nordeste e com as gemas abundantes nas charqueadas, ajudaram Pelotas a conquistar um lugar de destaque no cenário gastronômico brasileiro. Não à toa, a cidade é conhecida como “Capital Nacional do Doce” e também como “Princesa do Sul”, apelidos que reforçam sua importância histórica e cultural.

Nossa primeira visita a Pelotas ocorreu em 2017, quando exploramos o rico centro histórico, visitamos algumas charqueadas e degustamos os tradicionais doces finos, aprofundando nossa compreensão sobre sua relevância cultural. Todas essas experiências estão registradas aqui no blog, em uma postagem dedicada à cidade.

Com essas lembranças em mente e após saborearmos nosso reforçado café da manhã, carregamos nossos equipamentos na moto, vestimos os trajes de viagem e, em meio a uma densa neblina acompanhada por um vento forte e gelado, nos despedimos de Pelotas pela rodovia nacional BR-116, rumo ao extremo sul.

A BR-116, uma das rodovias mais extensas e importantes do Brasil, possui aproximadamente 4.500 km de extensão e conecta o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, atravessando diversos biomas e regiões culturais do país. Sua construção, iniciada em 1954, fez parte de um grande esforço nacional de modernização das vias de transporte.

Nas proximidades de Pelotas, a rodovia (em excelente estado de conservação e com isenção de pedágio para motocicletas) revela paisagens típicas dos pampas gaúchos, formadas por vastas áreas de pastagem, criações de gado, campos abertos e arroios que compõem o cenário rural característico dessa região fronteiriça com o Uruguai.

Enquanto avançávamos entre as longas retas da BR-116, cercadas pela vegetação abundante em contraste com o céu que começava a se abrir, percebemos que o azul despontava entre as nuvens e, pouco a pouco, o calor substituía o frio inicial da manhã.


Próximo ao meio-dia, tentamos encontrar uma árvore que oferecesse sombra suficiente para o almoço, o que não é uma tarefa simples nos pampas, onde as árvores se tornam raras na imensidão dos campos. Depois de alguns minutos (que mais pareciam horas) encontramos finalmente uma sombra acolhedora na entrada de uma estrada de terra, proporcionando o abrigo perfeito para uma pausa necessária.


Paramos a Formosa ali mesmo e aproveitamos o momento para degustar algumas bananas e cookies, acompanhados por um chá quente e reconfortante.


Alimentados e revigorados, retomamos a viagem de moto pela rodovia federal, que em determinados trechos torna-se monótona devido às longas retas e ao baixo fluxo de veículos, característica comum das estradas que conduzem ao extremo sul do país.


Depois de cruzar o pequeno Arroio Bretanha, chegamos ao município de Jaguarão (RS), o último município brasileiro antes da divisa com a República Oriental do Uruguai.



Jaguarão (RS), com aproximadamente 25 mil habitantes, é conhecido pelo seu clima de extremos e pela forte presença da cultura fronteiriça. Uma curiosidade marcante é que o município registrou uma das maiores temperaturas da história do Rio Grande do Sul: impressionantes 42,6 °C em 1º de janeiro de 1943, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Por outro lado, não é raro que, durante o inverno, a região registre temperaturas negativas, evidenciando o rigor climático típico dessa faixa sul do estado.


Chegamos ao centro da cidade exatamente às 13h30 e, antes de qualquer outra providência, paramos para abastecer a Formosa, que já rodava com a luz da reserva acesa havia alguns quilômetros.

O posto escolhido está localizado no fim da BR-116, a menos de 300 metros da histórica Ponte Internacional Barão de Mauá, estrutura que conecta Jaguarão (Brasil) a Río Branco (Uruguai). Construída entre 1927 e 1930, após um tratado assinado entre os dois países em 1918, a ponte possui 2.113 metros de extensão e está situada sobre o Rio Jaguarão.


Seu projeto inclui uma via férrea central com duas bitolas, ladeada por duas pistas para veículos e uma calçada para pedestres. A Ponte Internacional Barão de Mauá tem grande relevância cultural, sendo o primeiro bem binacional tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, também, o primeiro patrimônio cultural oficialmente reconhecido pelo Mercosul.



Com a moto abastecida, demos algumas voltas pelo centro de Jaguarão em busca da Polícia Federal para esclarecer se havia necessidade de informar nossa saída do território brasileiro antes de cruzarmos a fronteira.


Ao chegarmos à sede da PF, situada nas proximidades da entrada da cidade, fomos informados de que não há necessidade de registro de saída para quem atravessa por ali. Com isso, seguimos tranquilos em direção ao Uruguai para finalmente cruzar a fronteira.

Após atravessarmos a Puente Internacional Barón de Mauá, que conecta Jaguarão (RS) a Río Branco (Cerro Largo, Uruguai), fizemos uma parada ao longo da movimentada Ruta 26 para trocar reais por pesos uruguaios em uma das diversas casas de câmbio que dividem espaço com vários free shops da região. Com os bolsos abastecidos de pesos uruguaios, seguimos até o cassino a aduana, localizada nos fundos do Río Branco Shopping, onde também está o famoso Panda Free Shop, bastante conhecido entre viajantes que cruzam a fronteira.


Na noite anterior, havíamos consultado o site oficial do governo uruguaio para garantir todas as informações necessárias ao ingresso no país. Preenchemos a declaração juramentada exigida, informando cidade de entrada, data e dados pessoais, além de verificar a documentação obrigatória: passaporte ou cédula de identidade, documento do veículo em nome do condutor (ou autorização, caso contrário), carta verde e seguro de saúde internacional.


Documentos Obrigatórios para Entrar no Uruguai: Regras da Aduana, Dicas e Requisitos para Viajar de Moto
Descubra como é fácil e rápido ingressar na República Oriental do Uruguai, seja por via aérea, marítima ou terrestre. Conheça os documentos essenciais que os brasileiros precisam para explorar as belezas uruguaias.
Documentos Pessoais
Antes de iniciar sua viagem, certifique-se de ter em mãos os seguintes documentos pessoais:
- RG em boas condições ou passaporte válido por pelo menos 6 meses.
- CNH original vigente, se desejar conduzir algum veículo no país vizinho.
Atenção: Carteira de identidade antiga ou em mau estado pode não ser aceita pelas autoridades uruguaias de migração.
Dica: Não é necessário possuir a PID (Permissão Internacional para Dirigir) para dirigir pelo Uruguai.
Atualização Importante: A partir de 16 de fevereiro de 2023, não é mais necessário apresentar certificado de vacinação ou resultados de testes para doenças recentemente prevalentes.
Atualização Importante: A partir de 16 de junho de 2023, estrangeiros entrando no país por qualquer meio não precisam mais de plano de saúde ou seguro médico, e a declaração juramentada de entrada no Uruguai não é mais necessária.
Documentos do Veículo
Para entrar no Uruguai de carro, motorhome ou moto com placas do Brasil, são exigidos os seguintes documentos:
- Documento original do veículo (CRLV).
- Seguro Carta Verde válido.
Atenção: Tolerância zero para consumo de bebidas alcoólicas associado à direção de veículos.
Importante: Faróis baixos acesos, dia e noite, são obrigatórios tanto nas cidades quanto nas estradas uruguaias.
Importante: Uso de capacete é obrigatório ao andar de moto (piloto e garupa).
Dica: Para veículos registrados em nome de outra pessoa, providencie uma autorização impressa, contendo todos os detalhes, assinada e com firma reconhecida em cartório.
Dica: Veículos financiados exigem apresentação de carta de autorização emitida pelo banco ou financeira.
Saída Oficial do Uruguai
Ao concluir sua estadia na encantadora República Oriental do Uruguai, é crucial realizar o procedimento de saída tanto para você quanto para o seu veículo. Este passo, muitas vezes negligenciado, é tão importante quanto o registro de entrada. O processo de saída é ágil e eficiente, realizado ainda em território uruguaio.
Contato com as Autoridades Uruguaias
Ficou com alguma dúvida ou precisa de mais informações? Entre em contato com as autoridades uruguaias:
- E-mail: dnm-consultas@minterior.gub.uy
- Telefone: +598 2030 1800
- E-mail Alternativo: info@atencionalaciudadania.gub.uy
- Telefone Gratuito: 0800 INFO (4636) *463 para celulares ANTEL.
Web Story
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Entretanto, ao chegarmos à aduana, solicitaram apenas a declaração juramentada, o passaporte e o documento da moto. O processo foi rápido e eficiente: um carimbo no passaporte e estávamos oficialmente autorizados a permanecer por até 90 dias na República Oriental do Uruguai. Arriba, Uruguay!

Ainda próximos ao Río Branco Shopping, conversamos com várias pessoas em busca de recomendações sobre um camping onde pudéssemos iniciar nossa viagem pelo Uruguai acampando.


Fomos então orientados a seguir para o camping municipal de Lago Merín, distrito de Río Branco localizado cerca de 20 quilômetros do centro. Com o fim da tarde se anunciando, partimos rumo ao balneário. No caminho, fomos presenteados com um pôr do sol absolutamente espetacular, daqueles que fazem qualquer viajante parar.


E foi exatamente o que fizemos: estacionamos à beira da estrada para contemplar e fotografar o espetáculo natural que tingia o céu uruguaio com tons vibrantes de laranja e dourado.



Com a noite se aproximando e a temperatura caindo rapidamente, chegamos a Lago Merín e seguimos pela estrada até seu ponto final, exatamente na orla do lago que dá nome ao distrito. Ali encontramos um simpático casal, Alvaro e Mery, que caminhava tranquilamente pela orla. Perguntamos sobre o camping municipal e, prontamente, eles telefonaram para o local e confirmaram que o camping estava fechado devido ao inverno, período de baixa temporada no balneário. Diante do frio crescente e da falta de opção para acampar, os dois não hesitaram em nos ajudar.


Alvaro e Mery tentaram contato com algumas pessoas até conseguirem falar com Gissel, uma motociclista local que possui casas para locação durante a alta temporada. Sem hesitar, Gissel colocou uma de suas casas à nossa disposição (gratuitamente) para que pudéssemos nos abrigar, descansar e aproveitar Lago Merín com tranquilidade.


A hospitalidade uruguaia, famosa entre viajantes, mostrou ali seu valor mais genuíno. Para se ter uma ideia da movimentação no verão, Lago Merín, que possui cerca de 2.000 moradores, pode receber até 10.000 visitantes na alta temporada, atraídos por suas praias de água doce e ambiente familiar.


Instalados na casa de Gissel e seu companheiro Javier, tratamos logo de tomar um banho quente, já que a neblina densa e o vento frio anunciavam uma noite gelada típica do inverno uruguaio. Na sequência, a Sayo preparou o jantar (uma omelete de atum, tomate e ervas) e nos aquecemos com um chá de camomila antes de nos acomodarmos nos colchões infláveis, bem protegidos dentro dos sacos de dormir. A expectativa para o dia seguinte era grande: pretendíamos explorar Lago Merín com calma e descobrir mais sobre esse lugar que, mesmo no inverno, já nos havia encantado pela simplicidade e recepção calorosa dos moradores.


Antes de encerrarmos a terça-feira, registramos nossa gratidão aos novos amigos uruguaios que tornaram nossa chegada tão especial: Alvaro, Mery, Gissel y Javier. Muchas gracias, amigos!

Acima o mapa com o trajeto percorrido no dia entre Pelotas (RS, Brasil) e Lago Merín (Cerro Largo, Uruguai).

Oba! Já são 4 comentários nesta postagem!
Valeu, obrigado !
;)
Na minha cabeça, pensava que vocês teriam entrado no Uruguai pelo Chuí (471) e não por Jaguarão ….. queremos (um certo dia) ser apresentados às guloseimas de Pelotas/RS, já passamos por fora desta cidade indo pernoitar no Rio Grande, depois seguimos para Bagé, Santa Maria ….
Muito bonito o pórtico na ponte + o amarelo do Astro Rei.
Aproveito e pergunto: com um tanque que comporta quase 20 litros, quantos km/l faz a Formosa na estrada ?
Abraço !
Olá Fernando!
Nossa primeira entrada no Uruguai durante a Expedição 2022: Uruguay foi, de fato, pela charmosa fronteira de Jaguarão / Río Branco. No entanto, ao longo dessa jornada tivemos a oportunidade de cruzar diversas vezes entre Brasil e Uruguai, explorando diferentes passagens, incluindo a pitoresca cidade de Chuí.
Pelotas – RS é, definitivamente, um tesouro em termos de cultura e gastronomia. Em 2017, tivemos o prazer de nos deliciar com os famosos doces de Pelotas (e nesta feita pudemos repetir a dose), uma experiência que vai além do paladar, envolvendo história e tradição. A cidade, com seu centro histórico preservado, as tradicionais charqueadas e a encantadora Praia do Laranjal, nos proporcionou dias inesquecíveis.
Quanto à sua curiosidade sobre a nossa fiel companheira de viagem, a Formosa: ela possui um tanque com capacidade para 18,9 litros de gasolina. Quando estamos na estrada, especialmente carregados e com garupa, ela apresenta uma média de consumo de 18 km/l. Isso nos dá uma autonomia de cerca de 340 quilômetros por tanque, permitindo longas jornadas sem preocupações frequentes com reabastecimento.
Esperamos ter esclarecido suas dúvidas.
Muito obrigado por sempre nos acompanhar através do blog e interagir com comentários.
Um forte abraço e até a próxima ;)
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