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Trilha da Lagoinha do Leste via Pântano do Sul, Morro da Coroa e a Icônica Pedra do Surfista em Florianópolis (SC)
4 de Junho, 2021
Explore a Trilha da Lagoinha do Leste e descubra uma das praias mais preservadas de Florianópolis (SC). Depois, siga ao topo do Morro da Coroa, um dos mirantes mais emblemáticos da Ilha da Magia, e visite a Pedra Suspensa, a famosa Pedra do Surfista.
Dedicamos a sexta-feira a explorar uma das trilhas ecológicas mais impressionantes de Florianópolis (SC): a Trilha da Lagoinha do Leste, partindo do Pântano do Sul. O percurso leva a uma das praias mais isoladas e preservadas da ilha, famosa por sua areia clara, mar cristalino e pela lagoa de água doce que forma o cenário perfeito para descanso após a caminhada. Depois de recarregar as energias nesse paraíso praticamente intocado, seguimos para a Trilha do Morro da Coroa, uma subida íngreme que revela um dos mirantes naturais mais emblemáticos da Ilha da Magia. Lá do alto, além do visual panorâmico que impressiona qualquer visitante, tivemos a chance de conhecer de perto a icônica Pedra Suspensa, também chamada de Pedra do Surfista, uma das formações rochosas mais fotografadas e desafiadoras de Floripa.

Despertamos entusiasmados nas primeiras horas da manhã de sexta-feira na Ilha da Magia, em Florianópolis (Santa Catarina), com um objetivo claro: explorar a fascinante Trilha da Lagoinha do Leste, partindo do Pântano do Sul, alcançar o cume do Morro da Coroa e conhecer a emblemática Pedra do Surfista.

Assim que os primeiros raios de sol iluminaram o dia, deixamos o hotel a bordo da Formosa, nossa companheira de viagem. Seguimos pelas ruas centrais da capital catarinense, envolvidos pela atmosfera acolhedora e vibrante que faz de Florianópolis um dos destinos mais marcantes do Brasil.

Durante o trajeto, passamos ao lado da imponente Ponte Hercílio Luz, o maior cartão-postal da cidade e uma das pontes pênseis mais antigas do país. A vontade de atravessá-la sobre duas rodas era grande, mas, como o tráfego de motocicletas é proibido, contentamo-nos em admirar sua grandiosidade enquanto seguíamos rumo ao sul da ilha.

Inaugurada em 1926, a Ponte Hercílio Luz é um marco da engenharia nacional, com 821 metros de extensão. Por décadas, foi a única ligação terrestre entre a Ilha de Santa Catarina e o continente, desempenhando papel crucial no desenvolvimento urbano, econômico e social da região.

Em 1982, após inspeções apontarem falhas estruturais, a ponte foi interditada. Ela chegou a ser parcialmente reaberta entre 1988 e 1991 para pedestres, ciclistas, motociclistas e veículos de tração animal, mas acabou fechada novamente, permanecendo inacessível por quase 30 anos.

Após um processo minucioso de restauração, a Ponte Hercílio Luz foi reaberta em 30 de dezembro de 2019, marcando um momento histórico para Florianópolis e devolvendo à cidade um de seus símbolos mais importantes.

Com os termômetros marcando agradáveis 19 °C e o sol surgindo timidamente entre as nuvens, observamos a cidade despertar. A rotina urbana ganhava ritmo enquanto seguíamos ao extremo sul da ilha, ansiosos pela trilha que nos aguardava.

Muito antes da chegada dos europeus, a Ilha de Santa Catarina já era habitada há milhares de anos por povos indígenas que deixaram registros notáveis, como os sambaquis, montes de conchas, ossos e artefatos construídos por grupos pré-históricos. Esses sítios arqueológicos, encontrados em diversas áreas da ilha, indicam ocupação humana desde cerca de 4.800 a.C., revelando uma convivência profunda com o mar e os recursos naturais da região.

Quando os navegadores europeus passaram pelo litoral catarinense no início do século XVI, a ilha era habitada pelos Carijós, povo do tronco Tupi-Guarani. Dedicados à agricultura, pesca e coleta de moluscos, chamavam o local de Meiembipe, expressão que significa “montanha próxima ao mar”, nome que descrevia com precisão o relevo recortado por morros cobertos de Mata Atlântica à beira do oceano.

A posição estratégica de Meiembipe favorecia também as expedições marítimas, que ali faziam paradas para se abastecer de água potável e madeira de qualidade usada em reparos de embarcações antes de seguir rumo ao Rio da Prata, um dos principais destinos comerciais do período colonial.


Acredita-se que o nome Ilha de Santa Catarina tenha sido registrado pela primeira vez em 1526 pelo navegador veneziano Sebastião Caboto, possivelmente em homenagem a Santa Catarina de Alexandria ou, segundo outras versões, à sua esposa, Catarina Medrano. Mais de um século depois, em 1673, o bandeirante paulista Francisco Dias Velho, considerado o fundador de Florianópolis, desembarcou na ilha justamente no dia dedicado à santa.


A partir de então, ele iniciou a formação do povoado de Nossa Senhora do Desterro, um dos primeiros núcleos permanentes de colonização no litoral catarinense. Em 1737, reconhecendo o valor estratégico da ilha, a Coroa Portuguesa construiu um sistema defensivo formado por fortalezas como Santa Cruz de Anhatomirim, São José da Ponta Grossa e Santo Antônio de Ratones.


Essas fortificações protegiam a entrada da Baía Norte contra invasões estrangeiras, especialmente de espanhóis e corsários. Graças à sua posição privilegiada, a Ilha de Santa Catarina tornou-se um importante posto de vigilância e defesa do sul do Brasil colonial.


Durante o século XVIII, a região recebeu grande influência da colonização açoriana. Milhares de famílias vindas dos Açores foram enviadas pela Coroa Portuguesa para povoar o litoral catarinense, impulsionando a agricultura, a pesca e as tradições culturais que moldam até hoje a identidade local. Foi nesse período que surgiram práticas como a confecção de rendas de bilro, a produção da farinha de mandioca e a culinária baseada em frutos do mar, marcas registradas da cultura ilhoa.


No século seguinte, Nossa Senhora do Desterro foi elevada à categoria de cidade em 1823, tornando-se a capital da Província de Santa Catarina. Com a nova posição administrativa vieram melhorias no porto, obras urbanas e um período de prosperidade econômica, especialmente após a visita do Imperador Dom Pedro II em 1845. No entanto, com a Proclamação da República em 1889, o cenário político se transformou, e a cidade passou por tensões entre monarquistas e republicanos.


Após a Revolução Federalista (1893–1895), o então governador Hercílio Luz rebatizou o município como Florianópolis, em homenagem ao presidente Floriano Peixoto, nome que, apesar da controvérsia à época, permanece até hoje como marca da capital catarinense.


Ao longo do século XX, Florianópolis passou por intensas transformações. A cidade expandiu sua infraestrutura, recebeu investimentos federais e diversificou sua economia, que hoje tem como pilares o turismo, a tecnologia e os serviços. Atualmente, com cerca de 540 mil habitantes, a capital catarinense é reconhecida nacional e internacionalmente pela qualidade de vida, pelas belezas naturais e por abrigar um dos principais polos de inovação tecnológica do país.


Assim, a Ilha de Santa Catarina combina milhares de anos de história (dos povos sambaquieiros e carijós aos imigrantes açorianos) com o dinamismo de uma metrópole moderna e sustentável. Um cenário em que natureza, cultura e desenvolvimento se entrelaçam, tornando Florianópolis (SC) um destino singular que encanta tanto por sua beleza quanto por sua rica herança histórica.


Florianópolis é um verdadeiro tesouro natural, com mais de 100 praias, muitas delas acessíveis apenas por trilhas ou barco. Esses refúgios preservados proporcionam experiências únicas de contato direto com a natureza, entre paisagens que misturam mar, montanha e Mata Atlântica. Tivemos o privilégio de viver cerca de quatro anos em Floripa e, mesmo assim, esse tempo não bastou para explorar todas as suas maravilhas.


Cada retorno à Ilha da Magia é uma nova oportunidade de descobrir cantos escondidos, trilhas deslumbrantes e praias quase intocadas.


Foi com esse espírito explorador que seguimos até a Praia do Pântano do Sul, onde deixamos a Formosa em um estacionamento e iniciamos nossa caminhada pela Trilha da Lagoinha do Leste, um dos percursos mais belos e emblemáticos de Florianópolis (SC). Conhecida por sua natureza exuberante e paisagens marcantes, a trilha é uma experiência imperdível para quem busca aventura e contato direto com o meio ambiente.


Trilha da Lagoinha do Leste via Pântano do Sul
Prepare-se para uma aventura inesquecível na Trilha da Lagoinha do Leste, iniciando no Pântano do Sul. Este percurso é uma verdadeira imersão na fabulosa Mata Atlântica, revelando uma biodiversidade incrível de flora e fauna. Ao longo do caminho, a natureza se desdobra em espetáculos visuais, culminando na exuberante Praia da Lagoinha do Leste, um paraíso que aguarda ao final da trilha.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Trilha da Lagoinha do Leste partindo do centro de Florianópolis – Santa Catarina – Brasil:
Contatos da Trilha da Lagoinha do Leste
- Endereço: Rua Manoel Pedro Oliveira, 36 – Pântano do Sul | Florianópolis – Santa Catarina – Brasil
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: da 00h às 24h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Informações da Trilha
Extensão, tempo e nível de dificuldade da trilha:
- Percurso: A trilha possui uma extensão de 2.200 metros (somente ida).
- Duração: A média de tempo para completar a trilha é de 1 hora (somente ida).
- Nível de Dificuldade: O nível de dificuldade varia de leve a moderado.
Web Story
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O ponto de partida da Trilha da Lagoinha do Leste, via Pântano do Sul, fica no alto da Rua Manoel Pedro Oliveira. Bem sinalizado e de fácil acesso, o local marca o início oficial dessa aventura pela Mata Atlântica.


Logo após cruzar o portal que indica o início da trilha, adentramos o Parque Municipal da Lagoinha do Leste, criado em 1992. Essa área de conservação ambiental protege cerca de 453 hectares de Mata Atlântica, abrigando inúmeras espécies de fauna e flora, algumas endêmicas. O parque é considerado um dos últimos redutos bem preservados desse bioma em Florianópolis, o que reforça sua importância ecológica.


A Trilha da Lagoinha do Leste, via Pântano do Sul, tem aproximadamente 2,3 km de extensão, apresentando trechos íngremes, áreas sombreadas e vegetação densa. Classificada como de dificuldade moderada, costuma ser percorrida em 45 a 90 minutos, dependendo do ritmo do caminhante e das condições climáticas. O percurso alterna mata fechada, subidas exigentes e mirantes naturais que revelam o mar e o vilarejo do Pântano do Sul.



Caminhamos sob a sombra das árvores nativas, embalados pelo canto das gralhas-azuis, aves típicas do sul do Brasil e associadas à regeneração da araucária, pois ajudam a dispersar suas sementes. O som constante da mata, a brisa leve e o aroma da vegetação criavam um ambiente agradável que tornava a caminhada ainda mais prazerosa.



A Trilha da Lagoinha do Leste é bem demarcada e segue por trechos com subidas e descidas que exigem preparo moderado. Aos poucos, a vegetação se abre e o som do mar começa a se misturar ao canto dos pássaros, até que surge, de repente, a primeira visão do Oceano Atlântico, um momento que recompensa cada passo.



Após cerca de uma hora de caminhada, alcançamos nosso destino: a deslumbrante Praia da Lagoinha do Leste. Pisar na areia fina e clara, cercados por uma paisagem praticamente intocada, foi uma experiência de pura gratidão.



Com aproximadamente 1,2 km de extensão, a Lagoinha do Leste é uma das praias mais isoladas e selvagens de Florianópolis (SC). Suas ondas fortes e águas cristalinas formam um cenário digno de cartão-postal, emoldurado por costões e pela vegetação nativa que reforça o caráter preservado do lugar.



A praia recebeu esse nome por conta da pequena lagoa de água doce situada em seu extremo leste, alimentada por nascentes e pela drenagem natural da encosta. Cercada por juncos e vegetação de restinga, a lagoa é um refúgio de tranquilidade e um dos locais favoritos para banho após a caminhada.



A atmosfera tranquila da Lagoinha do Leste é cativante. Encontramos um banco sob a sombra de um bar fechado e ali permanecemos por alguns minutos, apenas observando o mar e ouvindo o som das ondas. Um momento simples que traduz a essência do lugar: paz, natureza e contemplação.



Na praia, há três quiosques que servem lanches e bebidas (dois estavam em funcionamento durante nossa visita). Também observamos embarcações de moradores oferecendo o serviço de travessia marítima até o Pântano do Sul, uma excelente alternativa para quem deseja evitar o retorno pela trilha ou aproveitar um passeio diferente pela costa.



É importante lembrar que esses serviços, tanto os quiosques quanto as embarcações, são mais frequentes na alta temporada e em feriados prolongados, quando o fluxo de visitantes aumenta.



Após um descanso merecido, saboreamos um lanche e um tereré gelado para recarregar as energias.



A próxima etapa de nossa aventura na Lagoinha do Leste estava prestes a começar: a subida até o Morro da Coroa, um trajeto mais curto, porém íngreme, que oferece uma das vistas mais impressionantes de toda a ilha.


Trilha do Morro da Coroa e Pedra do Surfista
A Trilha do Morro da Coroa é uma rota desafiadora que se entrelaça pelo costão rochoso, oferecendo aos aventureiros uma experiência única. Aqueles que alcançam o cume são recompensados com uma das vistas mais estonteantes de Florianópolis, um verdadeiro prêmio para o esforço da subida.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Trilha do Morro da Coroa partindo do centro de São Paulo – São Paulo – Brasil:
Contatos da Trilha do Morro da Coroa
- Endereço: Costão direito da Praia da Lagoinha do Leste | Florianópolis – Santa Catarina – Brasil
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: da 00h às 24h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Informações da Trilha
Extensão, tempo e nível de dificuldade da trilha:
- Percurso: A trilha possui uma extensão de 1.000 metros (somente ida).
- Duração: A média de tempo para completar a trilha é de 1 hora (somente ida).
- Nível de Dificuldade: O nível de dificuldade varia de moderado a severo.


A Trilha do Morro da Coroa tem início no costão direito da Praia da Lagoinha do Leste. Para orientar os aventureiros, há placas indicativas que facilitam o acesso ao caminho que leva ao topo do morro, uma das caminhadas mais belas e recompensadoras da Ilha da Magia.



Logo nos primeiros passos, com o caminho claramente demarcado, somos presenteados com uma nova perspectiva da praia. A vista panorâmica revela a beleza singular da Lagoinha do Leste, um cenário preservado cercado pela Mata Atlântica. Esse primeiro vislumbre já antecipa o que está por vir: paisagens exuberantes e uma trilha que combina desafio, contemplação e conexão direta com a natureza.



À medida que avançamos, atravessamos uma área de vegetação rasteira mais densa, onde os gravatás se destacam no cenário. Essa parte exige atenção redobrada, pois as folhas pontiagudas dessas bromélias podem causar pequenos arranhões. Caminhar com cuidado permite observar de perto a flora característica da região costeira catarinense, onde bromélias, samambaias e arbustos adaptados ao solo arenoso se misturam em perfeita harmonia.



Antes de retomarmos o percurso principal em direção ao topo do Morro da Coroa, desviamos brevemente nossa rota, atraídos pelas formações rochosas que margeiam o costão.



Essa rápida incursão revelou esculturas naturais moldadas pelo tempo, pela força do vento e pela ação constante das ondas. As rochas contrastam com o verde intenso da vegetação e o azul profundo do mar, compondo uma paisagem de rara beleza que simboliza bem a essência de Floripa.



Após essa breve exploração, retornamos à trilha principal, prontos para enfrentar a parte mais exigente da caminhada: a subida até o cume do Morro da Coroa.



À medida que ganhamos altitude, a vegetação se torna menos densa e o terreno, mais pedregoso. Muitas das pedras estão soltas, exigindo passos firmes e atenção constante para manter o equilíbrio e garantir segurança durante a subida.



Durante a ascensão, encontramos algumas bifurcações, mas logo percebemos que todas conduzem ao mesmo destino: o topo do morro.



Como era nossa primeira visita, escolhemos seguir pela trilha mais evidente e frequentada, acompanhando também algumas pessoas à frente. Isso nos deu mais confiança para avançar sem receios.



A inclinação acentuada exigia pausas estratégicas. Esses momentos de descanso eram ideais para contemplar a paisagem, que se ampliava a cada parada, revelando a praia, o mar, a lagoa e as encostas cobertas pela vegetação nativa.



Por volta da metade do caminho, fomos surpreendidos por fortes rajadas de vento, comuns nas encostas litorâneas de Florianópolis (SC).




O clima na região é bastante variável, e os ventos vindos do Atlântico mudam de direção e intensidade com frequência. Essas rajadas, às vezes suaves e outras vigorosas, adicionaram um toque de adrenalina à subida e tornaram o trajeto ainda mais marcante.




Durante uma dessas rajadas, vivi uma cena curiosa: meu boné foi arrancado pela força do vento e saiu planando em direção ao mar, um momento tão inesperado quanto divertido (côza mash linda!).




Após alguns instantes de busca, finalmente consegui recuperá-lo. Seguimos em frente sob o brilho da lua que começava a surgir no horizonte.



Cada passo nos aproximava do topo do Morro da Coroa, e o trecho final exigia esforço redobrado.



A subida tornou-se mais íngreme e repleta de grandes rochas, exigindo o uso das mãos para apoiar o corpo. Foi necessário um pouco de “escalaminhada”, o que deixou a aventura ainda mais empolgante.



Ao alcançar o cume do Morro da Coroa, a vista recompensou cada gota de suor. A cerca de 230 metros de altitude, o panorama é espetacular: a Praia da Lagoinha do Leste se estende por toda sua extensão, a lagoa serpenteia entre a vegetação, e o mar azul se perde no horizonte.



Ao redor, a cadeia de morros cobertos pela Mata Atlântica completa o cenário.



As formações rochosas do topo do Morro da Coroa, pontiagudas e imponentes, compõem um verdadeiro cartão-postal. Moldadas pela ação do vento e da chuva ao longo de milhares de anos, elas se erguem como guardiãs naturais da região.



Entre as rochas, existem pontos perfeitos para sentar e apreciar o visual, um convite à contemplação silenciosa.



A paisagem da Lagoinha do Leste é singular. A lagoa de água doce, alimentada por nascentes que descem dos morros, corre até quase tocar o oceano, separada dele apenas por uma estreita faixa de areia.



Em determinados períodos do ano, quando o nível da água sobe, a lagoa se conecta temporariamente ao mar, um fenômeno natural raro e impactante, que altera momentaneamente a coloração e a salinidade da água.



Além da beleza presente, o Morro da Coroa e a região da Lagoinha do Leste possuem uma rica história geológica. As rochas do topo integram formações que datam de centenas de milhões de anos, quando a atual costa brasileira era moldada por intensos processos tectônicos.



Grande parte dessas rochas pertence ao chamado Complexo Granítico Florianopolitano, um conjunto resistente que sobreviveu a erosões severas ao longo das eras. Caminhar ali é, de certa forma, pisar sobre testemunhos da formação geológica do sul do Brasil.



No cume do Morro da Coroa, encontramos um canto tranquilo, onde o vento soprava forte, mas constante. Sentamos, saboreamos nossos sanduíches e curtimos o momento, acompanhados pelas tradicionais “bananas da vitória” e pelo tereré, companheiro indispensável de trilha.



O som do vento misturado ao canto dos pássaros criava uma sinfonia natural difícil de descrever.



A energia do lugar é única. A combinação entre o isolamento, a força dos elementos e a beleza ao redor gera uma sensação de plenitude difícil de encontrar em outros lugares.



Permanecemos ali por um tempo que pareceu indefinido, apenas observando, sentindo e nos beneficnando do ambiente.



O isolamento característico da Lagoinha do Leste também carrega uma história recente. Até meados da década de 1970, a região era praticamente desconhecida pela maior parte dos moradores da ilha, frequentada apenas por pescadores, surfistas e alguns poucos aventureiros.



Foi somente com o aumento do montanhismo e do ecoturismo em Florianópolis, já nos anos 1980, que a trilha ganhou notoriedade. Hoje, ela é considerada uma das trilhas urbanas mais icônicas do Brasil, embora ainda preserve o ar selvagem que encanta visitantes.



De volta ao ponto mais alto, onde as rochas formam a silhueta que inspirou o nome “Morro da Coroa”, tiramos várias fotos.



Entre as formações, destaca-se a Pedra Suspensa (ou Pedra do Surfista), uma rocha impressionantemente equilibrada à beira do penhasco.



É um dos pontos mais famosos entre aventureiros e fotógrafos que visitam Florianópolis e um símbolo do espírito ousado da ilha.



Em meio à diversão, fizemos uma aposta em tom de brincadeira, e Sayo foi a vencedora, a escolhida para se aventurar até a extremidade da Pedra Suspensa (Pedra do Surfista).



Com coragem e espírito aventureiro, ela avançou com cuidado e se posicionou na ponta da rocha, que, embalada pelo vento, parecia flutuar sobre o abismo. A cena era literalmente de tirar o fôlego: Sayo equilibrada sobre a pedra, tendo ao fundo um cenário que unia céu, mar e montanhas.



O momento foi de pura adrenalina e beleza, a essência da aventura capturada em um único instante.



Com o coração cheio e a memória repleta de imagens inesquecíveis, chegou o momento de iniciar a descida.



Existe uma trilha alternativa que segue cerca de 1 km por dentro da mata, conectando o topo do Morro da Coroa à trilha principal entre o Pântano do Sul e a Lagoinha do Leste. Essa opção é menos íngreme e evita o terreno pedregoso, mas exige atenção, já que o caminho é mais fechado e pouco sinalizado.



Ainda assim, optamos por retornar pelo mesmo trajeto da subida. A familiaridade do caminho trouxe segurança e a descida, embora exigente para os joelhos, ofereceu novas perspectivas da paisagem. Escolhemos um trecho ligeiramente mais longo, porém menos íngreme, o que tornou o retorno mais confortável. Em cerca de 45 minutos, estávamos novamente na areia da Praia da Lagoinha do Leste.



Ao chegar, FredLee, exausto, deitou-se na areia macia da Lagoinha do Leste, um gesto espontâneo de alívio e satisfação. Celebramos o feito com água de coco gelada, brinde perfeito para encerrar a aventura.



Em seguida, mergulhamos os pés nas águas frias do mar, um gesto simbólico de despedida da Lagoinha do Leste. O contraste entre o sal e a areia trouxe uma sensação imediata de relaxamento e leveza.



Enquanto o dia chegava ao fim, iniciamos o retorno pela trilha do Pântano do Sul, agora iluminada pelos tons suaves do entardecer.



A luz dourada do crepúsculo ressaltava as nuances da vegetação e criava um ambiente tranquilo, perfeito para finalizar a longa caminhada pela Lagoinha do Leste.



À medida que avançávamos, os sons da natureza nos envolviam. O farfalhar das folhas, o canto dos pássaros e o ritmo constante dos nossos passos formavam uma trilha sonora natural, tornando o caminho de volta quase meditativo.



Em meio à mata, ouvimos o chamado agudo dos saguis e logo avistamos alguns deles saltando com agilidade entre os galhos.




Esses pequenos primatas, embora populares hoje em Florianópolis (SC), não fazem parte da fauna nativa local. Foram introduzidos décadas atrás, trazidos principalmente do Nordeste brasileiro.




Sem predadores naturais na Ilha de Santa Catarina, se adaptaram rapidamente, mas sua presença em grande número pode gerar desequilíbrio ecológico ao competir com espécies nativas por alimento e espaço.



Além dos saguis, tivemos a sorte de avistar gralhas-azuis, aves emblemáticas do Sul do Brasil e conhecidas por seu papel essencial na dispersão de sementes de araucárias. Diferentes dos saguis inquietos, elas mantinham certa distância, rápidas e discretas, sempre escapando das câmeras como se preferissem preservar o mistério de sua elegância.



Durante a caminhada, comentamos sobre outra trilha bastante conhecida da região: a que parte da Praia do Matadeiro em direção à Lagoinha do Leste. Com cerca de 4 quilômetros de extensão, é uma rota que acompanha o litoral e oferece vistas espetaculares do mar aberto. Apesar de mais longa, tem aclives mais suaves e acaba sendo uma excelente opção para quem busca uma experiência igualmente panorâmica, porém menos exigente fisicamente.



Após concluir a trilha, retornamos ao Pântano do Sul e reencontramos a Formosa.




Seguimos pela estrada costeira sentido centro de Floripa, passando pela Praia da Armação, onde as ondas quebravam com força contra as rochas, criando um espetáculo de espuma, som e movimento.





Já nas proximidades do Campeche, fomos presenteados com um pôr do sol impressionante: o céu tingido de laranja, rosa e violeta refletia sobre o mar, enquanto o sol desaparecia lentamente atrás da linha do horizonte.





Encerramos o dia no hotel, cansados, mas imensamente satisfeitos. Um banho quente, um lanche simples e a sensação de missão cumprida fecharam com chave de ouro mais uma aventura pela Ilha da Magia.




O corpo pedia descanso, mas a mente já imaginava as próximas trilhas manezinhas e as descobertas que ainda nos aguardam em Florianópolis (SC), uma ilha de natureza exuberante, história fascinante e energia inesquecível.

Oba! Já são 2 comentários nesta postagem!
Passeio maravilhoso e como sempre lindas fotos…parabéns aos dois pelo bom gosto de curtir a natureza…
Valeu, o lugar é lindo mesmo! Abraços…
Estamos ansiosos para ler tudo aquilo que tu tem para dizer! É chegado o momento de abrir este coração e compartilhar tua opinião, crítica (exceto algo desfavorável à imagem da Formosa), elogio, filosofar a respeito da vida ou apenas sinalizar que chegou até aqui ;)
Mas atenção, os campos marcados com * são de preenchimento obrigatório, pois assim mantemos (ou tentamos manter) o blog bonitinho, livre de robôs indevidos.
Ah, relaxe, seu endereço de e-mail será mantido sob sigilo total (sabemos guardar segredos, palavra de escoteiro) e não será publicado.