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Viagem de Moto de Erechim (RS) a Florianópolis (SC): Estrada, Cultura e Belas Paisagens pelo Sul do Brasil
3 de Junho, 2021
Embarque em uma viagem de moto de Erechim (RS) até Florianópolis (SC) pelas estradas do Sul do Brasil. O roteiro revela belas paisagens, cidades históricas e natureza preservada, passando por planaltos e vales que expressam a essência sulista.
Aproveitamos o feriado de Corpus Christi para embarcar em uma viagem de moto partindo de Erechim (RS) rumo a Florianópolis (SC). Em vez de seguir pelo trajeto mais curto e tradicional, escolhemos percorrer as rodovias RS-135, BR-285, BR-116, BR-282 e BR-101, atravessando algumas das paisagens mais autênticas do Sul do Brasil. Entre planaltos, araucárias, serras e vales, o roteiro revelou trechos históricos, cidades marcadas pelo tropeirismo, natureza preservada e boas histórias de estrada.

Na manhã da quinta-feira de Corpus Christi, a cidade de Erechim (RS) amanheceu coberta por uma densa neblina. Após um café com leite quente para espantar o frio e renovar as energias, vestimos nossas roupas de viagem, carregamos as bagagens na Formosa, nossa Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014 e, pontualmente às 7h, iniciamos mais uma viagem sobre duas rodas.

Partimos da acolhedora “Capital da Amizade”, Erechim (RS), pela rodovia RS-135, em direção ao sul. O destino do dia: Florianópolis (SC), uma das cidades mais encantadoras do litoral catarinense.

Seguimos por vários quilômetros com a visibilidade bastante reduzida. A neblina exigia atenção redobrada, mas também conferia um charme especial ao início da viagem.


Com o passar dos quilômetros, o tempo começou a abrir. O céu azul apareceu entre nuvens cinzentas, e a estrada ficou mais agradável de rodar.


A ERS-135 é uma das principais ligações do norte gaúcho, conectando Erechim a Passo Fundo. Inaugurada na década de 1970, a rodovia possui 79 quilômetros de extensão e atravessa uma região conhecida pelos campos ondulados e pelo fluxo intenso de caminhões que transportam grãos e produtos agrícolas. Apesar das curvas e do tráfego, oferece um visual típico do planalto gaúcho, com lavouras, pinheiros e pequenas comunidades rurais.


Logo chegamos ao trevo de acesso a Passo Fundo (RS), onde a RS-135 termina e se conecta à BR-285. Dali seguimos para leste, já na rodovia federal.


A BR-285 é uma estrada emblemática no sul do Brasil, ligando o litoral catarinense à fronteira com a Argentina, em São Borja (RS). É parte do Corredor Bioceânico, projeto que busca conectar o Atlântico ao Pacífico, atravessando Brasil, Argentina, Paraguai e Chile.


O trecho da BR-285 entre Passo Fundo e Vacaria é bastante procurado por motociclistas e viajantes devido às paisagens de altitude, especialmente durante o outono e inverno, quando a neblina e as geadas dão um charme especial ao caminho. A rodovia também é lembrada pelos desafios: curvas sinuosas, tráfego intenso e clima variável, que exigem atenção constante, mas recompensam com visuais únicos.


Cruzamos o Rio Passo Fundo e seguimos por Mato Castelhano (RS). A estrada margeia a Floresta Nacional de Passo Fundo, um trecho curto, mas de vegetação nativa bem preservada. Em alguns pontos mais baixos, a neblina reaparecia, criando um interessante contraste entre claros e encobertos.


A Floresta Nacional de Passo Fundo foi criada em 1946 e ocupa pouco mais de 127 hectares. Apesar do tamanho reduzido, é uma das mais antigas unidades de conservação do Sul do Brasil e tem grande importância científica e ambiental.


Após o trevo de Lagoa Vermelha (RS), fizemos uma parada rápida. O frio era forte, então colocamos as capas de chuva para ajudar a reter o calor, mesmo sem chuva.



De volta à estrada, o sol começou a aparecer com força, dissipando de vez a neblina. A visibilidade melhorou, e a paisagem ficou ainda mais bonita. O contraste entre o céu limpo e o verde das pastagens, cortado por araucárias e colinas suaves, marcava o início de um novo trecho mais leve da viagem.



Com o tempo firme, chegamos a Vacaria (RS), cidade conhecida como “Porteira do Rio Grande” por ser uma das principais portas de entrada para o estado.



Vacaria (RS) tem forte ligação com o tropeirismo, antigas rotas comerciais que cruzavam o Sul do Brasil entre os séculos XVIII e XIX, conectando o interior aos portos do litoral. A cidade ainda preserva tradições desse período, visíveis na arquitetura, na música e nas festas locais, como o Rodeio Internacional de Vacaria, um dos maiores eventos tradicionalistas da América do Sul.



Ali deixamos a BR-285 e pegamos a BR-116, uma das rodovias mais importantes do país, ligando o Rio Grande do Sul ao Ceará e conhecida por cruzar diversos tipos de relevo, de planaltos a serras e vales.



Poucos quilômetros depois, à beira da estrada, três árvores de folhas alaranjadas (típicas do outono) chamaram nossa atenção. Encantados com o cenário, paramos para lanchar: chipas preparadas na noite anterior e suco de uva integral comprado em Muitos Capões (RS), região reconhecida pelos vinhos artesanais e pela proximidade com os Campos de Cima da Serra, um dos ecossistemas mais preservados do sul do país.



Devidamente alimentados, continuamos a viagem de moto pela serra, acompanhando o Vale do Rio Pelotas.



As curvas revelavam belas paisagens, com campos e araucárias que dominam o planalto catarinense. O Rio Pelotas é um dos principais formadores do Rio Uruguai, que mais adiante serve de fronteira natural entre Brasil e Argentina. Cruzamos a ponte sobre o rio, ponto que marca a divisa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina.



Já em território catarinense, seguimos até Lages (SC), considerada o berço do turismo rural brasileiro. Fundada no século XVIII, a cidade prosperou com o tropeirismo e hoje combina tradição serrana, belas paisagens e história viva. Ali deixamos a BR-116 e passamos à BR-282, que conecta o oeste do estado ao litoral.



A partir desse ponto, o trânsito aumentou bastante, exigindo mais atenção. Passamos por Bocaina do Sul, Bom Retiro e Alfredo Wagner, pequenas cidades serranas com forte influência da colonização europeia.



Perto de Rancho Queimado (SC), o tempo voltou a mudar. O céu ficou nublado e o vento gelado reapareceu. Essa região é uma das mais frias de Santa Catarina e costuma registrar temperaturas negativas no inverno. É também famosa por sua produção de morangos e pela Rota dos Tropeiros, que preserva antigas estradas utilizadas no transporte de gado e mantimentos.



Na descida da Serra Catarinense, encontramos um grande congestionamento. Mesmo com o trânsito lento, foi possível apreciar a vista da serra e do vale. A região faz parte da Serra do Tabuleiro, área de relevância ecológica que abriga o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, uma das maiores unidades de conservação do sul do Brasil, responsável por proteger importantes nascentes que abastecem Florianópolis (SC) e o litoral.



Ao chegar em Santo Amaro da Imperatriz (SC), o tempo melhorou novamente. O céu abriu e o clima ficou mais agradável, indicando que estávamos próximos do litoral.



A cidade é conhecida por suas águas termais, as primeiras do Brasil a serem exploradas turisticamente, desde o século XIX. Suas fontes minerais foram visitadas até por Dom Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina em 1845.



Pouco depois, acessamos a BR-101, onde o trânsito estava, literalmente, parado. Com cuidado, seguimos pelo corredor até o entroncamento com a BR-282, caminho que leva direto à capital catarinense.



Com o tráfego finalmente fluindo, atravessamos a Ponte Pedro Ivo Campos e chegamos à Ilha de Santa Catarina. Inaugurada em 1991, a estrutura é uma das principais portas de entrada da capital e homenageia o político catarinense que teve papel importante na redemocratização do país.



Ó-lhó-lhó istepô! Voltamos Floripa, mô quirída!



Florianópolis, conhecida como a “Ilha da Magia”, é uma das capitais mais singulares do Brasil, dividida entre o continente e a ilha. Além das praias famosas, como Joaquina, Mole e Campeche, a cidade guarda história e cultura açoriana preservadas em seus bairros antigos, como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha.



Fundada em 1673, Floripa tem forte ligação com a pesca, a gastronomia à base de frutos do mar e o surf. A ilha é cortada por montanhas cobertas de mata atlântica, com mirantes naturais que oferecem vistas panorâmicas da baía e das lagoas. Entre os cartões-postais mais conhecidos estão a Ponte Hercílio Luz, símbolo da cidade, e a Lagoa da Conceição, que combina natureza, esportes e boa comida em um dos cenários mais bonitos do litoral catarinense.



Antes de ir ao hotel, fizemos questão de passar pela Avenida Beira-Mar Norte para ver o pôr do sol. O local é um dos pontos mais conhecidos da cidade e oferece uma bela vista da baía, com destaque para a Ponte Hercílio Luz e o contorno da ilha.



Depois seguimos para o hotel, tomamos um banho e saímos para jantar.



Encerramos o dia com uma caminhada leve pela Beira-Mar Norte, brindando com uma kombucha artesanal feita com erva-mate, produzida localmente, uma boa forma de finalizar a viagem de moto entre Erechim (RS) e Florianópolis (SC), unindo estrada, cultura e o prazer de viajar sobre duas rodas.

Acima o mapa com trajeto percorrido no dia durante a viagem de Erechim – RS a Florianópolis – SC.










Oba! Já são 2 comentários nesta postagem!
Belo passeio para um feriado de outono, que legal !!
Na próxima passagem pela BR 116 – Lages/SC, minha dica é que almocem no Restaurante do Monge, já fomos 2x e a Truta deles é sensacional, mas há também muitas outras opções; acho que vale os reais investidos em uma boa comida/ambiente nas margens da rodovia.
Abraços.
Valeu pela dica Fernando.
Desconhecia este restaurante, coloquei no Google, vi sua localização e já deixei mapeado para uma próxima passagem pela região.
Abraços!
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