Brasil • Expedição 2020: Belas Rotas • Petrópolis • Rio de Janeiro
Centro Histórico de Petrópolis: Roteiro Completo pela Cidade Imperial, Palácios, Museus e a Casa de Santos Dumont
17 de Novembro, 2020
Descubra o encanto do centro histórico de Petrópolis, a famosa Cidade Imperial do Rio de Janeiro. Visite a Casa da Princesa Isabel, o Palácio de Cristal, a Catedral de São Pedro de Alcântara e o Museu Casa de Santos Dumont, um ícone da Serra Fluminense.
Hoje dedicamos o dia a explorar o centro histórico de Petrópolis, a encantadora Cidade Imperial situada na região serrana do Rio de Janeiro. Caminhar por suas ruas arborizadas e bem preservadas, em um dos primeiros núcleos urbanos planejados do Brasil, é como viajar no tempo e reviver o esplendor do período imperial. A cidade fascina com seus palácios e casarões históricos, como a Casa da Princesa Isabel, o elegante Palácio de Cristal, a imponente Catedral de São Pedro de Alcântara (que abriga o Mausoléu Imperial) e a imperdível Casa de Santos Dumont, um dos museus mais visitados da cidade.

A forte chuva que caiu ontem se estendeu até a madrugada, mas finalmente deu uma trégua, e a terça-feira amanheceu sob uma leve garoa em Petrópolis (RJ).

Com isso, desistimos de pendurar as roupas de viagem (ainda encharcadas após o verdadeiro banho que tomamos ontem) na área externa do hotel. Optamos por estendê-las em varais improvisados dentro do quarto, na esperança de que sequem até a manhã seguinte e possamos seguir em frente com a moto expedição deste ano.

Como nosso plano para o dia era explorar a charmosa cidade serrana, aproveitamos para levar o restante das roupas a uma lavanderia. Afinal, eu já estava recorrendo à última cueca limpa.

Com as roupas devidamente entregues e a garoa dando uma trégua, iniciamos uma caminhada pelo centro histórico de Petrópolis, conhecida como a “Cidade Imperial”, título que remete ao período em que serviu de refúgio de verão da corte brasileira.

Começamos nosso roteiro pela Praça da Liberdade, a maior da cidade. Seu nome remonta a 1888, quando escravos recém-libertos se reuniam ali para arrecadar fundos e comprar a liberdade de companheiros que ainda permaneciam nas senzalas. Isso ocorreu após a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio daquele ano, pela Princesa Isabel, que declarou extinta a escravidão em todo o território nacional, encerrando um ciclo de quase quatro séculos de escravidão no Brasil.

Embora o nome oficial da Praça da Liberdade tenha sido alterado para Praça Rui Barbosa em 1923, ela continua amplamente conhecida por sua denominação original. O espaço, com cerca de 22 mil metros quadrados, é bem arborizado e abriga um belo chafariz central, bancos distribuídos por toda a extensão e um ambiente que convida moradores e visitantes a momentos de descanso e contemplação.

Com a descoberta do ouro em Minas Gerais, no final do século XVII, a Coroa Portuguesa decidiu estabelecer um conjunto de caminhos aproveitando antigas trilhas indígenas do Caminho do Peabiru. Essas rotas conectavam a região produtora de ouro, especialmente Vila Rica (atual Ouro Preto), ao litoral fluminense, no Porto de Paraty. O trajeto, com aproximadamente 710 quilômetros de extensão, ficou conhecido como Estrada Real, ou Caminho do Ouro.

Com o passar dos anos, os ataques de corsários e piratas às cargas transportadas pelo mar entre Paraty e o Rio de Janeiro se intensificaram. Diante disso, em 1698, o governador da Capitania do Rio de Janeiro, Artur de Sá Menezes, recomendou à Coroa Portuguesa a abertura de um novo caminho para o sertão, a fim de contornar os riscos do trecho marítimo.

Essa decisão deu origem a um novo traçado da Estrada Real, ligando diretamente o Rio de Janeiro a Ouro Preto. A obra ficou sob responsabilidade de Garcia Rodrigues Paes, filho do bandeirante Fernão Dias Paes, cujo nome hoje batiza a rodovia que conecta São Paulo a Belo Horizonte e Vitória. A construção levou sete anos (1698–1705) e passou a ser conhecida como Caminho Novo, enquanto o trajeto anterior ficou denominado Caminho Velho.

Além de eliminar o perigoso trecho marítimo pela Baía de Paraty, o novo percurso tinha cerca de 515 quilômetros, tornando-se mais curto, seguro e bem estruturado. Na época, o Caminho Novo da Estrada Real podia ser percorrido em aproximadamente um mês, um terço do tempo necessário para completar o Caminho Velho.

Até o século XVIII, a região onde hoje se encontra o município de Petrópolis era habitada exclusivamente pelos índios coroados, e conhecida pelos portugueses como Sertão dos Índios Coroados. Com a abertura do Caminho Novo da Estrada Real, a rota passou a cruzar esse território, que aos poucos deixou de ser um sertão isolado e se integrou ao fluxo de viajantes e comerciantes.

Em 1822, durante uma viagem a Minas Gerais pelo Caminho Novo da Estrada Real, o então imperador Dom Pedro I hospedou-se na fazenda do padre Correia. Encantado com a beleza da região, decidiu adquirir uma propriedade vizinha, a Fazenda do Córrego Seco, com o intuito de ali construir um palácio.

Anos depois, em 1843, seu filho Dom Pedro II assinou um decreto imperial determinando a criação de uma povoação na região, que seria formada por imigrantes alemães. O decreto também previa a construção do tão sonhado Palácio de Verão na Fazenda do Córrego Seco.

O assentamento foi planejado pelo major Júlio Frederico Koeler, transformando Petrópolis em uma das primeiras cidades planejadas do Brasil. O projeto previa um núcleo urbano estruturado, com o Palácio Imperial, prédios públicos, estabelecimentos comerciais e serviços essenciais.

A partir de então, durante os meses de verão, Petrópolis tornava-se a capital do Império do Brasil. A corte e grande parte da população do Rio de Janeiro migravam para a serra, atraídas pelo clima ameno e pela tentativa de escapar dos frequentes surtos de febre amarela que assolavam a capital.

O nome da cidade nasceu da junção de Petrus (Pedro, em latim) e Pólis (cidade, em grego), formando Petrópolis, que significa literalmente “Cidade de Pedro”.

Atualmente, Petrópolis abriga cerca de 280 mil habitantes, sendo a maior e mais populosa cidade da região serrana do Rio de Janeiro. Também é reconhecida como a cidade mais segura do estado, figurando entre as seis primeiras do ranking do Ipea entre municípios de médio e grande porte em todo o Brasil.

Retomando nossa caminhada, bem próxima à Praça da Liberdade, no coração da cidade, está a Praça 14 Bis.

O espaço abriga uma réplica do invento mais famoso de Santos Dumont, o 14 Bis, inaugurada em 2006 em celebração ao centenário do primeiro voo da aeronave (marco da aviação mundial ocorrido em 1906, em Paris).

Da Praça 14 Bis, seguimos pelo lado norte da Avenida Koeler, considerada a via mais nobre de Petrópolis. Seu nome homenageia Júlio Frederico Koeler, o engenheiro alemão convidado por Dom Pedro II para planejar o povoado.

Uma curiosidade interessante sobre a Avenida Koeler é que ela foi projetada respeitando o curso do Rio Quitandinha, que divide a via em duas pistas ladeadas por árvores que emolduram o rio. As casas foram construídas mais afastadas, deixando espaço para amplos jardins frontais que conferem charme e harmonia à paisagem urbana.

Ao longo da avenida, destacam-se importantes casarões de arquitetura clássica, como o palacete de verão da Princesa Isabel, o Palácio Sérgio Fadel (atual sede da Prefeitura) e o Palácio Rio Negro, antiga residência de verão dos presidentes da república. Todos os imóveis da Avenida Koeler são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e hoje abrigam pousadas, escolas, clínicas e instituições culturais.

As primeiras construções históricas da avenida datam de 1875 a 1893, apresentando traços neoclássicos, com colunas imponentes e jardins inspirados nos modelos franceses.

Entre elas, destaca-se o Solar Dom Afonso, descrito pela Princesa Isabel como uma casa “boa e grandiosa”. Impressionada, a princesa teria concedido ao construtor, o comerciante de café Joaquim Antônio dos Passos, o título de Comendador. O solar recebeu o nome de Dom Afonso em homenagem ao filho falecido de Dom Pedro II.

Ao lado, encontra-se uma das residências mais enigmáticas da avenida, o Casarão da Família Voigt, cuja data exata de construção é desconhecida.


Registros indicam que funcionou como pensão para trabalhadores durante a construção do Palácio Imperial e, após a conclusão da obra, foi convertida em residência do chefe da construção.

Logo adiante está o Palácio Sérgio Fadel, uma das edificações mais antigas da Avenida Koeler.

O eclético palácio foi erguido em 1872 pelo Visconde Silva e Barão do Catete, Dr. Joaquim Antônio d’Araújo e Silva.


Com o passar dos anos, o prédio teve diferentes usos: residência, colégios e sede de empresas. Após a Proclamação da República, o presidente Campos Sales hospedou-se ali e, encantado com a região, adquiriu o Palacete do Barão do Rio Negro, transformando-o na residência de verão oficial dos presidentes brasileiros.

O Palácio Sérgio Fadel também abrigou, ao longo das décadas, os colégios Plínio Leite, São José, Ateneu e a sede da Companhia Industrial Santa Matilde. Em 1996, foi adquirido pela prefeitura e passou a sediar o Gabinete do Prefeito de Petrópolis (RJ).

A próxima construção é a Casa do Barão de Teresópolis, erguida no final do século XIX. Pertenceu a Francisco Ferreira de Abreu, médico de Dom Pedro II e agraciado com o título de Barão de Teresópolis em 1874.

Ao lado, destaca-se a Mansão Kremer, construída em 1854 pelo colono alemão Henrique Kremer, fundador da tradicional Cervejaria Bohemia, considerada a primeira do Brasil. Inicialmente composta por dois prédios distintos, a estrutura foi unificada em uma única construção posteriormente.


Sua vizinha, a Casa Lafayette Marquez, foi a última a ser erguida na avenida, em 1930, encerrando o conjunto arquitetônico histórico da Koeler.

E, por fim, a Casa da Princesa Isabel, adquirida em 1876 pelo Conde d’Eu e sua esposa, Princesa Isabel, onde residiram até o exílio da Família Imperial, em 1889.

Construída originalmente em 1853 por José Pedro da Mota Sayão (o Barão do Pilar, fazendeiro, comerciante e membro da primeira diretoria do Banco do Brasil), a casa foi alugada em 1874 ao Conde d’Eu, que a adquiriu definitivamente em 1876.

A Casa da Princesa Isabel segue o estilo neoclássico e remete ao Palácio Imperial de Verão, atual Museu Imperial. Sua fachada em tom de tijolo era característica das residências da família imperial durante o segundo reinado. No frontão, destaca-se o monograma G.I., de Gastão & Isabel.

Foi nessa casa que nasceram os dois primeiros filhos da Princesa Isabel. Também ali, Dom Pedro II recebeu a notícia do movimento militar que resultaria na Proclamação da República.

O palacete, posicionado ao centro do terreno, segue o modelo europeu e é cercado por um jardim frontal onde florescem camélias brancas, flores símbolo da abolição, plantadas pessoalmente pela princesa.

A fachada apresenta platibanda decorada, colunas coríntias e jônicas e perfeita simetria entre os andares. Um elegante guarda-corpo com balaústres clássicos completa o conjunto arquitetônico.

Casa da Princesa Isabel
A Casa da Princesa Isabel foi adquirida em 1876 pela própria Princesa Isabel e pelo Conde d’Eu, que ali residiram até o exílio da Família Imperial, em 1889.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Casa da Princesa Isabel partindo do centro de São Paulo – São Paulo – Brasil:
Contatos da Casa da Princesa Isabel
- Endereço: Avenida Koeler, 42 – Centro Histórico | Petrópolis – Rio de Janeiro – Brasil
- Telefone: (24) 2237-3321
- E-mail: disqueturismodepetropolis@gmail.com
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: das 9h às 17h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos

Nas escadarias da varanda frontal da Casa da Princesa Isabel foi registrada a famosa fotografia conhecida como “A Última Foto da Família Imperial no Brasil”, tirada no final de 1888. A imagem mostra Dom Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina, o casal Gastão e Isabel com seus filhos (Pedro, Luís e Antônio) e o príncipe Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança, filho da princesa Leopoldina.

Atualmente pertencente ao ramo petropolitano da Família Orléans e Bragança, descendente direta da casa imperial brasileira, o palácio e seus jardins são tombados pelo IPHAN. O interior da Casa da Princesa Isabel é aberto ao público durante exposições, enquanto os jardins permanecem acessíveis diariamente, com entrada gratuita.


Em frente à Casa da Princesa Isabel, encontra-se a praça que leva seu nome: a Praça Princesa Isabel.

No centro da Praça Princesa Isabel ergue-se o monumento em homenagem a Júlio Frederico Koeler, engenheiro responsável pelo projeto do Palácio Imperial, atual Museu Imperial, e autor da primeira planta urbanística de Petrópolis (RJ). Na parte frontal do monumento, sobre uma base de granito, está gravada a planta original da cidade, enquanto no topo da coluna figura o escudo de Petrópolis. Os restos mortais de Koeler repousam na base do monumento, eternizando sua contribuição para o desenvolvimento da Cidade Imperial.

Ao lado da Praça Princesa Isabel, destaca-se a imponente Catedral de São Pedro de Alcântara, a Igreja Matriz de Petrópolis, um dos cartões-postais mais emblemáticos da cidade.

Catedral de São Pedro de Alcântara – Igreja Matriz de Petrópolis
A Catedral de São Pedro de Alcântara – Igreja Matriz de Petrópolis é a única construção neogótica do interior do estado do Rio de Janeiro e abriga os restos mortais da família imperial brasileira.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Catedral de São Pedro de Alcântara – Igreja Matriz de Petrópolis partindo do centro de Florianópolis – Santa Catarina – Brasil:
Contatos da Catedral de São Pedro de Alcântara – Igreja Matriz de Petrópolis
- Endereço: Rua São Pedro de Alcântara, 60 – Centro Histórico | Petrópolis – Rio de Janeiro – Brasil
- Telefones: (24) 2242-4300 | (24) 2246-1223
- E-mail: ascom@diocesepetropolis.org.br
Para obter informações mais detalhadas, visite o site oficial da Catedral de São Pedro de Alcântara – Igreja Matriz de Petrópolis.
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: das 8h às 18h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos

A Catedral de Petrópolis é a única construção em estilo neogótico do interior do estado do Rio de Janeiro, com arquitetura inspirada na célebre Catedral de Notre-Dame de Paris.

Graças ao grande incentivo da Princesa Isabel, foi lançada, em 1884, a pedra fundamental da Catedral de São Pedro de Alcântara, sob o patrocínio de Dom Pedro II.


O projeto foi encomendado ao engenheiro e arquiteto baiano Francisco Caminhoá. As obras tiveram início no mesmo ano, mas a catedral só foi inaugurada em 1925, sendo concluída definitivamente em 1969.


Seu nome oficial, Catedral de São Pedro de Alcântara, homenageia o padroeiro de Petrópolis e também da monarquia brasileira.


Com seus 70 metros de altura, a torre principal da Catedral de São Pedro de Alcântara se impõe na paisagem do centro histórico de Petrópolis. No topo, um carrilhão com cinco sinos de bronze, fundidos na Alemanha e pesando nove toneladas, ressoa solenemente a cada hora cheia, ecoando por toda a cidade.


Cada uma das portas principais da Igreja Matriz de Petrópolis pesa cerca de 2.400 quilos, reforçando a grandiosidade e imponência da construção.

No interior da Catedral de Petrópolis, uma das atrações mais emblemáticas, senão a principal, encontra-se logo à direita da entrada: o Mausoléu Imperial.

Em 1920, o decreto que bania a Família Imperial do Brasil foi revogado. No ano seguinte, os restos mortais de Dom Pedro II e da Imperatriz Teresa Cristina foram trasladados do Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, para o Rio de Janeiro, onde permaneceram na Catedral Metropolitana. Em 1925, foram levados à sacristia da Catedral de Petrópolis.

Finalmente, em 5 de dezembro de 1939, o presidente Getúlio Vargas inaugurou oficialmente o Mausoléu Imperial, acompanhado de autoridades e descendentes da família real. Na ocasião, os sarcófagos do imperador e da imperatriz foram definitivamente colocados no local. Posteriormente, os restos mortais da Princesa Isabel e do Conde d’Eu também foram trasladados para o mausoléu.

Ao centro, encontram-se os sarcófagos de Dom Pedro II e de Dona Teresa Cristina. Nas extremidades, repousam os túmulos da Princesa Isabel e de seu marido, o Conde d’Eu. Os corpos, embalsamados, estão sob esculturas em tamanho real esculpidas em mármore de Carrara em 1925, pelo artista francês Jean Magrou. Uma curiosidade é que a escultura da imperatriz foi feita ligeiramente maior que sua altura real, para igualar-se à estatura do imperador.

A chamada Capela Imperial é protegida por grades de bronze e cercada por vitrais que retratam passagens marcantes da história de Petrópolis. Também há inscrições com poemas escritos por Dom Pedro II durante o exílio, revelando a saudade do imperador pelo Brasil.


As naves da Catedral de São Pedro de Alcântara são marcadas por arcos ogivais e colunas típicas do estilo gótico. Em seu altar repousam relíquias de São Magno, Santa Aurélia e Santa Tecla, trazidas de Roma pelo cardeal Dom Sebastião Leme.


As pontiagudas torres laterais e as janelas ogivais da Catedral de Petrópolis refletem fielmente a estética neogótica. No interior, os vitrais coloridos retratam cenas de santos, de Cristo e da Sagrada Família, desenhados por Carlos Oswald e doados pela Baronesa de São Joaquim.


O mobiliário original, trabalhado à mão em jacarandá, mantém-se preservado. A Via Crucis, em gesso patinado de origem francesa, complementa a atmosfera de reverência e beleza artística do templo.


Outra preciosidade da Catedral de São Pedro de Alcântara é o órgão de tubos, considerado um dos mais importantes do Brasil. Construído no Rio de Janeiro, em 1936, pelo artesão Guilherme Berner, pioneiro da indústria nacional de órgãos, o instrumento possui 33 registros, três teclados manuais e um pedal, totalizando 2.227 tubos. Instalado no coro superior, o órgão proporciona uma sonoridade impressionante durante as missas e concertos.



Após explorarmos o interior da Catedral de São Pedro de Alcântara, seguimos nossa caminhada pelo centro histórico de Petrópolis (RJ).



Passamos pelo Educandário Koeler, construído em 1903 para abrigar a Escola Evangélica Alemã, fundada em 1876.

O edifício é vizinho à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, um dos templos religiosos mais antigos da cidade.

Igreja Evangélica de Confissão Luterana
A Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Petrópolis é um dos templos religiosos mais antigos da cidade.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Igreja Evangélica de Confissão Luterana partindo do centro de Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil:
Contatos da Igreja Evangélica de Confissão Luterana
- Endereço: Avenida Ipiranga, 346 – Centro Histórico | Petrópolis – Rio de Janeiro – Brasil
- Telefones: (24) 2242-1703 | (24) 98816-6386
- E-mail: petropolis@luteranos.com.br
Para obter informações mais detalhadas, visite o site oficial da Igreja Evangélica de Confissão Luterana.
Horários de Funcionamento
- Sábado e domingo: das 10h às 17h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos

A Igreja Luterana de Petrópolis teve sua pedra fundamental lançada em 1862, idealizada pelo pastor George Gottlob Ströele.

O templo começou a ser construído em 1863, inicialmente como uma casa simples que exibia, em sua fachada, a escultura de um cálice e pães. A simplicidade obedecia à lei do Império, que proibia símbolos religiosos ostensivos em templos não católicos.

Com a revogação dessa lei em 1903, a igreja recebeu uma torre com relógio e sinos de bronze, além de elementos decorativos neogóticos, como arcos ogivais e gárgulas, que ainda hoje caracterizam sua arquitetura.

Praticamente em frente à igreja está a casa onde viveu Ruy Barbosa de Oliveira.

Conhecido como “A Águia de Haia”, Ruy Barbosa passava seus verões nessa residência em estilo vitoriano, construída no final do século XIX.

Em sua “Sweet Home”, como carinhosamente chamava o local, Ruy Barbosa cultivava rosas e escreveu diversas obras, entre elas a célebre “Oração aos Moços”.

O jurista faleceu nessa residência em 1923, e seu cortejo fúnebre foi um dos mais grandiosos já presenciados em Petrópolis.

Em seguida, passamos pela Casa Valentim Scheid, que originalmente abrigava lojas no térreo e residências no andar superior, um exemplo típico da arquitetura comercial urbana do século XIX.



Logo adiante, chegamos à Casa da Educação Visconde de Mauá.

Uma das figuras mais influentes do império, Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, viveu grande parte de sua vida nessa residência de estilo neoclássico.

A construção começou em 1854, quando o então Barão (mais tarde elevado a Visconde de Mauá) liderava a construção da primeira estrada de ferro do Brasil. Cercada por vegetação exuberante, a casa conta com um jardim com espécies raras de palmeiras e diversas árvores frutíferas.

Após a falência de Mauá, a propriedade foi leiloada. Décadas depois, o poeta Vinícius de Moraes, casado com Lúcia Proença, então proprietária do imóvel, passou temporadas na residência, onde compôs algumas de suas obras.

A poucos metros dali está o deslumbrante Palácio de Cristal, uma das construções mais icônicas de Petrópolis. Sua estrutura pré-moldada em ferro fundido foi encomendada pelo Conde d’Eu a uma fundição francesa e posteriormente montada na cidade pelo engenheiro Eduardo Bonjean.

Inaugurado em 1884, o Palácio de Cristal foi erguido para abrigar as exposições de produtos agrícolas e aves da região, que antes aconteciam em estruturas temporárias.

Foi nesse mesmo local que, em abril de 1888, ocorreu a libertação dos últimos escravos de Petrópolis, evento comemorado com uma grande festa que contou com a presença da Princesa Isabel, apenas um mês antes da assinatura da Lei Áurea.

Durante nossa visita, o Palácio de Cristal encontrava-se fechado para reformas, mas sua imponência continuava visível mesmo do lado de fora.


Logo após, chegamos à charmosa Casa da Família Sauwen, adquirida em 1892 por Philippe Sauwen, comerciante belga que atuava na exportação de café no Rio de Janeiro.

A fachada da Casa Sauwen chama atenção pela varanda ornamentada, de estilo singular e marcante, que reflete o bom gosto e a prosperidade de seus antigos moradores.

Em seguida, passamos pela Cervejaria Bohemia, a fábrica de cerveja mais antiga do Brasil, inaugurada em 1853. Hoje, o local combina tradição e modernidade, abrigando um museu interativo, restaurante e degustações das principais cervejas da marca.

Da Cervejaria Bohemia, retornamos à Avenida Koeler para explorar as construções históricas do lado sul da via.


Logo no início, nos deparamos com a imponente Villa Itararé, uma joia arquitetônica que encanta pela elegância e pela história que carrega.

O charmoso chalé romântico da Villa Itararé, construído em 1904, foi projetado por Heitor da Silva Costa, o mesmo arquiteto responsável pelo icônico Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

O proprietário da Villa Itararé era Antônio Roxo Rodrigues, conhecido como o “Príncipe de Belford”.

Diz a lenda que o palacete de pedra da Villa Itararé foi trazido desmontado da Alemanha e remontado pedra por pedra em Petrópolis (RJ). O local ganhou notoriedade nacional ao servir de cenário para a novela “Guerra dos Sexos”, exibida em 1983.

Com seu estilo eclético, a Villa Itararé impressiona pelos vitrais coloridos, janelas góticas, molduras rendilhadas e colunas ornamentadas, além das torres que compõem sua silhueta marcante e romântica.

Ao lado, encontra-se a Vila Esperança, erguida em 1875, que apresenta um traçado mais discreto, porém igualmente harmonioso, refletindo a elegância das construções do século XIX.


Logo ao lado da Vila Esperança ergue-se o imponente Palácio Rio Negro, um dos marcos mais emblemáticos da história republicana brasileira.


O conjunto arquitetônico do Palácio Rio Negro é composto pelo edifício principal, um palacete, um chalé e outras construções complementares, todas distribuídas harmoniosamente nos fundos do terreno.


O palácio foi construído em 1889 pelo abastado produtor de café Manoel Gomes de Carvalho, o Barão do Rio Negro, e projetado pelo engenheiro Antônio Januzzi.


De estilo eclético, o Palácio Rio Negro ostenta uma elegante escadaria em mármore, pisos trabalhados em madeira nobre e salões decorados com parquet cujos desenhos remetem a grãos de café, uma homenagem à origem da fortuna de seu proprietário.


Com a mudança do Barão do Rio Negro para Paris, em 1894, o palácio foi colocado à venda. O imóvel foi então adquirido por Joaquim Maurício de Abreu, em nome do governo do estado do Rio de Janeiro, para servir como sede e residência oficial do governante durante o período em que Petrópolis tornou-se capital estadual, em decorrência da Revolta da Armada.


Em 1903, com o retorno da capital fluminense para Niterói, o Palácio Rio Negro foi incorporado ao governo federal. Desde então, o suntuoso edifício passou a ser a residência oficial de verão dos presidentes da república, tornando-se palco de importantes decisões políticas e encontros históricos.

Presidentes como Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Artur Bernardes, Washington Luís, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, entre outros, desfrutaram do palácio durante seus períodos de veraneio em Petrópolis (RJ).


Durante o governo de Hermes da Fonseca, o Palácio Rio Negro foi cenário de um acontecimento marcante: o casamento do marechal com a petropolitana Nair de Teffé, reconhecida como a primeira caricaturista mulher do mundo.


Atualmente, o Palácio Rio Negro abriga dois museus: o Museu da Força Expedicionária Brasileira (FEB), instalado em uma das edificações nos fundos do complexo, e o Museu da República em Petrópolis, que ocupa o prédio principal e preserva documentos e objetos ligados à história política do país.


Durante nossa visita, infelizmente, os museus estavam fechados devido às restrições impostas pela pandemia.


Após conhecer a área externa do Palácio Rio Negro (limitada à calçada, já que o acesso aos jardins estava proibido) retomamos nosso passeio pelo centro histórico de Petrópolis (RJ).

Seguimos pela avenida e passamos pela Casa do Barão da Saúde, construída em 1890, um belo exemplo da arquitetura residencial do período.

Logo à frente, avistamos o Casarão Gomensoro, outro ícone da elegância urbana petropolitana.


Em seguida, chegamos à bela Casa Albert Landesberg. Erguida em terreno adquirido em leilão público, a residência foi construída pelo financista alemão que lhe dá nome. Um detalhe curioso é que, por mais de 50 anos, o imóvel abrigou duas casas geminadas, que só foram desmembradas em 1955 pelos herdeiros da família.


Chegamos, então, ao término da Avenida Koeler (ou ao seu início, dependendo do ponto de vista), de onde seguimos em direção à Avenida Tiradentes.


Na Rua da Imperatriz, avistamos a antiga residência de Eduardo Palassin Guinle, destacado empreiteiro, industrial e banqueiro brasileiro.

Patriarca da influente família Guinle, Eduardo foi uma das figuras mais ricas e poderosas do país entre o final do Império e o início da República, com grandes investimentos em infraestrutura e energia.


Ao lado, encontra-se a Casa Diniz Street, edificação da década de 1890, que preserva com elegância o charme arquitetônico da época.


Poucos metros adiante, surge o magnífico Palácio Amarelo de Petrópolis, originalmente construído com um único andar por José Carlos Mayrink, camarista de Dom Pedro II.


Em 1891, após o falecimento de Mayrink, sua viúva vendeu o imóvel ao Barão de Guaraciaba, um dos primeiros empresários negros a alcançar grande fortuna no Brasil Império.

Três anos depois, em 1894, o Palácio Amarelo foi adquirido pela municipalidade para abrigar a Câmara Municipal de Petrópolis, função que mantém até os dias atuais. Em frente ao palacete, encontra-se a ampla Praça da Águia, destacada pelo belo chafariz central que adorna o espaço e se tornou ponto de encontro e descanso para visitantes e moradores.


A fachada do Palácio Amarelo impressiona pelas duas cúpulas ornamentadas que adornam o terraço, conferindo imponência e equilíbrio à sua volumetria. Além das cúpulas, os elementos decorativos e peças em relevo da fachada reforçam a sofisticação da arquitetura, que mistura influências neoclássicas e ecléticas.


A partir dali, atravessamos a pequena ponte sobre o Rio Quitandinha e logo avistamos o majestoso Palácio Imperial.

De arquitetura neoclássica, o Palácio Imperial foi a residência de verão de Dom Pedro II e da família imperial. Em 1940, por decreto do presidente Getúlio Vargas, o edifício foi transformado no Museu Imperial, dedicado à preservação e difusão da memória do Brasil monárquico.

O Museu Imperial de Petrópolis é um dos mais visitados do país e abriga um riquíssimo acervo do período imperial, com destaque para as coroas de Dom Pedro I e Dom Pedro II, o traje majestático, móveis de época, documentos, obras de arte e instrumentos musicais. No pavilhão das viaturas, encontram-se carruagens originais do século XIX, que oferecem um fascinante retrato do cotidiano da nobreza brasileira.


Durante nossa visita, assim como ocorreu no Palácio Rio Negro, o Museu Imperial estava fechado em razão da pandemia.

Nos contentamos em contornar toda a quadra onde está localizado o Museu Imperial, apreciando de diferentes ângulos sua imponente e belíssima arquitetura.

Ah, Petrópolis… Certamente precisaremos retornar assim que possível para explorar esse museu, que continua em nossa lista de lugares imperdíveis.

Seguimos em direção à Praça Expedicionários, um espaço histórico e simbólico da cidade.

No centro da praça ergue-se o Monumento aos Expedicionários Petropolitanos, homenagem solene aos soldados locais que combateram na Segunda Guerra Mundial. A escultura em bronze e granito, com cinco metros de altura, apresenta na parte frontal os perfis de quatro soldados petropolitanos que perderam a vida na Itália. Complementando a obra, uma figura feminina em bronze, com 1,70 metro de altura, criada por Antônio Geraldes, representa Petrópolis, oferecendo aos seus filhos a coroa de louros da glória.

Ao lado da praça, ergue-se o histórico Theatro São Pedro, inaugurado em 1933. Este importante espaço cultural passa atualmente por um cuidadoso processo de restauração, preparando-se para retomar sua programação artística.

Nas proximidades, encontra-se o Grande Hotel Petrópolis, construído em 1930. Com sua fachada imponente e arquitetura elegante, o hotel já recebeu diversas personalidades ilustres e segue sendo um dos ícones da hospitalidade petropolitana.

Na época de sua construção, o Grande Hotel Petrópolis era considerado o edifício mais moderno da cidade, o mais alto, com quatro andares, e o único equipado com elevador, símbolo de inovação e sofisticação para o início do século XX.

Praticamente em frente ao hotel ergue-se o Obelisco de Petrópolis, um dos marcos simbólicos da cidade.

Inaugurado em 1957, o monumento, com 20 metros de altura, celebra o centenário da elevação de Petrópolis à categoria de cidade, homenageando o desenvolvimento urbano e o espírito progressista da região serrana.

A partir desse ponto, deixamos a Rua da Imperatriz e seguimos explorando a Rua do Imperador.

Pela charmosa rua, seguimos até a Igreja Nossa Senhora do Rosário, um dos templos mais queridos pelos petropolitanos, onde fé e história se entrelaçam.

Paróquia Nossa Senhora do Rosário
A Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Petrópolis é o templo católico com a maior capacidade de fiéis sentados da cidade, oferecendo espaço para acomodar até 600 pessoas.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Paróquia Nossa Senhora do Rosário partindo do centro de Aparecida – São Paulo – Brasil:
Contatos da Paróquia Nossa Senhora do Rosário
- Endereço: Praça da Inconfidência – Centro Histórico | Petrópolis – Rio de Janeiro – Brasil
- Telefone: (24) 2242-1073
- E-mail: rosario@diocesepetropolis.org.br
Para obter informações mais detalhadas, visite o site oficial da Paróquia Nossa Senhora do Rosário.
Horários de Funcionamento
- Sexta a quarta: das 7h às 17h30
- Quinta: das 6h30 às 16h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos

A primeira Capela de Nossa Senhora do Rosário foi inaugurada em 3 de maio de 1883, erguida com recursos arrecadados por fiéis e, em especial, por ex-escravos, que contribuíram para sua construção em sinal de devoção e gratidão.

Com o passar das décadas, o tempo cobrou seu preço: em 1953, com a estrutura comprometida, Monsenhor Gentil iniciou a construção de uma nova igreja. Para que as celebrações não fossem interrompidas, a antiga capela permaneceu em funcionamento, enquanto a nova edificação se erguia ao seu redor, um feito de fé e engenharia.

Durante as obras, em 1956, foi descoberta uma nascente batizada de Fonte da Virgem, hoje preservada no interior da Escola Monsenhor Gentil, anexa à igreja. A nova Igreja Nossa Senhora do Rosário seria oficialmente inaugurada apenas em 1978, tornando-se um dos marcos religiosos mais expressivos de Petrópolis.

A construção impressiona pelo vão livre de 20 metros, sustentado por vigas de concreto, algo inovador para a época, em vez da tradicional madeira. Seus sinos foram trazidos da Catedral de São Pedro de Alcântara, conferindo ainda mais significado histórico e simbólico ao templo.

Além disso, a Igreja Nossa Senhora do Rosário é a igreja católica de Petrópolis com a maior capacidade de fiéis sentados, podendo acolher até 600 pessoas confortavelmente.

Em seu interior, destaca-se a pintura do altar, que retrata momentos marcantes da história da paróquia: a vida de Monsenhor Gentil, as duas fases da construção da igreja e os sacrifícios de Cristo, compondo um conjunto artístico de grande beleza espiritual.

Outro destaque é o relicário do altar do santuário, que guarda as relíquias de Santa Josefina Bakhita, a primeira santa africana. Nascida no Sudão e vendida como escrava ainda criança, Bakhita foi libertada, tornou-se religiosa e, após sua beatificação em 1992, foi canonizada pelo Papa João Paulo II em 2000, em Roma.

Ao lado da igreja, está o tradicional Mercado Imperial, um dos corações comerciais e culturais da cidade.

Inaugurado em 1904, o Mercado Imperial de Petrópolis consolidou-se como um dos principais centros de abastecimento e convivência da cidade, oferecendo produtos frescos, comidas típicas e o calor humano característico da serra fluminense.

Atualmente, o espaço abriga lanchonetes, pastelarias e bancas variadas, que vendem frutas, legumes, verduras, carnes e peixes, mantendo viva a tradição do comércio local.

Seguindo o passeio, logo avistamos outro símbolo da cidade: o elegante Hotel Grão Pará, referência em hospitalidade e tradição.


Mais à frente, destaca-se o imponente prédio dos Correios e Telégrafos, um verdadeiro monumento da arquitetura petropolitana.

Projetado pelos arquitetos Cristiano Stockler das Neves e Otávio Rocha, o edifício foi inaugurado em 1922, durante o governo do presidente Epitácio Pessoa, em comemoração ao centenário da Independência.

Sua construção ocupa parte de um terreno que pertencia ao Palácio Grão Pará. A venda foi autorizada pela Princesa Isabel, que, mesmo no exílio, impôs uma condição especial: que um busto de Dom Pedro II fosse instalado na entrada do prédio, homenagem que permanece até hoje.

O interior do edifício é um espetáculo à parte, com salões amplos, teto abobadado, lustres originais, vitrais coloridos, portas de madeira entalhada e corrimãos em ferro trabalhado. O espaço também abriga a Sala de Memória dos Correios de Petrópolis, preservando documentos e objetos históricos.

Ao lado, ergue-se o Colégio Estadual Dom Pedro II, construído em 1930, que se destaca pela arquitetura neocolonial e por sua importância educacional. O projeto reflete o estilo adotado pelo governo da época para edifícios públicos, associando tradição e modernidade.



Pouco adiante, surge o Palácio Grão Pará, que já serviu como residência de funcionários e alojamento de prestadores de serviço do Paço Imperial.

Projetado em 1859 por Theodoro Marx, o Palácio Grão Pará passou a ser residência do Príncipe do Grão Pará, Dom Pedro de Alcântara, e de seus descendentes a partir de 1925.

À sua frente, estende-se a arborizada Praça Bosque do Imperador, um oásis verde no coração da cidade.

Originalmente, o Bosque do Imperador integrava os jardins do Palácio Imperial, pertencentes à família real. Após o falecimento da Princesa Isabel e do Conde d’Eu, e com a revogação do banimento da família imperial em 1922, a área foi incorporada ao patrimônio municipal em 1926.


Em 1972, o Bosque do Imperador foi revitalizado, recebendo ajardinamento, um lago com chafariz, caminhos asfaltados e bancos. No local, destacam-se quatro monumentos: um marco de granito em homenagem ao Centenário de Dom Pedro II, uma herma do poeta Batista da Costa, um busto de Dom Pedro I e o Monumento ao Professor.

De lá, seguimos até a encantadora Praça Dom Pedro II, outro ícone do centro histórico.

É ali que se encontra a primeira estátua erguida no Brasil em homenagem a Dom Pedro II, inaugurada em 1911. A escultura em granito e bronze, obra do artista francês Jean Magrou, retrata o imperador em postura serena, ladeado por livros, símbolo de seu amor pela ciência e pela educação.

Originalmente, a Praça Dom Pedro II abrangia as duas áreas divididas pelo Rio Quitandinha e pelas pistas da Rua da Imperatriz, onde hoje está localizado o Teatro Dom Pedro. Ao longo do tempo, recebeu diversos nomes, como Praça do Imperador, Largo da Bacia, Largo do Palácio e, pelos colonos, Kaiserplatz.

Após a Proclamação da República em 1889, a praça foi rebatizada para Praça Dom Pedro de Alcântara. Anos depois, foi renomeada para Praça Dom Pedro II, em justa homenagem a uma das figuras mais importantes na fundação de Petrópolis (RJ).

De lá, começamos nossa caminhada pela Rua Dezesseis de Março, que estava belamente adornada com decorações natalinas, criando um clima acolhedor e festivo.


Ao longo da via, passamos pela sede do tradicional Jornal Tribuna de Petrópolis, fundado em 1902, um dos mais antigos veículos de imprensa em atividade no estado do Rio de Janeiro.


Logo adiante, surge o Palácio da Justiça, edifício imponente que já abrigou o fórum da comarca de Petrópolis.




Com sua arquitetura sólida e ornamentação detalhada, o prédio já teve múltiplas funções ao longo do tempo: delegacia, quartel dos bombeiros, coletoria estadual e até sede da Polícia Militar.



Atualmente, o Palácio da Justiça de Petrópolis abriga o campus do CEFET/RJ – Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, preservando a herança histórica e educacional do local.



Dali, seguimos até a Casa de Luiz da Rocha Miranda, filho do Barão de Bananal, e logo ao lado, a charmosa Casa de Cláudio de Souza.


A residência foi lar do renomado médico, escritor e dramaturgo Cláudio de Souza, membro da Academia Brasileira de Letras, que presidiu a instituição em 1938 e 1946, além de fundar o Pen Club do Brasil em 1936.


Em 1956, sua família doou o imóvel ao Museu Imperial, que o transformou em um espaço cultural dedicado à preservação de sua memória. Hoje, o local abriga móveis, obras literárias, fotografias, objetos pessoais e a biblioteca do autor, compondo um rico acervo histórico.


Encerrando esse trecho do passeio, chegamos ao Relógio das Flores, localizado em frente ao prédio do Campus BA da Universidade Católica de Petrópolis.

Inaugurado em 1972, em comemoração aos 150 anos da Independência do Brasil, o Relógio das Flores de Petrópolis combina engenharia, paisagismo e arte, marcando o tempo em meio às flores coloridas que adornam seu entorno, um símbolo vivo do charme e da pontualidade petropolitana.

Por fim, chegamos a um dos pontos turísticos mais emblemáticos de Petrópolis: a Casa de Santos Dumont, uma verdadeira joia da história brasileira e um símbolo do espírito inventivo de seu morador mais ilustre.

Museu Casa de Santos Dumont
Projetada pelo próprio Santos Dumont, a casa, carinhosamente batizada de “A Encantada”, foi construída em 1916 e hoje abriga o Museu Casa de Santos Dumont com um rico acervo sobre o ilustre brasileiro.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Museu Casa de Santos Dumont partindo do centro do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – Brasil:
Contatos do Museu Casa de Santos Dumont
- Endereço: Rua do Encanto, 22 – Centro | Petrópolis – Rio de Janeiro – Brasil
- Telefones: (24) 2246-9085 | (24) 2247-5222
- E-mail: casasantosdumont@gmail.com
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial do Museu Casa de Santos Dumont no Instagram.
Horários de Funcionamento
- Terça a domingo: das 10h às 17h
Valores de Ingresso
- Público em geral: R$ 10,00
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 1 hora

Projetada pelo próprio Alberto Santos Dumont, a casa, construída em 1916 e concluída em apenas três meses, reflete em cada detalhe a genialidade e o perfeccionismo do homem que o mundo reconhece como “O Pai da Aviação”.

Hoje transformada em museu, a Casa de Santos Dumont preserva um valioso acervo com objetos pessoais, livros, cartas, móveis originais e invenções que ajudam a contar a trajetória de um dos maiores gênios do início do século XX.

Situada em um terreno íngreme, a Casa de Santos Dumont só pode ser acessada por uma escada peculiar, com degraus em formato de raquete, desenhada para ser utilizada iniciando a subida com o pé direito.

Mais do que uma superstição, trata-se de uma solução funcional: a escada é estreita e inclinada, pensada para economizar espaço e evitar que o visitante bata a canela ao subir.

Santos Dumont batizou sua residência de “A Encantada”, nome que faz jus ao charme e à originalidade da construção.

No primeiro pavimento, funcionavam uma oficina de reparos e um laboratório fotográfico. Como o inventor não tinha o hábito de cozinhar, a casa não possui cozinha.


Para suas refeições, ele telefonava para o Hotel Palace (localizado onde hoje está a Universidade Católica de Petrópolis, em frente à casa) e pedia que a comida fosse entregue. Segundo registros, esse hábito fez com que Santos Dumont fosse considerado o precursor do delivery no Brasil.


“A Encantada” é um exemplo de engenhosidade aplicada ao cotidiano: compacta, funcional e sem divisões tradicionais entre os cômodos, a residência possuía móveis embutidos e aproveitamento máximo do espaço, um conceito visionário para a época.


No mezanino, ficavam o banheiro e uma ampla bancada que, à noite, era transformada pela governanta Dona Eulália em cama, com a colocação de um colchão de algodão.

O chuveiro com aquecimento a álcool, projetado pelo próprio Santos Dumont, é outro destaque que revela seu olhar inventivo.

No andar superior da casa, Santos Dumont construiu um pequeno observatório, refletindo sua paixão por contemplar o céu estrelado.

No andar superior, ele construiu um observatório, onde passava horas contemplando o céu, uma de suas maiores paixões. Foi ali, em 1918, que escreveu seu segundo livro, “O que eu vi, o que nós veremos”, no qual registrou suas ideias sobre o futuro da aviação e o avanço tecnológico da humanidade.

Ao sairmos para o terraço do Museu Casa de Santos Dumont, fomos surpreendidos por um visitante ilustre: um tucano, com seu bico colorido e plumagem vibrante, que chamou atenção entre o verde intenso das árvores ao redor, um belo símbolo da natureza exuberante que cerca a Cidade Imperial.

Nos fundos da Casa de Santos Dumont encontra-se a antiga residência da governanta, hoje transformada em um anexo expositivo.


O espaço abriga a mostra “Destacamento e Controle do Espaço Aéreo do Pico do Couto”, além de objetos e curiosidades que ilustram o gênio criativo de Santos Dumont.


Entre os destaques, está o triciclo movido a petróleo, considerado seu primeiro experimento mecânico. Em um de seus testes, ele suspendeu o veículo em um galho de árvore e percebeu que o motor vibrava menos quando não estava em contato com o solo, observação que inspirou a criação de seu primeiro balão motorizado, impulsionado por um motor de explosão e gás hidrogênio.


No mesmo espaço, há também uma maquete tátil de “A Encantada”.



Uma miniatura do 14 Bis, ou Oiseau de Proie (“ave de rapina”, em francês), e réplicas de móveis originais de Santos Dumont.


Entre eles, um conjunto curioso de mesa, cadeiras e escada inspirado no mobiliário que ele possuía em sua casa de Paris, onde as cadeiras tinham pernas de cerca de dois metros de altura, exigindo o uso de uma escada para servir à mesa.

“Em Paris, não há outra. Mas saberá você que todos os móveis da minha casa são iguais. Adoro as alturas. Necessito sentir-me no ar, é uma fobia. Não valho nada, nem posso fazer nada quando estou no chão”, declarou Santos Dumont, em uma de suas célebres frases.

Após explorarmos a Casa de Santos Dumont e mergulharmos na história do mineiro nascido em 20 de julho de 1873, seguimos morro acima, pelas íngremes ladeiras calçadas de paralelepípedos lisos.

No caminho, fomos presenteados com uma cena divertida: um caxinguelê, pequeno esquilo típico da Mata Atlântica, atravessou rapidamente nossa frente, marcando um momento inesquecível do passeio, pois foi a primeira vez que vimos um esquilo!

Depois de alguns minutos de subida, chegamos ao Trono de Fátima, um dos pontos mais altos e espirituais de Petrópolis (RJ).

Trono de Fátima
O Trono de Fátima oferece uma vista privilegiada e encantadora do centro histórico de Petrópolis.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Trono de Fátima partindo do centro de Teresópolis – Rio de Janeiro – Brasil:
Contatos do Trono de Fátima
- Endereço: Rua Padre Moreira – Valparaíso | Petrópolis – Rio de Janeiro – Brasil
- Telefone: (24) 99942-0313
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial do Trono de Fátima no Instagram.
Horários de Funcionamento
- Sábado e domingo: das 9h às 18h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos

O monumento religioso Trono de Fátima, projetado pelo engenheiro Heitor da Silva Costa (o mesmo do Cristo Redentor), foi inaugurado em 1947 e possui 14 metros de altura.

Sua cúpula repousa sobre sete colunas, que simbolizam os dons do Espírito Santo, e a escadaria que a contorna forma um grande rosário, com cada degrau representando um terço.

No centro da estrutura está a imagem de Nossa Senhora de Fátima, esculpida em mármore branco pelo artista italiano Enrico Arrighini. A escultura tem 3,5 metros de altura, pesa cerca de quatro toneladas e foi trazida da Itália em 1951, acompanhada por uma estátua do anjo Gabriel, com 1 metro de altura, posicionada no topo da cúpula.

O Trono de Fátima oferece uma das vistas panorâmicas mais belas de Petrópolis, de onde é possível contemplar o centro histórico e a vegetação exuberante que emoldura a cidade. Infelizmente, durante nossa visita, o local também estava fechado devido às restrições da pandemia, restando apenas admirar sua imponência à distância.

Com o fim da tarde se aproximando, iniciamos o retorno ao hotel. E, como em quase todos os dias da nossa Moto Expedição 2020: Belas Rotas, os primeiros pingos de chuva começaram a cair, encerrando mais um dia repleto de história, cultura e descobertas na charmosa cidade imperial de Petrópolis (RJ).
Oba! Já são 2 comentários nesta postagem!
A cidade é um verdadeiro museu a céu aberto, e a Catedral é simplesmente Maravilhosa…belíssimas fotos…
Bem isso! Uma linda cidade, repleta de histórias. Valeu, abraços…
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