Parque Municipal Barreirinha: o parque com mais araucárias e o segundo mais antigo de Curitiba, Paraná
2 de Julho, 2026
Implantado em 1972, o Parque Municipal Barreirinha é o segundo parque mais antigo de Curitiba e se destaca por concentrar a maior quantidade de araucárias entre os parques da cidade. Também conta com uma das nascentes do Rio Bacacheri, combinando natureza, história e lazer.
Quando se fala nos parques de Curitiba, capital do Paraná, nomes como Barigui, Jardim Botânico e Passeio Público costumam ser os primeiros que vêm à mente. Mas, na região norte da cidade, existe um espaço que merece entrar no roteiro de quem busca contato com a natureza e prefere lugares menos movimentados: o Parque Municipal Barreirinha.

Com 275.380 metros quadrados, o Parque Municipal Barreirinha é o segundo parque municipal mais antigo de Curitiba e se destaca por reunir o maior número de araucárias (árvore símbolo do Paraná, também conhecida como pinheiro-do-paraná) entre os parques da cidade.

Entre áreas de mata nativa, lagos e uma grande quantidade dessas árvores, o espaço abriga animais silvestres e oferece diferentes opções de lazer. Localizado no bairro Barreirinha, a cerca de 9 quilômetros do centro da capital paranaense, o parque tem entrada gratuita e pode ser uma ótima opção para quem quer fugir dos roteiros mais tradicionais e conhecer um lado mais natural de Curitiba, conhecida como a “Capital Ecológica do Brasil”.

Parque Municipal Barreirinha
O Parque Municipal Barreirinha é o 2º parque mais antigo de Curitiba e a unidade de conservação que concentra a maior quantidade de araucárias da cidade, além de reunir bosques, lagos e espaços de lazer em meio à natureza.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Parque Municipal Barreirinha partindo do centro de São Paulo – São Paulo – Brasil:
Contatos do Parque Municipal Barreirinha
- Endereço: Avenida Anita Garibaldi, 6.100 | Barreirinha – Paraná – Brasil
- Telefone: (41) 3350-6456
- E-mail: turismoserv@curitiba.pr.gov.br
Para obter informações mais detalhadas, visite o site oficial do Parque Municipal Barreirinha.
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: das 8h às 18h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 2 horas

Mas, antes de conhecer o parque como ele é hoje, vale voltar um pouco no tempo. A história do Parque Barreirinha está diretamente ligada à paisagem que originalmente cobria a região: a floresta de araucárias.

A origem de Curitiba e a relação com as araucárias
Muito antes da chegada dos colonizadores, o território onde hoje está Curitiba já era habitado por povos nativos, entre eles grupos de origem Jê, como os Kaingang, e do tronco Tupi-Guarani, como os Guarani e os Tingui.

Em meados do século XVII, exploradores portugueses e bandeirantes começaram a subir a Serra do Mar em busca de ouro e de indígenas, que eram capturados e escravizados.

Foi nesse cenário que, em 1654, às margens do Rio Atuba, estabeleceu-se um pequeno núcleo de moradores que deu origem ao vilarejo conhecido como Vilinha dos Cortes, Vila Velha ou, simplesmente, Vilinha.

Atualmente, o local onde esse primeiro núcleo se formou abriga o Parque e Centro Cultural da Vilinha, próximo à divisa de Curitiba com o município de Pinhais.

No final de 1668, com a instalação do pelourinho na atual Praça Tiradentes, a povoação passou a ser chamada de Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. O título de vila, porém, só foi oficialmente concedido em 29 de março de 1693, quando o Capitão Mateus Martins Leme criou a Câmara de Vereadores.

A data é considerada a fundação oficial da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, que hoje corresponde a Curitiba. Anos mais tarde, em 1721, durante a visita do ouvidor Raphael Pires Pardinho, o nome foi simplificado para Vila de Curitiba.

Por que Curitiba tem esse nome?
Mas por que Curitiba tem esse nome? A origem está relacionada à vegetação que marcava a paisagem local. De origem guarani, o termo Curitiba (kur yt yba) significa “grande quantidade de pinheiros” ou “pinheiral”, em referência à presença abundante de araucárias.

Era dessa forma que os povos nativos se referiam à região, então dominada por extensas florestas de araucárias, classificadas como Floresta Ombrófila Mista. Esse tipo de vegetação integra o bioma da Mata Atlântica e tem como espécie característica o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia).

Muito mais do que parte da paisagem, a floresta de araucárias era uma importante fonte de alimento e conhecimento, além de estar profundamente ligada à identidade territorial e à cultura dos povos que habitavam a região.

A floresta e sua principal árvore sempre foram elementos fundamentais na vida desses povos. Entre os Kaingang, a araucária ocupa lugar de destaque na cosmologia, na vida comunitária e em práticas rituais, sendo considerada uma árvore sagrada.

Já para os Guarani, especialmente os Guarani Mbya, a relação com a floresta de araucárias também envolve conhecimentos tradicionais, práticas de manejo e uma concepção de território que reúne natureza, cultura, espiritualidade e modo de vida.


Essa antiga paisagem de araucárias ajuda a compreender por que a espécie se tornou tão marcante na identidade do Paraná e de Curitiba. Parte dessa herança natural ainda pode ser encontrada dentro da própria cidade, especialmente no Parque Municipal Barreirinha, uma importante área verde da região norte da capital.


Uma das primeiras características que chamam a atenção durante a visita ao Parque Barreirinha é a sensação de estar em meio à natureza. Dos 275.380 m² que compõem o parque, mais de 200 mil m² correspondem a bosques e áreas de preservação natural.


Essa extensa cobertura vegetal desempenha uma importante função ambiental e contribui para a qualidade do ar de Curitiba. Não por acaso, o Parque Barreirinha é a unidade de conservação da capital com o maior número de araucárias.


Por sua riqueza vegetal, o Parque Barreirinha é um dos espaços de Curitiba com maior diversidade de fauna e flora e desempenha um importante papel na proteção e conservação desses recursos naturais.


Além das araucárias, algumas de grande porte, durante a visita é possível observar espécies nativas como aroeira, canela-sassafrás, bracatinga e erva-mate.

Esse verdadeiro patrimônio natural também tem valor científico e educativo. A área verde do Parque Barreirinha é utilizada por estudantes e professores universitários em aulas práticas, mostrando que sua importância vai muito além do lazer.


História do Parque Barreirinha
A criação do parque está diretamente relacionada à necessidade de preservar a floresta de araucárias que caracterizava o bairro Barreirinha. A área se destacava pela grande concentração dessas árvores, que ajudavam a definir a paisagem local.

Foi nesse contexto que, no início da década de 1950, o prefeito Erasto Gaertner começou a dar forma à preservação da área, destinando o terreno inicialmente à implantação do Horto Municipal.

Em 1959, a área foi transformada em unidade de preservação e passou a contar com o Horto Municipal.

A transformação em parque público aconteceu somente em 1972, quando a área foi oficialmente estruturada, urbanizada e inaugurada durante a gestão do prefeito Jaime Lerner.

Com a abertura ao público, o Parque Municipal Barreirinha tornou-se o segundo parque municipal mais antigo de Curitiba, atrás apenas do Passeio Público, criado em 1866.


O que fazer no Parque Barreirinha
Quem visita o Parque Municipal Barreirinha encontra opções para diferentes formas de lazer. Além do contato com a natureza, o espaço conta com playground, academia ao ar livre, aparelhos para alongamento, quadra esportiva de areia, ciclovias e alamedas para caminhar e correr.


O parque também possui quiosques com churrasqueiras, banheiros e amplo estacionamento, uma estrutura que facilita a permanência de quem pretende passar mais tempo no local.


Apesar de todos esses equipamentos, o que mais nos agradou foi justamente o baixo movimento de visitantes. O ambiente é silencioso, especialmente nos trechos cercados por árvores e próximos aos lagos.


É um daqueles lugares em que não há necessidade de preencher cada minuto com alguma atividade. Em meio aos bosques e aos lagos, aproveitamos a visita simplesmente para desacelerar e apreciar o ambiente ao redor.


Preparamos um chimarrão e fizemos um piquenique à beira da água, enquanto uma pequena queda-d’água seguia em direção ao lago. Ficamos ali, cercados pelo verde e pelo canto dos pássaros.


Para quem curte pedalar, a ciclovia interna do parque integra uma ampla rede cicloviária de Curitiba, conectando o passeio a outras áreas verdes da cidade, como os parques São Lourenço e Tingui.

Outro destaque é que grande parte dos caminhos e das pistas de caminhada do parque é asfaltada, o que facilita a circulação de cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Lagos, nascentes e animais silvestres
A água também compõe a paisagem do Parque Barreirinha. São três lagos e uma das nascentes do Rio Bacacheri, que integra a Bacia do Atuba.


Nos lagos, é possível observar peixes, cágados, patos, marrecos e gansos. Já nos bosques e nas demais áreas verdes, vivem diferentes animais silvestres, como preás, nútrias e caxinguelês.


A avifauna é outro destaque do Parque Municipal Barreirinha. O local reúne uma grande diversidade de aves, entre elas o sanhaço-cinzento, o guaxe, a gralha-picaça, a marreca-ananaí, o papagaio-verdadeiro, o grimpeiro e diferentes espécies de beija-flores.


Com mais de 140 espécies registradas no eBird, o Parque Municipal Barreirinha se destaca em Curitiba como um destino para a prática de birdwatching, ou observação de aves.


Ou seja, para quem gosta de passarinhar, uma caminhada pelo parque pode render encontros inesperados e transformar um simples passeio em uma oportunidade especial de descobrir novas espécies em meio à natureza.


Horto Municipal Barreirinha
Ao lado do parque funciona o Horto Municipal Barreirinha, em atividade desde 1959 e voltado a funções científicas e educativas. O local realiza pesquisas e produz espécies vegetais, além de cultivar mudas destinadas aos logradouros públicos e a projetos de paisagismo e arborização de Curitiba.

Anualmente, o Horto Municipal Barreirinha produz cerca de 100 mil mudas de espécies nativas, ornamentais e frutíferas, incluindo ipês, pau-ferro, sibipiruna e bracatinga. Ao todo, são mais de 150 espécies de árvores e arbustos ornamentais cultivadas em diferentes fases de desenvolvimento.


Proteção ambiental
O Parque Municipal Barreirinha também conta com uma estrutura voltada à proteção do meio ambiente: a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) da Polícia Civil do Paraná. A unidade funciona no local desde 2019, em um prédio cedido pela Prefeitura ao Governo do Estado.

A delegacia registra ocorrências relacionadas a crimes contra a flora e a fauna de Curitiba, incluindo casos de maus-tratos e tráfico de animais. Também atende ocorrências em situação de flagrante, para as quais não é necessário agendamento.

A presença da DPMA reforça o papel do parque como espaço dedicado não apenas ao lazer e à preservação, mas também à proteção do patrimônio natural.

A história do bairro Barreirinha
O bairro que dá nome ao parque também tem uma história própria, marcada principalmente pela imigração polonesa.

A formação do Barreirinha está relacionada a um núcleo estabelecido nas proximidades da Colônia Abranches. Ao longo do tempo, os imigrantes poloneses contribuíram para a formação da cultura, da agricultura e das tradições locais.

No século XIX, o milho e o centeio constituíam a base da produção agrícola e estavam entre os principais motores da economia local. Batatas e outros cereais também eram cultivados na região.

A influência polonesa chegou ainda à culinária, com receitas e costumes que permanecem na identidade do bairro, como a tradicional broa de centeio.


A região também ganhou destaque pela fabricação de carroças, utilizadas no transporte da erva-mate até Paranaguá pela histórica Estrada da Graciosa.


A origem do nome Barreirinha, por sua vez, é cercada por diferentes versões. Uma delas relaciona a denominação às condições úmidas e lamacentas do lugar, que dificultavam a passagem das carroças e faziam com que elas frequentemente atolassem.

Outra versão associa o nome à existência de uma barreira destinada à cobrança de impostos sobre as mercadorias que chegavam à região.

Vale a pena conhecer o Parque Barreirinha?
Alguns lugares não precisam estar entre os cartões-postais mais conhecidos de uma cidade para proporcionar uma boa experiência. O Parque Municipal Barreirinha, em Curitiba, é um desses casos.

A visita combina história, natureza e sossego: há caminhos para percorrer, paisagens para apreciar e um ambiente que naturalmente convida a desacelerar.


Para nós, foi um passeio simples, mas especial. Daqueles em que um piquenique, um mate e algumas horas cercados pelo verde acabam se tornando a melhor parte do dia.


Se você procura um lugar menos óbvio para incluir no roteiro por Curitiba, vale colocar o Parque Barreirinha no caminho. É um cantinho da capital paranaense que merece ser conhecido com calma.











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