Expedição 2022: Uruguay • Maldonado • Piriápolis • Uruguai
Fenômeno Natural da Espuma do Mar (Espuma Marina) e o Imponente Argentino Hotel de Piriápolis, Maldonado (Uruguai)
2 de Setembro, 2022
Conheça a curiosa e mística cidade balneária de Piriápolis, em Maldonado, sul do Uruguai. Visite o icônico Argentino Hotel de Piriápolis e surpreenda-se com a Espuma do Mar, um espetáculo natural que transforma o Rio da Prata em um cenário surpreendente.
Hoje exploramos o centro histórico de Piriápolis, uma cidade balneária cheia de mistérios e simbolismos em Maldonado, sul do Uruguai. Caminhamos pela charmosa Plaza Artigas, admiramos o suntuoso Argentino Hotel (por décadas considerado o mais luxuoso, confortável e maior hotel da América do Sul) e registramos a elegância clássica do Gran Hotel Piriápolis. Também presenciamos um fenômeno raro e fotogênico, a Espuma Marina en Piriápolis, um espetáculo natural que transforma as águas do Rio da Prata (que ali se comporta como mar) em um cenário surreal. No fim do dia, voltamos ao hostel para preparar receitas caseiras e saborear a culinária local, encerrando o passeio com aconchego e sabor.

A manhã de sexta-feira começou nublada e com um vento gelado soprando sobre Piriápolis, no departamento de Maldonado, Uruguai. Apesar do clima fechado, estávamos determinados a explorar parte da área central desse famoso balneário uruguaio, revigorados após uma noite de sono tranquila e um café quentinho, perfeito para iniciar o dia.

Piriápolis é um destino repleto de história, curiosidades e simbolismo. Inspirada nos balneários europeus, foi idealizada e fundada por Francisco Piria em 1893, durante o auge da Belle Époque, tornando-se a primeira cidade balneária do Uruguai. Localizada a menos de 100 quilômetros de Montevidéu e aproximadamente 38 km de Punta del Este, é uma parada estratégica e acessível para quem viaja pelo país.

Francisco Piria, figura visionária e considerado por muitos um alquimista, inicialmente batizou a área próxima à foz do Rio da Prata como Balneario del Porvenir (Balneário do Futuro). Entretanto, em 1904, a região já era conhecida como Piriápolis, nome inventado que significa, etimologicamente, “Cidade de Piria”. Com o passar das décadas, sua visão ambiciosa se consolidou, transformando o local em um importante polo turístico da República Oriental do Uruguai.
Cercada por montanhas e praias paradisíacas, Piriápolis impressiona tanto pela natureza exuberante quanto pelas simbologias alquímicas e maçônicas presentes em sua formação. O conjunto entre paisagens, arquitetura e o legado intrigante de seu fundador torna a cidade um lugar singular, envolvente e carregado de mistérios.

Iniciamos a caminhada pela Plaza Artigas, onde uma imponente estátua de José Gervasio Artigas ergue-se ao centro, acompanhada pela bandeira celeste tremulando ao vento. Limpa e acolhedora, a Praça Artigas fica diante da municipalidade e da Casa de la Cultura Piriápolis, servindo como um ponto de referência no coração urbano.

Ao deixar a Plaza Artigas, o tempo começou a abrir, com o azul voltando a ganhar espaço no céu até então tomado por nuvens densas. Seguimos por ruas ladeadas por construções pitorescas até chegar à Rambla de Piriápolis, também chamada de Rambla de los Argentinos. Trata-se de uma extensa e larga avenida beira-mar que se estende por toda a orla, oferecendo belas vistas da faixa de areia e das águas do Río de la Plata.
Nesse ponto, o vento sul se intensificou, agitando o estuário (frequentemente chamado de Mar del Plata) e formando ondas volumosas que reforçavam o caráter dramático daquele dia frio. Apesar do nome, o Rio da Prata não é exatamente um rio, mas o maior estuário do mundo, formado pela união dos rios Paraná e Uruguai e conectado ao Oceano Atlântico.

Abraçados e, por vezes, quase arrastados pelo forte vento gelado, nos deparamos com um fenômeno peculiar: uma infinidade de espuma se formava e acumulava nas águas, parecendo flocos de neve ou algodão. Impulsionada em direção ao litoral, chegava à areia, às calçadas e até às ruas próximas, criando um espetáculo incomum.
Depois descobrimos que o fenômeno natural, conhecido como Espuma Marina en Piriápolis (espuma do mar), ocorre quando a agitação das ondas mistura ar e compostos orgânicos dissolvidos na água, que atuam como surfactantes (semelhantes a detergentes naturais). Esse processo pode estar associado à floração de microalgas, que, ao se romperem, liberam proteínas e lipídios que colaboram para a formação da espuma. Embora seja uma cena fotogênica, pode indicar maior concentração de micro-organismos, sendo recomendável cautela ao entrar no mar, especialmente se houver odor forte ou coloração atípica. Naquele dia, porém, não havia cheiro desagradável, apenas um visual fascinante e curioso.

O frio intenso acabou abreviando nosso passeio pela orla. Cruzamos rapidamente a avenida e seguimos em direção a um dos maiores ícones arquitetônicos e turísticos de Piriápolis: o suntuoso Argentino Hotel.

O Argentino Hotel de Piriápolis impressiona pela imponência. Inaugurado por Don Francisco Piria em 24 de dezembro de 1930 e projetado pelo arquiteto francês Pedro Guichot, foi inspirado nos grandes empreendimentos da Riviera Francesa. Construído em um terreno de 1.500 metros quadrados à beira do Rio da Prata, envolveu mais de 1.000 trabalhadores ao longo de 10 anos.
Com 347 habitações, foi superado em capacidade apenas pelo Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, que tinha 350 quartos. No entanto, sua ampla infraestrutura (com diversas áreas anexas) fez dele o maior, mais confortável e luxuoso hotel da América do Sul durante muitos anos.

A inauguração do Hotel Argentino de Piriápolis contou com uma grande festa reservada a hóspedes uruguaios. Argentinos não puderam comparecer devido a questões políticas, o que levou Piria a defini-la como uma “temporada doméstica”. Relatos indicam que, naquela noite, aos 83 anos, ele sofreu uma queda ao escorregar no piso excessivamente encerado do saguão.
Entre as instalações de destaque estavam:
- Pabellón de las Rosas (sala de espetáculos, teatro e restaurante);
- Um amplo cassino;
- Lavanderia, fábrica de gelo, padaria e garagem coberta;
- Usina própria, responsável por gerar energia para toda a região.
Granito, pedra, areia e madeira utilizados na construção do Hotel Argentino eram de origem uruguaia. A louça foi importada da Alemanha, os copos da antiga Tchecoslováquia, as roupas de banho da Itália e o mobiliário da Áustria. Curiosamente, o hotel ainda mantém peças originais em depósitos: louças, talheres e trajes de banho adquiridos por Piria, que planejou o funcionamento contínuo do empreendimento por 100 anos.

A falta de uma gestão adequada gerou um processo de deterioração, que culminou em completo abandono em 1962. Com o tempo, o local foi restaurado e hoje funciona como Argentino Hotel Casino & Resort, classificado como 4 estrelas. Mantém o estilo arquitetônico dos anos 1930 e proporciona uma verdadeira viagem no tempo, com comodidades contemporâneas. O complexo inclui cassino, SPA, centro termal marinho e áreas esportivas. Atualmente, é reconhecido como monumento histórico do Uruguai e uma das atrações mais emblemáticas de Piriápolis.

Ao lado está o histórico Gran Hotel Piriápolis, inaugurado em 1904. Na época, seu maior atrativo eram os banhos marinhos com água quente, considerados um luxo que cativava os visitantes. Também oferecia talheres de prata e porcelana alemã, reforçando o requinte do estabelecimento.

Com a abertura do Argentino Hotel, o Gran Hotel Piriápolis passou a funcionar como alojamento complementar, enquanto seu antigo refeitório foi convertido em cassino. Hoje, serve como colônia de férias para funcionários da Educação Primária e não está aberto ao público.

Com o frio aumentando e as nuvens retomando o horizonte, decidimos retornar ao hostel. Aproveitamos a tarde para organizar equipamentos, lavar roupas e desfrutar da tranquilidade da cozinha compartilhada.

Com um pote de dulce de leche uruguaio em mãos, preparamos uma deliciosa torta de massa neutra recheada com creme caseiro de especiarias, sem adição de açúcar. A cobertura recebeu uma camada generosa de doce de leite e morangos frescos, combinando perfeitamente com um tradicional mate amargo (chimarrão), fechando o dia com um sabor típico e marcante.

À noite, criamos uma versão brasileira dos tradicionais ojitos uruguaios (também conhecidos como pepas argentinas). A massa, sem açúcar, levou coco ralado, raspas e suco de laranja, além de especiarias. O diferencial ficou por conta do recheio de doce de leite uruguaio com coco seco fresco, resultando em uma fusão de sabores que uniu elementos das duas culturas gastronômicas.

Com os quitutes prontos para o dia seguinte, nos recolhemos para descansar e recarregar as energias, ansiosos para continuar descobrindo as paisagens, curiosidades e encantos de Piriápolis.
Estamos ansiosos para ler tudo aquilo que tu tem para dizer! É chegado o momento de abrir este coração e compartilhar tua opinião, crítica (exceto algo desfavorável à imagem da Formosa), elogio, filosofar a respeito da vida ou apenas sinalizar que chegou até aqui ;)
Mas atenção, os campos marcados com * são de preenchimento obrigatório, pois assim mantemos (ou tentamos manter) o blog bonitinho, livre de robôs indevidos.
Ah, relaxe, seu endereço de e-mail será mantido sob sigilo total (sabemos guardar segredos, palavra de escoteiro) e não será publicado.