Expedição 2022: Uruguay • Maldonado • San Fernando de Maldonado • Uruguai
O que Fazer em San Fernando de Maldonado (Uruguai): Cuartel de Dragones e Torre del Vigía
1 de Setembro, 2022
Descubra o que fazer em San Fernando de Maldonado, no Uruguai. Explore o histórico Cuartel de Dragones, visite a Torre del Vigía e experimente a tradicional Torta Rogel em um roteiro cheio de história e cultura.
Dedicamos a chuvosa quinta-feira para explorar alguns dos principais atrativos de San Fernando de Maldonado, capital do departamento de Maldonado, no Uruguai. Mesmo sob garoa, caminhamos pela ampla Plaza de San Fernando, visitamos a catedral inaugurada em 1895 e apreciamos obras no Museo Colección Nicolás García Uriburu. Em seguida, mergulhamos na história no Museo Didáctico Artiguista – Cuartel de Dragones, um dos conjuntos coloniais mais importantes do país e local onde Artigas iniciou sua trajetória militar. Antes de seguir viagem de moto, ainda passamos pela Torre del Vigía e experimentamos um clássico local: a tradicional Torta Rogel.

Ainda durante a madrugada, uma fina garoa começou a cair, e Maldonado amanheceu sob um céu cinzento. Aproveitamos a manhã sem pressa: tomamos café, organizamos nossos equipamentos e preparamos a moto. Assim que a chuva deu uma leve trégua, seguimos rumo ao centro histórico, prontos para descobrir mais sobre essa importante cidade uruguaia.
Em poucos minutos chegamos ao coração da cidade: a Plaza de San Fernando de Maldonado. Renovada em 1975, a praça é ampla, bem cuidada e dominada por um grande chafariz central e pela imponente estátua de José Gervasio Artigas. Estacionamos a Formosa nas proximidades e começamos a explorar o espaço a pé, aproveitando também a estrutura com banheiros públicos gratuitos — algo sempre valioso para quem está na estrada.

Logo em frente à praça está a Catedral de San Fernando de Maldonado, cuja arquitetura neoclássica se destaca imediatamente na paisagem urbana. Atravessamos a Rua 18 de Julio e entramos no templo, cuja construção começou ainda no início do século XIX. Interrompida pelas invasões inglesas de 1806, a obra levou quase um século para ser concluída, sendo inaugurada apenas em 1895 pelo arcebispo de Montevidéu, Mariano Soler.
Catedral de San Fernando de Maldonado
A Catedral de San Fernando de Maldonado, construída entre 1793 e 1801, é um dos principais marcos históricos da cidade. Sua arquitetura combina elementos coloniais com uma imponente fachada neoclássica, refletindo a forte herança religiosa e cultural da região.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Catedral de San Fernando de Maldonado partindo do centro de Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil:
Contatos da Catedral de San Fernando de Maldonado
- Endereço: 18 de Julio – Centro | San Fernando de Maldonado – Maldonado – Uruguai
- Telefone: +598 4222 3342
- E-mail: parroquiasnfernando@gmail.com
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial da Catedral de San Fernando de Maldonado no Instagram.
Horários de Funcionamento
- Segunda a sexta: das 16h às 20h
- Sábado: das 8h às 12h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos
Declarada Monumento Histórico Nacional, a catedral possui uma nave principal, duas torres sineiras e uma cúpula central. O conjunto arquitetônico, em formato de cruz, é complementado por construções laterais e posteriores. No interior, o destaque é o Altar-Mor, obra de Antonio Veiga, premiada duas vezes na Exposição Continental de Buenos Aires, em 1882.

No centro do altar encontra-se a imagem da Virgem de Carmen, originalmente pertencente ao navio a vapor Ciudad del Santander, naufragado próximo à Ilha de Lobos em 1829. A escultura foi doada pelo Marquês de Comillas e hoje é venerada no templo. Na base do altar, uma pintura de Carlos de Santiago retrata a “Cidade de Santander”. Outro destaque é o Cristo Agonizante, uma escultura policromada de origem desconhecida, encontrada dentro de uma caixa na praia.

Após a visita, seguimos explorando o centro histórico de Maldonado. Passamos pela Jefatura de Policía e chegamos ao Museo Colección de Pintura y Escultura Nacional – Donación Nicolás García Uriburu, conhecido simplesmente como Museo Colección Nicolás García Uriburu.

Museo Colección Nicolás García Uriburu
Com entrada gratuita, o Museo Colección Nicolás García Uriburu abriga um relevante acervo de esculturas, pinturas, esboços e medalhas que retratam a arte uruguaia entre 1880 e 1945.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Museo Colección Nicolás García Uriburu partindo do centro de Punta del Este – Maldonado – Uruguai:
Contatos do Museo Colección Nicolás García Uriburu
- Endereço: 25 de Mayo esquina 18 de Julio – Centro | San Ferndando de Maldonado – Maldonado – Uruguai
- Telefone: +598 4222 6944
- E-mail: colecciongarciauriburu@gmail.com
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial do Museo Colección Nicolás García Uriburu no Instagram.
Horários de Funcionamento
- Terça a sábado: das 10h às 19h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 1 hora

A coleção inicial foi doada pelo arquiteto e artista argentino Nicolás García Uriburu e, ao longo do tempo, foi ampliada com novas contribuições. A exposição permanente reúne obras de importantes nomes das artes plásticas uruguaias, como José Luis Zorrilla de San Martín, José Belloni, Severino Pose e Edmundo Prati, além de esboços originais de esculturas e monumentos presentes em Montevidéu.

O acervo também inclui pinturas de artistas como Pedro Blanes Viale, Carlos María de Santiago, Rafael Barradas e José Cuneo. Tanto o museu quanto o edifício onde está instalado, localizado dentro do histórico Cuartel de Dragones de Maldonado, possuem o título de Monumento Histórico Nacional.

Na sequência, visitamos o vizinho Museo Didáctico Artiguista, conhecido como Cuartel de Dragones (ou Cuartel de Blandengues), considerado o conjunto arquitetônico colonial mais importante do departamento de Maldonado e uma das principais joias históricas do país. O local fazia parte do antigo sistema defensivo da região, evidenciando sua importância estratégica no período colonial.

Museo Didáctico Artiguista – Cuartel de Dragones de Maldonado
O Museo Didáctico Artiguista – Cuartel de Dragones de Maldonado, concluído em 1797, é reconhecido como o mais significativo conjunto arquitetônico colonial da região. Foi ali que José Gervasio Artigas iniciou sua carreira militar, ingressando como soldado e, anos depois, retornando como oficial veterano.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Museo Didáctico Artiguista – Cuartel de Dragones de Maldonado partindo do centro de Mondevideo – Mondevideo – Uruguai:
Contatos do Museo Didáctico Artiguista – Cuartel de Dragones de Maldonado
- Endereço: Pérez del Puerto esquina 18 de Julio – Centro | San Ferndando de Maldonado – Maldonado – Uruguai
- Telefone: +598 4222 5378
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial do Museo Didáctico Artiguista – Cuartel de Dragones de Maldonado no Facebook.
Horários de Funcionamento
- Quarta a domingo: das 15h às 21h | Temporada de verão
- Quarta a domingo: das 14h às 18h | Demais períodos do ano
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 1 hora
Projetado pelo engenheiro francês Juan Bartolomé Howel em 1771, o Cuartel de Dragones de Maldonado só seria concluído décadas depois, em 1797, sob a responsabilidade de Rafael Pérez del Puerto. Foi justamente ali que, em 10 de março daquele mesmo ano, José Gervasio Artigas — herói nacional do Uruguai — ingressou como soldado. Anos mais tarde, retornaria ao mesmo local como oficial veterano do Cuerpo de Blandengues de la Banda Oriental, consolidando sua trajetória militar.

A função do quartel era clara: servir como base para diferentes regimentos militares, abrigando tropas de forma temporária ou permanente e reforçando a defesa de pontos estratégicos como a Fortaleza de Santa Teresa, em Rocha, e a Fortaleza de Montevidéu. No entanto, sua construção avançou lentamente, marcada pela escassez de materiais e mão de obra especializada.
Para suprir essa demanda, foram mobilizados condenados vindos de Buenos Aires e Montevidéu, indígenas das missões jesuítas e trabalhadores oriundos de Santa Teresa. Pedra, tijolo, cal, madeira e telhas de barro deram forma ao imponente conjunto.

Em sua configuração original, o Cuartel de Dragones ocupava um quarteirão inteiro no centro de Maldonado, com aproximadamente 2.500 m². O complexo incluía armazéns, pavilhões, dormitórios, estábulos, campo de desfiles, poços de água, além de depósitos de armas e provisões. Havia ainda uma capela, inaugurada em fevereiro de 1801. Em seu auge, o local chegou a abrigar cerca de 600 soldados. Durante a invasão britânica de 1806, o quartel foi saqueado, embora a capela tenha resistido quase intacta.

O nome Cuartel de Dragones tem origem no Regimiento de Dragones de Buenos Aires, seus primeiros ocupantes, vinculados ao Vice-Reino do Rio da Prata. Com o passar do tempo, o espaço também esteve associado aos Dragones de la Libertad, ligados às forças artiguistas sob o comando de Otorgués, além do próprio Corpo de Blandengues, no qual Artigas atuou. Entre suas principais funções estavam o combate ao avanço português e a repressão ao contrabando em uma região de enorme relevância geopolítica.

Já no século XX, mais precisamente em 1969, o governo uruguaio iniciou um amplo processo de restauração, transformando o espaço no Museo Didáctico Artiguista. O local passou a ser dedicado à preservação da memória de Artigas e da história regional. Ao longo dos anos, novas estruturas foram incorporadas, como a estátua de Artigas instalada no pátio de armas em 1977, a Galeria dos Heróis inaugurada em 1980, com esculturas em bronze de importantes figuras da América, e uma réplica da espada de Artigas, adicionada em 1981.

Hoje, o Cuartel de Dragones se consolida como uma das principais atrações históricas e culturais de Maldonado, preservado como símbolo do patrimônio nacional. Apesar de o espaço frequentemente receber exposições itinerantes, durante nossa visita as salas estavam temporariamente fechadas. Ainda assim, caminhar por seus arredores foi suficiente para despertar a imaginação e nos transportar aos tempos de conflitos, estratégias militares e tensões fronteiriças.

Para compreender melhor a importância de Maldonado, é fundamental voltar ao século XVIII, quando a região passou a ter papel estratégico na disputa territorial entre impérios. Entre 1723 e 1725, o rei Felipe V da Espanha ordenou diversas tentativas de fundação de um povoado e de fortificação do Puerto de Maldonado, nas proximidades da atual Punta del Este. No entanto, as dificuldades de povoamento impediram o avanço dessas iniciativas.
A situação começou a mudar em 1750, com o Tratado de Madrid, que redefiniu as fronteiras entre Espanha e Portugal e reforçou a necessidade de consolidar o domínio espanhol na região do Rio da Prata. Poucos anos depois, em 1755, o governador de Montevidéu, José Joaquín de Viana, fundou um primeiro assentamento próximo a Portezuelo. Cerca de 20 meses depois, retornou com sete famílias indígenas das Missões Jesuíticas e transferiu o povoado para o local atual.

Com o crescimento da então Villa de Maldonado e a expansão das atividades rurais, surgiu a necessidade de organização administrativa. Em maio de 1783, os moradores concederam poderes a Dom Luis Estremera para conduzir a criação de um cabildo.
Após ajustes e tentativas, a eleição realizada em 14 de março de 1787 — e aprovada no dia 22 — oficializou o Cabildo de Maldonado, marcando a fundação da cidade de San Fernando de Maldonado. O nome homenageia o rei Fernando VI da Espanha, enquanto “Maldonado” remonta a 1530, quando o navegador Sebastián Gaboto deixou na baía o tenente Francisco Maldonado.

Atualmente, San Fernando de Maldonado conta com cerca de 100 mil habitantes e está localizada a aproximadamente 130 km de Montevidéu. A cidade preserva importantes marcos históricos, como o Cuartel de Dragones e a Torre del Vigía.
Seguimos até a Plaza del Vigía, antiga Plaza del Recreo, onde estão expostos canhões do século XVIII e um dos Marcos de los Reyes — esculpido em mármore branco com veios rosados, produzido em Lisboa em 1752 para marcar os limites territoriais entre Espanha e Portugal, conforme estabelecido no Tratado de Madrid.

Esse marco histórico permaneceu por muito tempo semienterrado na Serra do Carapé, após ter sido parcialmente destruído por ordem do General Cevallos. Apenas em 1895 foi transferido para sua localização atual. No mesmo espaço, destaca-se também a Torre del Vigía, uma construção neoclássica com cerca de 17 metros de altura, erguida entre 1797 e 1800.

Do alto da Torre del Vigía, militares avistaram a chegada da frota inglesa durante a invasão de 1806. Décadas depois, em 1934, o local testemunhou a passagem do dirigível LZ 127 Graf Zeppelin. Ao longo do tempo, diferentes bandeiras foram hasteadas ali — Espanha, Portugal, Brasil e Argentina — até que, em 1829, passou a tremular a bandeira da República Oriental do Uruguai.

O departamento de Maldonado, do qual San Fernando de Maldonado é a capital, é o terceiro maior do país. Localizado no sudeste uruguaio, faz fronteira com Lavalleja ao norte, Rocha ao leste, Canelones ao oeste e, ao sul, com as águas do Rio da Prata e do Oceano Atlântico.

Com a chuva voltando a se intensificar, deixamos a Torre del Vigía e fizemos uma breve parada no Paseo San Fernando – Escuelas de Arte. Em seguida, caminhamos até o restaurante Simple Sabores Caseros, onde saboreamos milanesas e, como não poderia faltar, a clássica Torta Rogel, tradicional doce uruguaio feito com várias camadas finas de massa intercaladas com doce de leite e coberto com merengue.

De volta à Plaza de San Fernando, nos deparamos com uma cena inesperada: nossa moto estava protegida por dois guarda-chuvas, cuidadosamente posicionados sobre os assentos cobertos por pelegos e sobre a mochila no bagageiro.
Logo descobrimos o responsável pela gentileza: Orlando, um simpático argentino, descendente de indígenas nativos, que trabalha como responsável pelo estacionamento na região. Conversamos por um bom tempo e, ao nos despedirmos, ele recusou qualquer gorjeta e ainda nos presenteou com uma caixinha de incensos. ¡Muchas gracias, Orlando!

Vestimos nossos trajes de chuva e deixamos o centro de Maldonado pela Ruta 10, sem qualquer expectativa de melhora no clima. Seguimos pela via duplicada até avistarmos a placa indicando a entrada de Piriápolis.

Já na cidade litorânea, fizemos uma parada em um mercado para comprar mantimentos e decidir onde passar a noite. Ao sair, presenciamos uma cena no mínimo curiosa: um cachorro sentado ao volante de um carro, como se estivesse estacionando. Talvez o mate uruguaio — preparado com erva-mate e cannabis — tenha sido mais forte do que imaginávamos.

Com a noite se aproximando, encontramos um hostel acessível na região central de Piriápolis. Para encerrar o dia, fomos jantar e experimentamos o Olímpico Pionono, um prato típico uruguaio preparado com pão de forma, presunto, queijo, molho de tomate e um leve toque gratinado.

Fomos dormir ao som constante da chuva, com a expectativa de que o tempo melhorasse no dia seguinte para explorarmos com mais calma essa curiosa cidade uruguaia.

Acima, está o mapa com o trajeto percorrido no dia, entre San Fernando de Maldonado e Piriápolis, no departamento de Maldonado, Uruguai.


Estamos ansiosos para ler tudo aquilo que tu tem para dizer! É chegado o momento de abrir este coração e compartilhar tua opinião, crítica (exceto algo desfavorável à imagem da Formosa), elogio, filosofar a respeito da vida ou apenas sinalizar que chegou até aqui ;)
Mas atenção, os campos marcados com * são de preenchimento obrigatório, pois assim mantemos (ou tentamos manter) o blog bonitinho, livre de robôs indevidos.
Ah, relaxe, seu endereço de e-mail será mantido sob sigilo total (sabemos guardar segredos, palavra de escoteiro) e não será publicado.