Arvorezinha • Brasil • Rio Grande do Sul
Viagem de Moto de Erechim a Arvorezinha: Cânion Perau do Facão e a Cachoeira Mais Bonita do Rio Grande do Sul
29 de Janeiro, 2022
Embarque em uma viagem de moto de Erechim a Arvorezinha para explorar o Cânion Perau do Facão e a cascata mais bonita do Rio Grande do Sul. Percorra trilhas entre araucárias e xaxins centenários e aproveite o acampamento no Parque das Araucárias.
Partimos de Erechim (RS) rumo a Arvorezinha (RS) em uma sexta-feira chuvosa para uma viagem de moto que combinou estrada, história e natureza, tendo como principal objetivo explorar o Cânion Perau do Facão e a impressionante Cachoeira Perau do Facão, eleita a cascata mais bonita do Rio Grande do Sul. Ao longo do trajeto, cruzamos cidades importantes do norte gaúcho e do Vale do Taquari, acampamos no Parque das Araucárias e percorremos trilhas marcadas por araucárias imponentes, xaxins centenários e trechos preservados de mata nativa.

Apesar da chuva que se iniciou em Erechim (RS) na tarde de sexta-feira, decidimos manter firme a programação e não abrir mão da viagem de moto planejada para o fim de semana, que incluía um acampamento.

Nosso destino era explorar o Cânion Perau do Facão, localizado no município de Arvorezinha (RS), e conhecer de perto uma das cachoeiras mais bonitas do Rio Grande do Sul: a Cachoeira do Perau do Facão. A região tem ganhado destaque nos últimos anos devido ao turismo de natureza, especialmente pelas formações rochosas, pelas matas preservadas e pela sucessão de vales que compõem o cenário local.

A chuva, aliás, era bem-vinda depois de tantos meses de estiagem que castigaram o Alto Uruguai Gaúcho e boa parte do sul do Brasil. A seca prolongada afetou lavouras, o abastecimento hídrico, rios importantes e toda a rotina das comunidades rurais.

Partimos da “Capital da Amizade”, Erechim (RS), pela rodovia RS-135, seguindo em direção ao sul. A cidade, que se consolidou no início do século XX com a chegada da ferrovia e de imigrantes europeus, tornou-se um polo econômico do norte gaúcho.

Ao contornarmos Getúlio Vargas (RS),nos deparamos com uma fila de veículos parados devido ao sistema de pare e siga, ocasionado pelas obras de manutenção na pista.

Poucos minutos depois, a pista foi liberada, permitindo que retomássemos a viagem de moto sob chuva constante até alcançar a entrada principal de Passo Fundo (RS), um dos grandes entroncamentos rodoviários do estado.

A ERS-135, inaugurada na década de 1970, possui cerca de 79 quilômetros e desempenha função essencial na ligação entre Erechim e Passo Fundo. Ela corre paralela à BR-153, a famosa Rodovia Transbrasiliana, que neste trecho ainda apresenta pavimentação de terra e pedras soltas.

Ao chegarmos ao grande trevo onde se encontram a RS-135, a BR-285 e o acesso ao centro de Passo Fundo, deixamos a rodovia estadual e seguimos rumo oeste pela BR-285.

Passo Fundo (RS), situada nesse importante eixo rodoviário, é reconhecida como um dos maiores centros urbanos do interior gaúcho. Fundada oficialmente em 1857, expandiu-se pelo tropeirismo, pela produção agrícola e, mais tarde, pela chegada da ferrovia. Hoje, destaca-se pelos setores educacional e de saúde, abrigando universidades, hospitais de referência e uma estrutura que atrai moradores de todo o norte do estado. Seu crescimento como hub logístico também impulsionou o desenvolvimento comercial e industrial.

A BR-285, por sua vez, é uma rota estratégica para o transporte de cargas entre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a Argentina. Ao longo de sua extensão, cruza áreas de transição entre o planalto e o litoral, contribuindo para o escoamento da produção agrícola e fortalecendo a integração entre cidades e regiões distintas.

Após uma breve pausa para hidratação, retomamos a viagem pelo anel viário de Passo Fundo. Com a diminuição da chuva, ingressamos na BR-153 rumo ao sul.

A Rodovia Transbrasiliana, uma das mais extensas do país com mais de 3.500 quilômetros, conecta o Rio Grande do Sul ao Pará. Além de sua relevância para o transporte de grãos e produtos industrializados, tornou-se referência por atravessar diferentes biomas, culturas e realidades brasileiras, sendo tema recorrente de estudos sobre logística e infraestrutura.


Depois de rodarmos apenas alguns quilômetros, encontramos outro trecho em pare e siga devido às obras de recuperação asfáltica.


Em seguida, atravessamos a pequena cidade de Ernestina (RS), emancipada nos anos 1980 e conhecida por sua calmaria típica.


A economia local gira em torno da agricultura familiar, destacando-se o cultivo de grãos e a pecuária leiteira, essenciais para o sustento de diversas famílias.


Seguimos até chegar ao município de Tio Hugo (RS), que recebe diariamente cerca de 25 mil veículos devido à sua localização estratégica.


A cidade está exatamente na metade do trajeto entre São Paulo e Buenos Aires, tornando-se um ponto de parada relevante para caminhoneiros e viajantes.


Ali, fizemos uma breve pausa para abastecer a Formosa, comer algo e retornar à BR-153, que compartilha o trajeto com a BR-386 entre Tio Hugo e Soledade (RS).


Pouco depois, o céu começou a abrir, revelando um horizonte azul à medida que nos aproximávamos de Soledade, um sinal de que o clima começava a mudar positivamente para os planos do fim de semana.


Soledade (RS) é conhecida como a “Capital das Pedras Preciosas” devido à sua forte indústria de extração e lapidação de gemas. O município realiza feiras e eventos que atraem visitantes do Brasil inteiro, além de manter vivas tradições trazidas por imigrantes italianos e alemães. Sua posição central no estado faz de Soledade um ponto estratégico para quem cruza o Rio Grande do Sul em diferentes direções.


Deixamos a pedagiada BR-386 e entramos na RS-332. A rodovia estadual é fundamental para conectar pequenas cidades do Vale do Taquari e das regiões vizinhas.


Embora estreita, a RS-322 é amplamente utilizada por moradores, produtores rurais e transportadores locais.


A partir desse ponto, adentramos a região conhecida como Vale do Taquari, uma das áreas culturalmente mais ricas do Rio Grande do Sul. Formado por municípios com forte influência italiana, alemã e pomerana, o vale destaca-se pela agricultura diversificada, pela produção de erva-mate e pelos roteiros turísticos associados à natureza e ao patrimônio histórico.



A geografia é marcada por vales profundos, morros suaves e rios que exercem papel vital no abastecimento e na economia regional, além de comporem cenários naturais belíssimos para quem viaja de moto.



Seguimos pela ERS-332 em meio a paisagens marcadas por pastagens, rebanhos, plantações e áreas destinadas à criação de ovinos.



A presença de araucárias, espécies nativas e matas preservadas reforça a transição entre o planalto e a serra, uma das características mais marcantes desta parte do Rio Grande do Sul.



Com o fim do dia se aproximando, chegamos à Rota da Erva-Mate, um percurso turístico que valoriza um dos maiores símbolos culturais do sul do país.



A erva-mate (Ilex paraguariensis), consumida principalmente no chimarrão e no tereré, tem origens indígenas profundas e foi amplamente incorporada pelos colonizadores europeus. A Rota da Erva-Mate destaca a importância econômica e sociocultural da planta, além de resgatar a história de famílias que há décadas produzem e beneficiam a erva.



Após rodarmos cerca de 200 quilômetros, finalmente alcançamos o destino do dia: Arvorezinha (RS). Sem entrar no centro, seguimos diretamente rumo a Fontoura Xavier, percorrendo poucos metros de calçamento até chegarmos ao Parque das Araucárias, ainda em território arvorezinhense.


Camping do Parque das Araucárias
O Parque das Araucárias, localizado a poucos quilômetros do centro de Arvorezinha – RS, é um autêntico refúgio natural, oferecendo um lago, pedalinhos, piscina, quadras esportivas, cabanas e uma extensa área de camping.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Camping do Parque das Araucárias partindo do centro de Passo Fundo – Rio Grande do Sul – Brasil:
Contatos do Camping do Parque das Araucárias
- Endereço: Estrada de Arvorezinha a Fontoura Xavier, 231 – Linha Gramado | Arvorezinha – Rio Grande do Sul – Brasil
- Telefones: (51) 3772-1231 | (51) 99959-6402
- E-mail: valdacir.araucarias@gmail.com
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial do Parque das Araucárias no Instagram.
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: 8h00 às 18h00
Valores de Ingresso
- Público em geral: R$ 30,00 | Este valor já inclui a taxa de entrada no parque.
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Comodidades e Informações Úteis
A seguir, apresentamos uma lista detalhada das comodidades oferecidas no Camping do Parque das Araucárias, acompanhada de informações essenciais para a sua estadia:
Área coberta para barraca:
Não
Área para fogueira:
Não
Banheiro:
Sim | Femininos e masculinos
Churrasqueira:
Sim | Em área aberta
Chuveiro:
Sim | Com água quente
Cidade mais próxima:
Arvorezinha | 2 km
Cozinha:
Não
Estacionamento ao lado da barraca:
Sim | Em área aberta
Iluminação:
Sim
Internet:
Não | Apenas na área administrativa
Quadra esportiva:
Sim
Lanchonete ou restaurante próximo:
Sim | Menos de 1 km
Mercado ou armazém próximo:
Sim | Menos de 2 km
Mesa com bancos:
Sim | Mesas e bancos em área aberta
Permite animais de estimação:
Sim
Piscina:
Sim
Playground:
Sim
Ponto de água:
Sim
Ponto de luz (tomada):
Sim | 220V
Sinal de celular:
Sim
Tanque para lavar roupa:
Não
Valor:
R$ 30,00 | A noite por pessoa



O Parque das Araucárias, em Arvorezinha (RS), foi criado com o intuito de preservar importantes áreas de floresta com araucárias, que hoje estão entre os ecossistemas mais ameaçados do país. A araucária, espécie dominante do bioma Mata Atlântica na região sul, sofreu forte redução devido à exploração madeireira intensa ao longo do século XX. Atualmente, a preservação de fragmentos remanescentes é fundamental para a manutenção da biodiversidade e para a sobrevivência de espécies associadas, como as gralhas-azuis.


Ao chegarmos à ampla área arborizada, encontramos um local apropriado para montar o acampamento antes do pôr do sol. Rapidamente erguemos nossa nova barraca (Naturehike Cloud UP) e organizamos os equipamentos.


Fomos recepcionados pelas animadas gralhas-azuis, aves inteligentes e conhecidas pelo papel ecológico essencial: são responsáveis por grande parte da dispersão das sementes do pinheiro-brasileiro. Ao enterrarem pinhões para alimentação futura, acabam favorecendo o surgimento de novas araucárias. Essa relação simbiótica é tão importante que muitos pesquisadores consideram a gralha-azul um dos principais agentes naturais de regeneração das florestas de araucária.



A oportunidade de ver animais em seu ambiente natural é sempre recompensadora. Permanecemos por alguns minutos apreciando as gralhas, cuja presença é considerada um indicador importante da boa qualidade ambiental, já que elas dependem de florestas saudáveis e da diversidade de alimentos para se manter. Observá-las livres, comunicativas e confiantes demonstra o equilíbrio do ecossistema local.


Depois de alguns minutos contemplando as gralhas-azuis, caminhamos pelos arredores do acampamento para explorar a área. O Parque das Araucárias possui trilhas curtas e sombreadas que permitem observar diferentes espécies de árvores nativas.


O aroma característico da resina das araucárias, somado ao canto dos pássaros e ao ritmo calmo do vento entre as copas, torna o ambiente ideal para desacelerar após um dia na estrada.


O Parque das Araucárias de Arvorezinha (RS) oferece ótima estrutura para camping: pontos de luz, água encanada, banheiros com chuveiros elétricos e diversas churrasqueiras.


Além disso, o local conta com lago com pedalinhos, quadra esportiva, salão de eventos, trilhas, piscina e cabanas para hospedagem, tornando o espaço adequado tanto para famílias quanto para aventureiros.


Após explorar a área, preparamos um chá da tarde que também serviu como jantar, saboreando frutas e sanduíches trazidos de casa. A refeição simples, somada ao ambiente acolhedor, reforçava aquela sensação de liberdade característica das viagens de moto e dos acampamentos ao ar livre.


Assim que terminamos de comer, nos acomodamos para apreciar o entardecer. O céu exibiu tons alaranjados e rosados, típicos das serras gaúchas no fim do dia.


Quando a noite caiu, nos recolhemos para descansar, pois no dia seguinte visitaríamos um dos principais atrativos naturais de Arvorezinha (RS): o fascinante Cânion Perau do Facão.


Antes de dormir, observamos as primeiras estrelas surgindo. A baixa poluição luminosa da região proporciona ótimas condições para observação do céu noturno, com destaque para constelações visíveis durante o inverno e outono no hemisfério sul.


Abaixo está o mapa com o trajeto percorrido no dia entre Erechim (RS) e Arvorezinha (RS):

Assim que o sábado amanheceu, fomos despertados pelo canto dos pássaros. Uma variedade de melodias ecoava entre as copas das árvores, marcando o início de um novo dia.


Antes mesmo do nascer do sol, começamos a preparar o café da manhã. A lua ainda brilhava timidamente enquanto o sol surgia iluminando as a copa das araucárias, aquecendo o ambiente e revelando uma paisagem serena.



Arvorezinha (RS), com cerca de 10 mil habitantes, está situada a aproximadamente 750 metros de altitude e a cerca de 200 quilômetros da capital Porto Alegre.



A cidade integra a região do Vale do Taquari e combina características de município serrano com um forte vínculo à agricultura familiar.



Sua localização elevada garante temperaturas mais amenas durante o ano, especialmente no outono e no inverno, o que atrai visitantes que buscam o clima típico da Serra Gaúcha sem a intensa movimentação turística de cidades mais famosas.



Os primeiros colonizadores europeus chegaram à região no início do século XX, em grande parte descendentes de imigrantes italianos oriundos de municípios como Antônio Prado, Veranópolis, Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Garibaldi.




Esses grupos contribuíram amplamente para o desenvolvimento econômico e cultural de Arvorezinha (RS), trazendo técnicas agrícolas, tradições gastronômicas e práticas comunitárias que moldaram a identidade local.




Na época, a região era chamada de Alto Figueira, possivelmente em referência a Lino Figueira, considerado um dos primeiros moradores do local. Segundo outra versão, o nome teria origem em uma figueira de porte modesto situada ao lado da igreja matriz.




Com o passar das décadas, a localidade recebeu diferentes nomes até ser oficializada como Arvorezinha. A emancipação, em 1959, consolidou a autonomia do município e abriu espaço para investimentos estruturais.




Atualmente, a economia local é fortemente sustentada por pequenas propriedades agrícolas, com destaque para o cultivo de erva-mate.




O setor é tão representativo que Arvorezinha (RS) abriga diversas indústrias ervateiras, o que lhe rendeu o título de “Terra da Erva-Mate e do Melhor Chimarrão”. A tradição do chimarrão integra o cotidiano dos moradores e reforça laços culturais transmitidos entre gerações.





Após o café da manhã, desmontamos o acampamento, carregamos a Formosa e nos despedimos do Parque das Araucárias.




A estrada que segue pelo interior de Arvorezinha rumo a Fontoura Xavier (RS) conserva características rurais marcantes. O trajeto é acompanhado por propriedades familiares, áreas de cultivo e bosques de araucárias.



Os primeiros metros da estrada são pavimentados com paralelepípedos, seguidos por um breve trecho asfaltado.




Adiante, a via se transforma em estrada de terra com algumas pedras soltas, característica comum nas regiões serranas onde a topografia acidentada e as chuvas frequentes influenciam diretamente a manutenção.




Apesar disso, o caminho estava em boas condições, permitindo avançar tranquilamente pelos cerca de 7 quilômetros de estrada de terra cercada por araucárias esguias e árvores de erva-mate espalhadas pelas encostas.




Ambas as espécies possuem grande valor ecológico e cultural, tendo sido amplamente utilizadas pelos povos indígenas antes mesmo da chegada dos colonizadores europeus.



Chegamos então ao acesso ao grande atrativo da viagem: o impressionante Cânion Perau do Facão.


Cânion Perau do Facão
O Cânion Perau do Facão é um verdadeiro santuário natural, cercado por uma ampla área verde que preserva a fauna e a flora. Sua peculiar formação geográfica surpreende e encanta com suas quedas d’água, incluindo a Cascata do Perau do Facão, eleita a cascata mais bonita do Rio Grande do Sul!
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Cânion Perau do Facão partindo do centro de Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil:
Contatos do Cânion Perau do Facão
- Endereço: Estrada de Arvorezinha a Fontoura Xavier – Barro Preto | Arvorezinha – Rio Grande do Sul – Brasil
- Telefones: (51) 99804-9600 | (51) 99959-6402
- E-mail: valdacir.araucarias@gmail.com
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial do Cânion Perau do Facão no Instagram.
Horários de Funcionamento
- Sábado, domingo e feriados: 8h00 às 17h30
Valores de Ingresso
- Público em geral: R$ 25,00
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 6 horas
Web Story
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No local, adquirimos os ingressos, colocamos as pulseiras de identificação e recebemos explicações detalhadas sobre o parque, incluindo curiosidades históricas e informações geológicas da formação.




A palavra “perau”, comum no vocabulário gaúcho, descreve um barranco íngreme ou precipício, geralmente associado a cursos d’água, exatamente a característica que marca o cânion.





Já o nome “Perau do Facão”, vem da formação geológica única da região, que lembra uma lâmina de facão devido ao seu formato estreito e alongado, especialmente visível de cima.





O Cânion Perau do Facão possui paredões de cerca de 80 metros de altura cobertos por vegetação nativa. A combinação entre as paredes rochosas, o desnível acentuado e a presença de água cria um cenário que impressiona mesmo em períodos de estiagem.





O Arroio Figueirinha, responsável por esculpir parte da formação ao longo de milhares de anos, percorre uma fenda estreita e forma a fabulosa Cascata do Perau do Facão com praticamente 80 metros de altura, que se diferencia por ter duas quedas de água consecutivas, separadas por um belo poço entre elas, criando um espetáculo natural único.





Inaugurado em novembro de 2021, o Parque Natural do Cânion Perau do Facão vem recebendo melhorias constantes, incluindo mirantes, áreas de descanso e trilhas bem estruturadas e sinalizadas.





Ao todo, o Parque do Cânion Perau do Facão conta com 2,9 quilômetros de trilhas divididas em quatro etapas: a Trilha Acessível, com 250 metros ao longo do topo do perau; a Trilha da Grutinha, que leva a uma pequena gruta próxima a uma das quedas; a Trilha das Corticeiras, que segue pela mata até um salto d’água; e a Trilha do Perau, que conduz aos pés da Cascata do Perau do Facão.





Antes da estrutura atual, moradores utilizavam uma trilha rústica para acessar o poço na base da cascata, especialmente para pesca. O traçado original serviu de base para as trilhas oficiais, agora equipadas com patamares, corrimãos e sinalização.




A Trilha Acessível, praticamente plana, foi projetada para receber pessoas com mobilidade reduzida, garantindo que todos possam contemplar o Salto do Perau do Facão.




O mirante superior oferece uma vista impressionante da queda, eleita em 2023 a cascata mais bonita do Rio Grande do Sul no concurso Batalha das Cascatas Gaúchas, superando 63 concorrentes.





Do alto, também é possível observar a Cachoeira da Grutinha e a Cachoeira das Corticeiras. Porém, devido à seca prolongada que atingiu o sul do país, ambas apresentavam vazão mínima, permitindo visualizar rochas que usualmente ficam submersas. Esse contraste evidencia o impacto direto do regime hídrico na paisagem e na experiência dos visitantes.




Ao chegarmos à chamada “ponta do facão”, onde a parte superior do cânion se afunila, iniciamos a descida por uma longa escadaria posicionada no declive acentuado.





A trilha segue pela Mata Atlântica, com presença de xaxins centenários, samambaias, bromélias e outras espécies nativas que formam um microclima úmido e fresco.




Circuito com Todas as Trilhas do Cânion Perau do Facão
Explore o circuito completo de trilhas do Cânion Perau do Facão e surpreenda-se com uma paisagem de tirar o fôlego, começando pela vista da Cascata do Perau do Facão de cima. Mergulhe no cânion, avance por meio da densa mata nativa, desbrave duas cascatas menores e chegue aos pés da imponente Cascata do Cânion Perau do Facão, com seus incríveis 80 metros de altura.
Informações da Trilha
Extensão, tempo e nível de dificuldade da trilha:
- Percurso: A trilha possui uma extensão de 2.900 metros.
- Duração: A média de tempo para completar a trilha é de 2 horas e 05 minutos.
- Nível de Dificuldade: O nível de dificuldade varia de médio a elevado.




Pouco depois, alcançamos o Arroio Figueirinha, que nasce em Arvorezinha (RS) e percorre vales e pequenas propriedades até desaguar no Rio Forqueta, afluente importante do Rio Taquari, um dos principais da bacia hidrográfica gaúcha.




Atravessamos o arroio saltando entre pedras até chegar à margem oposta, onde iniciamos uma subida que leva à pequena cavidade rochosa situada ao lado da Cachoeira da Grutinha.




Ali fizemos uma pausa para descansar, beber água e comer algumas frutas frescas.




O som suave da pequena queda d’água, mesmo reduzida, misturado à sombra das rochas, formava um ambiente agradável e convidativo ao descanso.




Após o breve intervalo, retornamos à trilha principal em direção à Cachoeira das Corticeiras, conhecida pelo paredão de rocha escura que forma o cenário da queda.




Durante o percurso, impressionavam especialmente os enormes xaxins que margeiam a trilha. Alguns exemplares, com troncos robustos e copas largas, podem ultrapassar várias décadas de idade, sendo considerados verdadeiros fósseis vivos da flora sul-americana. Caminhar entre esses gigantes naturais proporciona uma noção clara da antiguidade e da riqueza biológica preservada na região do Cânion Perau do Facão.




Devido ao período de estiagem, apenas um fio de água escorria pela Cachoeira das Corticeiras, mas ainda assim o local mantinha sua beleza singular, destacada pela textura das rochas e pelo silêncio predominante.




Sentamos em uma pedra aos pés da queda e ficamos observando a paisagem tranquila. O canto de alguns pássaros e a brisa leve criavam um ambiente naturalmente relaxante.




Ficamos imaginando como o local deve se transformar durante períodos de maior chuva, quando a vazão aumenta significativamente e a força da água toma conta do cenário.




Após a pausa, retomamos a caminhada rumo à maior queda do parque: a impressionante Cascata do Perau do Facão.




Acompanhando o Arroio Figueirinha, seguimos até que a vista se abriu e, finalmente, a Cascata do Perau do Facão surgiu diante de nós.





Mesmo com volume de água reduzido, a queda mantinha sua imponência. A água descia suavemente pelo paredão, formando um poço circular de coloração marrom-esverdeada.





Aproveitamos para fotografar o local, atravessamos novamente o arroio e seguimos adiante. O terreno molhado exigia atenção redobrada, especialmente levando em conta meu histórico de quedas com as mesmas botas, fiéis companheiras que já me derrubaram em Piratuba (SC), Guapimirim (RJ) e em muitos outros cantos do país.






Mas, para nossa surpresa, e imensa alegria de quem vos escreve, concluímos a trilha sem nenhum escorregão.





O caminho segue até uma pequena gruta formada atrás da Cascata do Perau do Facão.




Embora eu não tenha me arriscado na parte mais exposta, a valente Sayo e o destemido FredLee avançaram até lá, aproveitando a vista diferenciada oferecida pela cavidade natural e pela cortina d’água.




Depois, nos acomodamos em uma grande pedra em forma de poltrona natural, posicionada exatamente diante das duas partes da Castaca do Perau do Facão.



Ali preparamos nosso habitual tereré e degustamos alguns quitutes preparados pela Sayo no dia anterior, acompanhados de frutas. O momento se estendeu por longos minutos, ou talvez horas, enquanto apreciávamos a paisagem, ouvindo o som da água, observando borboletas coloridas e respirando o ar fresco da mata.



Com as energias renovadas, iniciamos o retorno pelo lado oposto do arroio, contornando o imenso paredão rochoso que sustenta o Perau do Facão.



O paredão rochoso que acompanha boa parte da trilha revela camadas formadas há milhões de anos, resultado de sucessivos derrames basálticos característicos da formação geológica do Planalto Meridional.



Essas rochas, originadas por antigas atividades vulcânicas, compõem grande parte do subsolo da região e são responsáveis pelos cânions, vales e paredões que hoje moldam a paisagem do Vale do Taquari. Caminhar ao lado dessas estruturas naturais é, de certa forma, percorrer um cenário que guarda registros importantes da história geológica do sul do Brasil.




Suados, cansados e com um enorme sorriso no rosto, alcançamos novamente o topo do Cânion Perau do Facão, onde a Formosa nos aguardava pronta para retornar ao centro de Arvorezinha (RS).



No caminho, fizemos uma breve parada para fotografar a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, um pequeno santuário que expressa a devoção religiosa local e integra o patrimônio cultural da cidade.


Locais como esse são comuns em regiões serranas e mantém viva a tradição das pequenas capelas construídas por comunidades de descendentes europeus.


Já no centro de Arvorezinha (RS), paramos diante do Museu do Tijolo, que, apesar de fechado, permitia observar por suas paredes de vidro um antigo Chevrolet pertencente à Cerâmica Fachinetto.


O museu valoriza a história da produção cerâmica da região, atividade importante durante décadas para o desenvolvimento urbano e econômico do município.


Arvorezinha (RS) também se destaca por preservar tradições culturais herdadas dos imigrantes, como festas comunitárias, celebrações religiosas e eventos ligados à colheita da erva-mate. A culinária típica, marcada por massas, queijos, salames e produtos coloniais, é outro aspecto valorizado pelos moradores e visitantes. Além disso, o município mantém diversos grupos de dança e coral que perpetuam costumes trazidos da Itália, fortalecendo a identidade local.


Outro elemento importante na história da cidade é o artesanato em madeira e fibras naturais, produzido por famílias que mantêm técnicas tradicionais há gerações. Esses trabalhos, muitas vezes vendidos em pequenas feiras e pontos comerciais do município, ajudam a fomentar a economia local e reforçam a vocação cultural da região.


Seguimos até o topo do morro onde está a Igreja São João Batista, visível de diversos pontos da cidade e até mesmo de trechos da rodovia que liga Arvorezinha a Ilópolis (RS).


Paróquia São João Batista – Igreja Matriz de Arvorezinha (RS)
Vista de praticamente toda a cidade, a Paróquia São João Batista – Igreja Matriz de Arvorezinha (RS) foi inaugurada em 1942.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Paróquia São João Batista – Igreja Matriz de Arvorezinha (RS) partindo do centro de Florianópolis – Santa Catarina – Brasil:
Contatos da Paróquia São João Batista – Igreja Matriz de Arvorezinha (RS)
- Endereço: Rua Osvaldo Aranha 169 – Centro | Arvorezinha – Rio Grande do Sul – Brasil
- Telefone: (51) 9878-1893
- E-mail: paroquiaarvorezinha@hotmail.com
Para obter informações mais detalhadas, visite a página oficial do Paróquia São João Batista – Igreja Matriz de Arvorezinha (RS) no Facebook.
Horários de Funcionamento
- Segunda a sexta: das 7h30 às 11h e das 13h30 às 17h30
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos


Inaugurada em 1942, a Igreja Matriz de Arvorezinha foi construída pelos próprios imigrantes e representa um importante patrimônio arquitetônico, com estilo que remete às construções típicas da colonização europeia no sul do país.



O entorno da igreja oferece uma vista privilegiada da área central de Arvorezinha (RS) e permite observar o desenho urbano marcado por ruas tranquilas, comércio local diversificado e bairros que cresceram de forma ordenada ao longo das décadas.


Defronte à igreja está a Prefeitura Municipal, instalada em um prédio organizado que centraliza parte dos serviços públicos.


A região ao redor forma um conjunto urbano agradável, com ruas limpas, áreas verdes e estabelecimentos que refletem o dinamismo do município.


Quando percebemos que já eram 16h, seguimos até um mercado para reabastecer os alforges da Formosa com água e alimento.


Decidimos passar mais uma noite no Parque das Araucárias, já que o local havia nos proporcionado uma experiência tranquila e acolhedora. Com a barraca montada novamente, encerramos o dia ao melhor estilo dos “motoqueiros malvadões”: saboreando um simples iogurte natural acompanhado de nutritivas bananas-passas preparadas pela Sayo.

No cair da noite, nos recolhemos para descansar, pois o dia seguinte promete mais estrada e novas descobertas pelo Vale do Taquari.

Oba! Já são 8 comentários nesta postagem!
Que relato fantástico, viajei com vocês ao admirar as belas imagens que registraram .
Vale a pena conhecer as belezas do município de Arvorezinha e região.. Voltem outras vezes
Olá Ludmila! Obrigado por interagir e viajar conosco :)
Arvorezinha – RS é, realmente, um município encantador!
Repleto de atrativos naturais, povo acolhedor e ótima estrutura para receber os visitantes.
Assim que surgir uma nova oportunidade retornaremos, para desbravar outros atrativos regionais.
Abraços.
Ah adorei a roupa nova do Fredlee🤩👍👏
FredLee com uma roupa mais confortável para encarar as trilhas :P
Lugar aprazível, de tirar o fôlego, natureza exuberante, colírio para os olhos, alento e energia para o corpo e a alma.
Ao mesmo tempo desafiador, pela altura e extensão do lugar, mas acredito que compensador , sentindo o corpo e a alma lavados pela beleza e energia dessa obra divina do Criador.
Muito bonitas as fotos e o relato detalhado da história local.
Gratidão por compartilhar tanta beleza e emoção!🙌🥰
De fato um lugar incrível, uma verdadeira maravilha natural, mesmo em época de estiagem o Cânion Perau do Facão impressiona por sua magnitude e encantamento, e todo o esforço físico é compensado pela recompensa que recebemos a cada passo vencido na trilha.
Obrigado por comentar. Beijos…
Valeu… mais uma aventura para a coleção, e como sempre LINDAS FOTOS.. abs
Boa! Obrigado por nos acompanhar e sempre interagir. Abraços…
Estamos ansiosos para ler tudo aquilo que tu tem para dizer! É chegado o momento de abrir este coração e compartilhar tua opinião, crítica (exceto algo desfavorável à imagem da Formosa), elogio, filosofar a respeito da vida ou apenas sinalizar que chegou até aqui ;)
Mas atenção, os campos marcados com * são de preenchimento obrigatório, pois assim mantemos (ou tentamos manter) o blog bonitinho, livre de robôs indevidos.
Ah, relaxe, seu endereço de e-mail será mantido sob sigilo total (sabemos guardar segredos, palavra de escoteiro) e não será publicado.