Expedição 2022: Uruguay • Maldonado • Piriápolis • Punta Colorada • Punta Negra • Uruguai
Viagem de Moto por Punta Negra de Portezuelo e Punta Colorada com Visita ao Castillo de Piria, em Piriápolis (Uruguai)
4 de Setembro, 2022
Embarque em uma viagem de moto pelas praias de Punta Negra de Portezuelo e Punta Colorada, no departamento de Maldonado, Uruguai. Visite o Parque La Cascada, a Iglesia e o Castillo de Piria. Finalize com um pôr do sol inesquecível no Puerto de Piriápolis.
Aproveitamos o domingo de sol para um agradável passeio de moto pela linda região do balneário de Piriápolis, no departamento de Maldonado, no Uruguai. Durante o roteiro, exploramos o Parque Municipal La Cascada, conhecemos a intrigante Iglesia de Piria e visitamos o interior do imponente e místico Castillo de Piria. À tarde, fizemos um piquenique nas impressionantes formações rochosas de Punta Negra de Portezuelo, avistamos baleia, leões-marinhos e lobos-marinhos nas águas do Río de la Plata, passamos pelas praias de Punta Colorada e encerramos o dia com uma caminhada pela Playa del Centro, seguindo pela Rambla de los Argentinos até o Puerto de Piriápolis, onde nos despedimos com um pôr do sol inesquecível.

Após uma noite revigorante, acordamos cedo, preparamos um café da manhã reforçado e seguimos para explorar ainda mais a charmosa e enigmática cidade balneária de Piriápolis, localizada no departamento de Maldonado, no sul do Uruguai.

A bordo da Formosa, percorremos algumas quadras até avistarmos o icônico Fiat 128 azul, ano 1983, conhecido como El Pitufín (Smurf), estacionado em frente ao histórico Argentino Hotel Casino & Resort. Sem perder tempo, paramos a moto ao lado do carro, ansiosos para encontrar seus proprietários: os argentinos Jessi, Nico e Samy, do perfil Aventura de 3 por America. Infelizmente, não estavam por ali, ou talvez ainda estivessem descansando, já que as janelas do Pitufín permaneciam fechadas e cobertas por cortinas. Aproveitamos o momento para deixar nosso adesivo no para-brisa, registrar o encontro com algumas fotos e continuar nosso passeio.

Seguimos pela Avenida Artigas, cruzamos uma pequena ponte que marca o início da Ruta 37 e, a menos de um quilômetro dali, fizemos uma parada para conhecer o Parque Municipal La Cascada. Esse foi um dos primeiros pontos turísticos idealizados por Francisco Piria durante o planejamento da cidade balneária de Piriápolis.
Parque Municipal La Cascada
Com uma bela queda d’água de cerca de 5 metros, o Parque Municipal La Cascada de Piriápolis é envolto por uma vasta área verde bem cuidada. O local oferece diversas comodidades, como churrasqueiras, bancos aconchegantes, um parque infantil, um anfiteatro ao ar livre e banheiros, criando um ambiente acolhedor e ideal para o lazer e relaxamento dos visitantes.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Parque Municipal La Cascada partindo do centro de Piriápolis – Maldonado – Uruguai:
Contatos do Parque Municipal La Cascada
- Endereço: Ruta 37, Km 1 | Piriápolis – Maldonado – Uruguai
- Telefone: +598 4432 3374
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: da 00h às 24h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos
Com uma bela queda d’água de aproximadamente cinco metros, o Parque Municipal La Cascada de Piriápolis encanta pela sua beleza natural. O local é cercado por uma área verde bem estruturada, com churrasqueiras, bancos aconchegantes, parque infantil, anfiteatro e banheiros públicos, criando um ambiente agradável e acolhedor para visitantes de todas as idades.

Durante nossa visita, a cascata que dá nome ao parque estava quase seca. Ainda assim, o espaço proporcionou uma caminhada tranquila, em um ambiente sereno e bem cuidado, perfeito para relaxar e aproveitar o contato direto com a natureza.

Dentro do Parque Municipal La Cascada de Piriápolis está localizado o Museo de la Fauna, que exibe impressionantes esculturas de animais e apresenta informações sobre a vida e os hábitos da fauna local. O espaço tem como objetivo promover o conhecimento das espécies autóctones e conscientizar os visitantes sobre a importância da conservação ambiental. O parque também abriga o Alternatus Uruguay, um centro educativo dedicado à criação e ao resgate de répteis, com atuação fundamental na preservação dessas espécies.

Após explorar o parque, seguimos por alguns metros pela Ruta 37 até chegar a outro ponto emblemático de Piriápolis: as ruínas da Iglesia de Piria, também conhecida como Iglesia Ortodoxa de la Dormición de la Virgen María.

A primeira menção de Francisco Piria à igreja em seus folhetos promocionais do balneário de Piriápolis data de 1914. Na ocasião, ele atribuía o projeto ao arquiteto Alfredo Jones Brown, responsável também pela construção do Hotel Piriápolis (inaugurado em 1904) e do chalé Les Mouettes, pertencente a seu filho Lorenzo Piria. A intenção de Piria era doar a igreja à Igreja Católica após a conclusão das obras. No entanto, a doação teria sido recusada, supostamente devido à presença de elementos arquitetônicos associados à alquimia e à alegada filiação maçônica de Piria. Esse episódio teria levado ao abandono da obra, que jamais foi finalizada. Pesquisas históricas posteriores, porém, demonstraram que tais acusações não encontram respaldo documental.
Iglesia Ortodoxa de la Dormición de la Virgen María – Iglesia de Piria
A construção da Iglesia Ortodoxa de la Dormición de la Virgen María, também conhecida como Iglesia de Piria, teve início em 1914, mas jamais foi concluída. Cercada de mistério e repleta de simbolismos, essa imponente edificação tornou-se um marco fascinante e enigmático de Piriápolis, despertando curiosidade e encantamento nos visitantes.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar na Iglesia Ortodoxa de la Dormición de la Virgen María – Iglesia de Piria partindo do centro de Punta del Este – Maldonado – Uruguai:
Contatos da Iglesia Ortodoxa de la Dormición de la Virgen María – Iglesia de Piria
- Endereço: Ruta 37, Km 2 | Piriápolis – Maldonado – Uruguai
- Telefone: +598 4432 3374
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: da 00h às 24h
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 30 minutos
A teoria mais aceita atualmente sustenta que o templo religioso não foi concluído porque Francisco Piria não possuía a aprovação formal da Igreja Católica para dar continuidade ao projeto. Segundo as normas da instituição, a doação de uma capela exige a participação e supervisão de arquitetos indicados pela própria Igreja desde o início da construção, e não a edificação independente para posterior doação. O impasse teria surgido justamente desse desacordo: Piria desejava concluir a igreja e, somente depois, oferecê-la à Igreja, enquanto a cúria rejeitou essa possibilidade, negando a autorização necessária para o prosseguimento da obra.

A fachada da Iglesia de Piria, construída em tijolos aparentes e composta por sete arcos, foi orientada em direção ao sol nascente, a leste, conforme as antigas Leis das Índias. Esse alinhamento arquitetônico, comum em igrejas mais antigas da América do Sul, também é recorrente em lojas maçônicas e templos de cultos ancestrais, reforçando a associação com simbolismos históricos e espirituais.
A orientação do edifício foi feita com extrema precisão: durante o equinócio da primavera, um raio de luz atravessa a rosácea da única torre central da fachada e ilumina um ponto exato do altar, onde existiam outras referências à alquimia. Algumas narrativas sugerem, inclusive, que Francisco Piria teria mandado construir a igreja com o desejo de que sua filha celebrasse ali o seu casamento, conferindo à edificação um significado ainda mais pessoal.

A Iglesia de Piria permaneceu abandonada por décadas, chegando a ser utilizada como depósito de lenha. Na década de 1980, o edifício foi adquirido por Enrique de la Piedra e Ana María Franco, ambos peruanos e membros da Igreja Ortodoxa da Dormição da Virgem Maria, sediada em Buenos Aires. O casal idealizou a transformação do local em um centro espiritual e cultural aberto a todas as denominações cristãs, sob a orientação do padre Jacques Goettmann, responsável pela condução das atividades e celebrações. Em 2000, uma celebração ecumênica oficializou a denominação do templo como Iglesia Ortodoxa de la Dormición de la Virgen María. Contudo, com a morte de Goettmann, em 2002, o projeto foi interrompido.

Embora o acesso ao interior da igreja seja restrito, caminhar ao redor da construção proporciona uma experiência singular, permitindo sentir a atmosfera envolvente do local, marcada por uma história fascinante e por detalhes arquitetônicos carregados de simbolismo e mistério. Após a visita, seguimos pela Ruta 37 rumo ao nosso próximo destino: o imponente Castillo de Piria, uma das maiores joias arquitetônicas e históricas de Piriápolis.

Antes de abordar o castelo, vale apresentar brevemente seu idealizador, Francisco Piria, uma das figuras mais emblemáticas e enigmáticas do Uruguai, reconhecido como um dos grandes pioneiros do turismo no país.
Museo Castillo de Piria
A construção do imponente Castillo de Piria foi iniciada por Francisco Piria em 1894 e, após três anos de intenso trabalho, foi inaugurado em 17 de agosto de 1897. Atualmente, o castelo é considerado uma das mais importantes joias arquitetônicas e históricas de Piriápolis, atraindo visitantes que se encantam com sua grandiosidade e legado.
Como chegar
Mapa e roteiro de como chegar no Museo Castillo de Piria partindo do centro de Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil:
Contatos da Museo Castillo de Piria
- Endereço: Ruta 37, Km 7 | Piriápolis – Maldonado – Uruguai
- Telefones: +598 4432 3374 | +598 4432 3268
Horários de Funcionamento
- Todos os dias: das 8h às 20h – com visitas guiadas às 11h, 14h e 17h | Temporada de verão
- Todos os dias: das 9h às 17h | Demais períodos do ano
Valores de Ingresso
- Público em geral: Gratuito
Recomendamos verificar as tarifas antes da sua viagem, pois os valores podem ser alterados a qualquer momento.
Tempo Médio de Visitação
- 1 hora
Nascido em Montevidéu, em 1847, com o nome completo Fernando Juan Santiago Francisco María Piria de Grossi, Piria foi enviado ainda criança para a Itália após a morte de seu pai. Criado por um tio jesuíta, que alguns afirmam também ser alquimista, recebeu uma formação sólida em filosofia, história e mitologia. Retornou ao Uruguai aos 16 anos, trazendo consigo uma bagagem cultural que influenciaria profundamente suas futuras realizações.

De volta ao país, Francisco Piria envolveu-se em diversas atividades e chegou a fundar cerca de 70 bairros em Montevidéu, além do povoado de Joaquín Suárez, no departamento de Canelones. Inicialmente, recusou-se a adquirir terras na região onde hoje está Piriápolis, quando Don Félix de Lizarsa, fundador da cidade vizinha Pan de Azúcar, tentou convencê-lo. Sua resposta tornou-se célebre: “Mire, don Félix, yo no soy tan tonto como para plantar mis jalones en el desierto”, referindo-se ao terreno arenoso, isolado e de pouco valor na época.

Anos depois, Piria mudou de opinião. Em 1889, adquiriu 2.700 hectares entre o Cerro Pan de Azúcar, a terceira maior elevação do Uruguai, com 423 metros, e o Río de la Plata. Inicialmente, utilizou as terras para o cultivo de uvas, oliveiras e tabaco. Inspirado pelos balneários mediterrâneos que conheceu em viagens pela Europa, concebeu então o ambicioso projeto da La Ciudad Balnearia del Porvenir (A Cidade Balneária do Futuro). Ao analisar o plano, o agrimensor Alfredo Lerena teria exclamado: “Irmão, você está louco!”.

A proposta de Piria era criar uma cidade autossuficiente, com forte projeção internacional, valorizando tanto as praias quanto as montanhas da região. Inaugurada em 1893, tornou-se o primeiro balneário planejado do Uruguai. Com o tempo, passou a chamar-se oficialmente Piriápolis, nome já utilizado informalmente pela população e que significa, etimologicamente, “Cidade de Piria”. Desde sua concepção, estava destinada a ser um grande destino atlântico, algo perceptível na grandiosidade de seus monumentos e nas simbologias alquímicas presentes em sua arquitetura.

Nesse contexto, o Castillo de Piria foi concebido pelo próprio Francisco Piria, com a obra supervisionada pelo arquiteto Aquiles Monzani. Construído entre 1894 e 1897, o castelo foi projetado como residência de verão de Piria e tornou-se um símbolo de sua visão e legado. Nada ali foi aleatório: sua localização estratégica oferece vistas privilegiadas do Cerro Pan de Azúcar, da Iglesia de Piria, do Cerro del Toro, do Cerro San Antonio e do Río de la Plata, integrando paisagem natural e simbolismo em uma composição única.

Inspirado nas vilas italianas do século XIX, o Castelo de Piria incorpora diversos elementos relacionados à alquimia, reflexo direto do profundo interesse de seu idealizador. Embora muitos desses itens tenham sido saqueados ou destruídos após a morte de Piria, em 1933, ainda é possível identificar símbolos de grande significado espalhados pela construção.

Entre os destaques estão a réplica de Mercúrio em Repouso, de Giovanni di Bologna, que representa Hermes, o patrono dos alquimistas; estátuas simbolizando as sete estrelas do mundo antigo, associadas aos processos de transformação alquímica; e uma imponente fonte com a estátua de Netuno, deus do “Caminho Úmido” da alquimia, que representa a jornada da Grande Obra. Outro detalhe curioso são as estátuas de galgos (lebreiros) que ladeiam a entrada principal. Esses cães simbolizam a matéria-prima da alquimia e a conquista da fixação, uma das etapas fundamentais do processo alquímico.

O interior do castelo foi restaurado e decorado com peças históricas provenientes do antigo Argentino Hotel, também construído por Francisco Piria e inaugurado em 1930. Embora nenhuma decoração original tenha sido preservada, o mobiliário de época confere charme ao ambiente e transporta os visitantes a outro período histórico. Em 1975, a propriedade foi vendida à família Comas Amaro e transformada em um espaço de dança chamado La Boite de los Espectros, sob a direção do renomado artista uruguaio Carlos Páez Vilaró, criador da Casapueblo.

O Castillo de Piria chegou a ser cogitado como residência presidencial, embora nunca tenha exercido essa função. Em 1980, passou para o município de Maldonado e foi transformado em museu municipal, com visitas guiadas e entrada gratuita. Desde 1984, é reconhecido como Monumento Histórico Nacional.

Após nos encantarmos com a história do castelo, subimos novamente na Formosa e seguimos até o Parque Pan de Azúcar, com o objetivo de percorrer a trilha até o topo do Cerro Pan de Azúcar. No entanto, devido às chuvas dos dias anteriores, a trilha ecológica encontrava-se temporariamente interditada, o que nos impediu de realizar a caminhada.

Decidimos então seguir viagem de moto sem um destino definido. Continuamos pela Ruta 37 até o entroncamento com a duplicada Ruta 10. Ali, viramos à direita e avançamos até alcançar a Avenida Américas Unidas, que nos conduziu até Barra de Portezuelo, onde reencontramos o mar, ou melhor, o Río de la Plata, com suas belas praias de areia dourada e impressionantes formações rochosas.

Ao passar por Punta Negra, a fome apareceu, e o cenário deslumbrante nos convidou a parar para saborear os sanduíches preparados com pão integral por quem vos escreve, Nico.

Enquanto almoçávamos, sob a companhia da lua brilhante destacando-se no céu azul, tivemos a sorte de avistar, bem à nossa frente, uma baleia e um leão-marinho nas águas do vasto Río de la Plata, que, apesar do nome, não é exatamente um rio, mas o maior estuário do mundo, formado pela união dos rios Paraná e Uruguai e conectado ao Oceano Atlântico.

Com sua ampla extensão, a Playa Punta Negra apresenta ventos constantes e águas agitadas, sendo ideal para quem busca tranquilidade e aprecia a imensidão da paisagem litorânea. É um refúgio perfeito para os amantes do silêncio e da contemplação, praticamente intocado, um verdadeiro paraíso para quem deseja se afastar da agitação e vivenciar a paisagem em seu estado mais puro.

O nome Punta Negra, tanto da praia quanto do costão rochoso, deriva da coloração escura das enormes pedras que marcam a paisagem e conferem identidade ao local. O balneário começou a se consolidar na década de 1960, abrangendo 54 hectares de terrenos urbanizados. Seu nome completo é Punta Negra de Portezuelo. Tradicionalmente uma vila de pescadores, seus moradores permanentes mantêm viva a pesca artesanal, o que garante ao balneário a mesma essência durante todo o ano, independentemente da temporada.

Punta Negra abriga ainda a única fazenda artesanal dedicada à criação de lagostas e peixes ornamentais do Uruguai, um desafio considerável, já que essas espécies são originárias de climas tropicais, enquanto o país possui clima predominantemente temperado. A iniciativa foi declarada de interesse departamental. Passamos algumas horas absorvendo a energia do lugar, admirando sua beleza natural e degustando um mate uruguaio acompanhado de suculentas morgotes (híbrido de tangerina com laranja), aproveitando o sol para “lagartear”, como se diz no Rio Grande do Sul.

Minutos depois, demos continuidade ao passeio de moto pela cênica Avenida Américas Unidas, uma das estradas mais belas que já percorremos com a Formosa.
Com temperatura amena, céu azul e asfalto impecável, avançamos por uma via sinuosa e estreita, cercados por paisagens naturais exuberantes, repletas de aves, animais marinhos e aquela sensação de liberdade que só uma viagem de moto é capaz de proporcionar. Sentindo o vento no rosto, o cheiro do asfalto e os sons ao redor, vivenciamos intensamente o Uruguai natural, que nos conquista cada vez mais.

Após Punta Negra, fomos surpreendidos por Punta Colorada, outro balneário pitoresco e encantador da região de Piriápolis, no departamento de Maldonado. Conhecida por sua ponta rochosa elevada de coloração avermelhada, que avança em direção ao Río de la Plata, essa formação deu origem ao nome do local e proporciona vistas privilegiadas e pores do sol espetaculares. Originalmente, toda a área era chamada de Punta Negra, mas em 1930, os pescadores passaram a denominá-la Punta Colorada, época em que o acesso só era possível por carroças puxadas por cavalos.

Punta Colorada é frequentada por surfistas, que encontram ali algumas das melhores ondas da região, juntamente com Punta Fría, e também por pescadores que aproveitam o terreno rochoso. Cercada por pedras, a Playa Punta Colorada oferece condições ideais para a pesca, sendo um dos principais pontos da região, frequentado tanto por pescadores experientes quanto por amadores. Quem já conhece o ritmo sereno do balneário costuma retornar para desfrutar dessa atmosfera sem pressa.

O local proporciona duas experiências distintas em suas praias: Mansa e Brava. Seguindo para leste, inicia-se uma área rochosa, preferida pelos pescadores, que gradualmente dá lugar à areia e à vegetação rasteira, conduzindo a uma praia mais selvagem, com águas profundas, dunas e campos ao redor. Ali começa a Playa Brava, uma das favoritas dos surfistas, mais frequentada pela manhã, já que o vento aumenta e a temperatura cai à tarde. Já a oeste, a Playa Mansa apresenta águas calmas e rasas, estreitando-se aos poucos e dando lugar a construções sofisticadas ladeadas por grandes rochas avermelhadas. É recomendada para visitas em família, especialmente após as 16h, quando o sol está mais ameno e o pôr do sol se torna um espetáculo à parte.

Com o fim do dia se aproximando, seguimos pela Rambla Costanera, passando pela Playa San Francisco, nome em homenagem ao fundador da cidade, Don Francisco Piria, um dos balneários mais jovens da região. Acessamos então a Rambla de los Ingleses, passando por Punta Fría, onde é possível saborear excelentes frutos do mar em diversos restaurantes. Pela Rambla de los Ingleses, retornamos ao centro de Piriápolis e adentramos a Rambla de los Argentinos, a principal avenida beira-mar da cidade. De volta ao hostel, deixamos a Formosa descansar, vestimos roupas mais leves, preparamos um novo chimarrão e saímos para explorar a pé o charmoso centrinho.

Logo passamos em frente ao histórico Hotel Colón, inaugurado em 1910, outro símbolo da época em que Francisco Piria iniciou a construção do balneário. Localizado em frente à Rambla de los Argentinos e à Playa de Piriápolis, o hotel destaca-se por sua arquitetura em estilo art nouveau, que lhe confere elegância e personalidade.

Bastou atravessar a avenida para chegarmos à Playa del Centro, também conhecida como Playa de Piriápolis, a praia mais movimentada da cidade. Situada no coração do balneário, junto à Rambla de los Argentinos, é a imagem mais característica da região e extremamente popular durante a alta temporada, ideal para quem deseja aproveitar o sol sem se afastar da área comercial.

Além da extensa faixa de areia dourada, a Playa del Centro de Piriápolis conta com uma área dedicada a esportes náuticos, como windsurf, jet ski, esqui aquático e passeios de banana boat. Há também quadras de vôlei e futebol, garantindo opções de lazer para todos os públicos.

Outro destaque da praia são os quebra-mares, construídos para proteger a faixa de areia da erosão. Além de funcionais, essas estruturas criam pequenas seções de praia com diferentes níveis de tranquilidade.

Da Playa del Centro, caminhamos pela Rambla de los Ingleses, onde fizemos algumas fotos no Mirador Suipacha, antes de continuar até o movimentado Puerto de Piriápolis.

Assim como outros pontos emblemáticos da cidade, o porto foi construído em 1915 por iniciativa de Francisco Piria. Localizado às margens do Río de la Plata, o Porto de Piriápolis destaca-se por suas modernas instalações náuticas desde a reabertura em dezembro de 1997, oferecendo segurança e fácil acesso para embarcações, sendo uma parada estratégica para navegadores da região.

Cercados por coloridos barcos de pesca artesanal, iates modernos e grandes veleiros, notamos intensa movimentação na água. Logo identificamos os responsáveis: ágeis mamíferos marinhos, possivelmente lobos-marinhos ou leões-marinhos, nadando a poucos metros de onde estávamos. Um verdadeiro espetáculo da natureza!

Pouco adiante, um enorme veleiro chamava atenção entre as embarcações atracadas. Aproximamo-nos e lemos seu nome: Doña Francisca, uma impressionante escuna de aproximadamente 52 metros de comprimento, que se destacava pelo porte e elegância.

Construída no estaleiro uruguaio Buquebus e inaugurada em 2014, a escuna Doña Francisca foi projetada pelo renomado arquiteto naval Javier Soto Acebal. Sua estrutura incorpora fibra de carbono em grande parte da construção, tornando-a única em sua categoria.

O interior foi inspirado em um navio britânico do início do século XX, combinando móveis de mogno com piso de madeira de castanho. A embarcação possui sete cabines, capacidade para até 14 pessoas, além de salões, lavanderia e escritório. A Doña Francisca é capaz de cruzar o Oceano Atlântico em menos de um mês, evidenciando sua sofisticação e desempenho.

Após fotografarmos a escuna, encontramos um local agradável para nos sentar e degustar os deliciosos pães de queijo preparados pela Sayo, feitos com cacau em pó 100%, especiarias e recheados com uma generosa porção do irresistível doce de leite uruguaio Los Nietitos.

O doce de leite é uma das iguarias mais tradicionais do Uruguai e, desde 1998, possui uma data comemorativa: o Dia Mundial do Doce de Leite, celebrado em 11 de outubro.
Como não poderia deixar de ser, existe uma grande discussão sobre sua origem: uruguaia ou argentina? Assim como o nascimento de Carlos Gardel e a criação do tango, o doce de leite é tema de debates apaixonados entre os dois países.

Uma das versões argentinas mais conhecidas sobre a origem do doce de leite remonta a 11 de outubro de 1829, curiosamente a mesma data escolhida para a comemoração do Dia Mundial do Doce de Leite, quando o político e militar argentino Juan Manuel de Rosas recebeu o general opositor Juan Lavalle em sua estância La Caledonia, visando assinar um acordo de paz no conflito entre unitários e federais. Segundo a lenda, uma das cozinheiras preparava a tradicional lechada, receita feita com leite e açúcar aquecidos. Ao se distrair, esqueceu a panela no fogo, provocando um cozimento excessivo. O acidente resultou em uma mistura semelhante ao caramelo, que, ao ser provada, agradou a todos.

Apesar de ser uma versão bastante romântica, ela diverge de outros registros históricos da própria Argentina. Há evidências anteriores, como cartas de 1814 que solicitavam o envio de doce de leite de Buenos Aires para Córdoba, além de relatos de 1817, quando o general Lavalle ofereceu um jantar a seu exército, no qual todos se deliciaram com o doce.

No Uruguai, a versão mais difundida atribui a criação do doce às freiras do Convento de Santa Clara, em Montevidéu, no século XVIII. Outras fontes indicam que a iguaria teria surgido no período colonial, criada por pessoas escravizadas como forma de aproveitar leite e açúcar disponíveis.

Em 2003, para encerrar a disputa, o Ministério da Educação e Cultura do Uruguai e a Secretaria de Cultura da República Argentina chegaram a um acordo: o doce de leite foi reconhecido como uma iguaria nativa da região do Río de la Plata, pertencente a ambos os países, sendo inclusive declarado Patrimônio Gastronômico pela UNESCO.

Disputas à parte, com o entardecer se aproximando, buscamos um local privilegiado para apreciar mais um espetáculo da natureza. Sentados sobre as enormes pedras da Punta Escollera de Piriápolis, acompanhamos o pôr do sol diretamente do porto.


A grande esfera luminosa foi lentamente desaparecendo no horizonte, sendo engolida pelas águas do majestoso Rio da Prata. O céu azul transformou-se gradualmente em uma paleta de cores intensas, refletidas nas águas à nossa frente. Sem dúvida, o pôr do sol de Piriápolis está entre os mais belos do Uruguai e de toda a América do Sul.


Que show da natureza! Assim, nos despedimos desse domingo com mais um pôr do sol inesquecível em terras uruguaias.


Com a noite caindo e o vento frio se intensificando, deixamos o Puerto de Piriápolis e caminhamos pelas ruas centrais até o hostel, onde finalmente fomos descansar.

Acima, o mapa com o trajeto percorrido ao longo do dia, partindo do centro de Piriápolis, no departamento de Maldonado (Uruguai), passando por Punta Negra e Punta Colorada.
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