Rota Cerro do Leão: viagem de moto por Inácio Martins, a cidade mais alta do Paraná
A Rota Cerro do Leão (PR-364) percorre 97 quilômetros entre Irati e Guarapuava, passando por Inácio Martins, a cidade mais alta do Paraná. Estreita, de mão dupla e sem acostamento, a estrada é asfaltada e reúne mais de 400 curvas em meio a paisagens cênicas, que vêm atraindo cada vez mais motociclistas.

Para quem planeja viajar entre Curitiba e Foz do Iguaçu, Cascavel ou Guarapuava, no interior do Paraná, ou fazer o sentido inverso, o Google Maps indica a BR-277 como a melhor alternativa. Pedagiada, a rodovia atravessa o estado no sentido leste-oeste, em um traçado que segue praticamente em linha reta.

Mas, se você gosta de estradas cênicas, especialmente se estiver de moto, há uma alternativa que vale a pena conhecer: a Rota Cerro do Leão, na PR-364.
A rodovia estadual PR-364 liga São Mateus do Sul a Guaíra e possui aproximadamente 590 quilômetros de extensão.
Onde fica a Rota Cerro do Leão, no Paraná?
No trecho entre Irati e Guarapuava, a PR-364 segue paralela à BR-277 e vem ganhando destaque entre os amantes das duas rodas.
Conhecida como Rota Cerro do Leão, essa parte da rodovia estadual percorre cerca de 97 quilômetros por uma região montanhosa do interior paranaense.
Asfaltada, de pista simples e mão dupla, a estrada é estreita, não tem acostamento em diversos trechos e apresenta uma sequência de curvas que tornam o percurso especialmente atraente para os motociclistas.

Além das características da própria via, a Rota Cerro do Leão passa pelo centro de Inácio Martins, considerada a cidade mais alta do Paraná, localizada a 1.198 metros acima do nível do mar.
Por atravessar uma das regiões mais elevadas do Paraná, a rota se destaca entre as estradas de maior altitude do estado.

Outro detalhe que chama a atenção é a quantidade de curvas: são mais de 400 em menos de 100 quilômetros de extensão.
Isso equivale a uma média superior a quatro curvas por quilômetro, proporção semelhante à da famosa Rota do Rastro da Serpente, que liga o Paraná ao interior de São Paulo.

Pois bem, aproveitamos um dia de sol para levar a Formosa, nossa Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014, para bailar pelas curvas da Rota Cerro do Leão. Partimos de Curitiba pela BR-277 e, ao chegar a Irati, cruzamos o centro da cidade e entramos na PR-364.
Logo nos primeiros quilômetros, já percebemos que a viagem seria especial. A estrada começa com uma sequência de curvas gostosas de fazer e diversas subidas, que aos poucos revelam lindas vistas do entorno.

Por que a rota se chama Cerro do Leão?
O nome da rota faz referência a um acidente geográfico da região conhecido como Cerro do Leão.
Entre os séculos XVIII e XIX, os tropeiros que transportavam gado pelos Campos Gerais utilizavam antigos caminhos e contornavam esse morro, ou cerro, como também era chamado.

A origem do nome estaria relacionada à presença de onças-pardas (Puma concolor), conhecidas na época por nomes como leão-baio ou leão-de-cara-suja.
À noite, os felinos rondavam os acampamentos e assustavam o gado transportado pelos tropeiros. Esses relatos foram passando de viajante para viajante e acabaram dando nome ao acidente geográfico e, mais tarde, à estação ferroviária local.
A denominação Rota Cerro do Leão foi oficializada por lei em 2022, com foco no mototurismo, justamente por causa das centenas de curvas que marcam o percurso.

A Rota Cerro do Leão e a Serra da Esperança
A Rota Cerro do Leão atravessa a Serra da Esperança, uma formação da Serra Geral na região da Bacia do Paraná.
Trata-se de uma grande escarpa que marca uma mudança bastante significativa no relevo paranaense.

De um lado está o Segundo Planalto e, do outro, o Terceiro Planalto, também conhecido como Planalto de Guarapuava ou Planalto Basáltico, a maior unidade geomorfológica do Paraná.
A paisagem reúne alguns dos elementos mais característicos da região, como florestas com araucárias, campos, banhados de altitude, vales, encostas, rios, saltos e mirantes naturais.

Por que a formação se chama Serra da Esperança?
Historicamente, transpor essa grande escarpa basáltica, que divide o Segundo e o Terceiro Planaltos, era uma das tarefas mais difíceis para viajantes, colonizadores, tropeiros e militares.
A subida ou a descida da serra representava um momento marcante da viagem. Uma das explicações tradicionais para o nome “Serra da Esperança” está justamente nessa experiência: depois de superar as partes mais difíceis do caminho, vinha a esperança de encontrar, do outro lado, terras férteis e melhores condições de vida.

Inácio Martins, a cidade mais alta do Paraná
Depois de rodar por praticamente metade da Rota Cerro do Leão, chegamos ao centro de Inácio Martins, conhecida como a cidade mais alta do Paraná, com sua sede urbana localizada a 1.198 metros acima do nível do mar.
Antes da colonização, a região era habitada por povos indígenas, entre eles grupos Kaingang e Guarani.

No início do processo de colonização, o antigo distrito de Guarapuava recebeu o nome de Guarapuavinha.
Mais tarde, o local passou a se chamar Ignácio Martins, em homenagem ao engenheiro que coordenou os trabalhos de construção da ferrovia local. Posteriormente, o “g” foi suprimido e o nome ficou Inácio Martins.
Com a chegada da estrada de ferro, a cidade tornou-se um importante ponto de abastecimento das locomotivas a vapor, as famosas “Marias-Fumaças”, fornecendo principalmente lenha e água para os trens.

No início da década de 1940, com a paralisação temporária das obras da ferrovia, a localidade, ainda chamada Guarapuavinha, passou a ser utilizada como ponto de embarque e desembarque de bovinos e suínos, vindos principalmente de Laranjeiras do Sul, Pitanga e Guarapuava.
Uma curiosidade é que, durante a construção de Brasília, grande quantidade de madeira de Inácio Martins foi utilizada nas obras da nova capital, principalmente pontaletes de pinheiro e imbuia.

O município foi emancipado em 1960 e atualmente conta com aproximadamente 12 mil habitantes. Sua economia é baseada principalmente na agropecuária, com destaque para a produção de pinhão.
Inácio Martins produz cerca de 700 toneladas de pinhão por ano, o que lhe rendeu o título de “Capital Paranaense do Pinhão”.

Ali aproveitamos para almoçar e caminhar pelo Eco Parque Terra dos Pinheirais, um amplo espaço de lazer ao ar livre, com entrada gratuita. O local conta com lagos, pista de caminhada, jardim francês iluminado, quadras esportivas e parquinho infantil.
Depois do almoço, voltamos a rodar pela Rota Cerro do Leão, que segue sinuosa até o entroncamento com a BR-277, no distrito do Guará, em Guarapuava, onde chegamos no meio da tarde.

Rota Cerro do Leão: vale a pena fazer esse caminho?
A Rota Cerro do Leão tem um movimento de veículos menor que o da BR-277 e acrescenta apenas cerca de 15 quilômetros à viagem.
O percurso, porém, é mais demorado por causa da grande quantidade de curvas, das mudanças de relevo e do intenso tráfego de carretas carregadas de madeira.

Rota CERRO DO LEÃO 🦁 400 curvas em 97 km 😲 Viagem de Moto por Inácio Martins, cidade MAIS ALTA do PR
Em compensação, as paisagens ao longo do percurso tornam a viagem especialmente agradável para quem gosta de explorar a estrada sem pressa.
Para motociclistas que buscam uma alternativa ao trajeto tradicional entre Curitiba e o oeste paranaense, a Rota Cerro do Leão é uma excelente escolha, combinando curvas, cenários naturais e o prazer de pilotar.

O mapa acima mostra o trecho da Rota Cerro do Leão, entre Irati e Guarapuava, no Paraná.
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