Centro histórico de Guarapuava, Paraná

O centro histórico de Guarapuava, Paraná, guarda uma história surpreendente e reúne construções que ajudam a contar a trajetória da cidade, como o Solar Casa do Visconde de Guarapuava e a Catedral e Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém. Além do patrimônio histórico, Guarapuava também encanta pelos seus espaços de lazer, como o Parque do Lago e a lendária Lagoa das Lágrimas.

Centro histórico de Guarapuava, Paraná

Após vencer mais de 400 curvas em menos de 100 quilômetros pela Rota Cerro do Leão, chegamos à BR-277, já em Guarapuava, o maior município do Paraná em extensão territorial, com mais de 3 mil km².

Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014 em frente à Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Cascata Rio das Pedras

Bastaram alguns quilômetros pela rodovia federal, seguindo sentido oeste, até alcançarmos a Cascata Rio das Pedras, que fica praticamente às margens da estrada.

Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014 em frente à Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Aproveitamos para estacionar a Formosa, nossa Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014, tendo a Cascata Rio das Pedras ao fundo, e registrar o momento com algumas fotos.

Informações da Cascata Rio das Pedras

A Cascata Rio das Pedras é uma queda-d’água natural com cerca de 10 metros de altura e acesso fácil. Ela está localizada às margens da BR-277, no km 330, a poucos quilômetros do perímetro urbano de Guarapuava, no Paraná.

Localização

Rodovia BR-277, Km 330 – Boqueirão

Guarapuava – Paraná, Brasil


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Telefone: (42) 3142-1480


E-mail


Horários de funcionamento

  • Todos os dias: 24 horas

Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.

Valores de ingresso

  • Público em geral: Gratuito

Tempo de visita

  • 30 minutos

Com o céu azul e o forte calor, caminhamos até a base da cachoeira por uma escadaria com corrimão e poucos degraus.

Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014 em frente à Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A pequena queda-d’água tem aproximadamente 10 metros de altura e é cercada por muitas árvores, entre elas várias araucárias, o tradicional pinheiro-do-paraná.

Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014 em frente à Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Na sequência, encontramos um local à sombra, onde nos sentamos por alguns minutos para descansar e saborear algumas bergamotas.

Antes de ir embora, seguimos pela trilha de terra batida que leva até o alto da cachoeira. Lá de cima, contemplamos a calmaria do rio, cujas águas logo despencariam pelo paredão rochoso.

Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

E, por falar em natureza, Guarapuava se destaca pela riqueza de suas paisagens, que incluem mais de 100 cachoeiras já catalogadas pelo município!

Essa impressionante abundância de quedas-d’água está diretamente relacionada ao relevo e à geografia local.

Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Guarapuava está localizada no centro-sul do Paraná, a cerca de 250 quilômetros de Curitiba, mais precisamente no Terceiro Planalto Paranaense, também conhecido como Planalto de Guarapuava, a maior unidade geomorfológica do estado.

Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A vegetação original predominante é a Floresta Ombrófila Mista, a chamada Mata de Araucárias, com belos remanescentes preservados e áreas destinadas à proteção ambiental.

Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O relevo apresenta ondulações suaves, intercaladas por vales e escarpas, enquanto a altitude varia entre 850 e 1.300 metros, com média de aproximadamente 1.120 metros na sede urbana.

Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Essas características ajudam a explicar o clima subtropical úmido de Guarapuava e fazem da cidade uma das mais frias do Paraná, com ocorrência frequente de geadas durante o inverno e até registros históricos de neve.

Cascata Rio das Pedras, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Da Cascata Rio das Pedras foram cerca de 20 minutos até chegarmos ao centro da cidade.

Por lá, procuramos um hotel para tirar as pesadas jaquetas de couro, vestir uma roupa mais leve e, então, iniciar nossa caminhada pelo centro histórico de Guarapuava.

Praça 9 de Dezembro, com a Catedral e Santuário Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Começamos nossa exploração pelo coração da cidade, passando pela arborizada Praça 9 de Dezembro, localizada em frente ao Santuário e Catedral Nossa Senhora de Belém.

Praça 9 de Dezembro, com a Catedral e Santuário Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O cenário ali revela um enorme contraste: de um lado, o Templo Histórico, antiga Igreja Matriz de Guarapuava, com seu charmoso estilo barroco e rococó, do outro, a moderna e imponente Nova Catedral Diocesana Nossa Senhora de Belém.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Como a entrada principal da antiga Igreja Matriz de Guarapuava estava aberta, decidimos entrar para conhecê-la. Assim que passamos pela porta, ficamos boquiabertos.

Informações da Catedral e Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém

O complexo religioso da Catedral e Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém reúne, lado a lado, o Santuário Diocesano, antiga Igreja Matriz de Guarapuava, construída em 1841 com traços barrocos e rococó, e a atual Catedral, projetada em 1998 e marcada por um estilo moderno.

Localização

Rua Visconde de Guarapuava, 236 – Centro

Guarapuava – Paraná, Brasil


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  • Segunda a sexta: das 8h às 11h30 e das 13h às 17h30
  • Sábado: das 8h às 12h

Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.

Valores de ingresso

  • Público em geral: Gratuito

Tempo de visita

  • 30 minutos

O teto de madeira e as paredes internas da histórica Catedral Nossa Senhora de Belém são delicadamente ornamentados com afrescos e pinturas sacras.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Durante nossa passagem pelo templo, inclusive, o espaço passava por um processo de revitalização, o que nos permitiu acompanhar de perto o trabalho da artista plástica Maria Fonseca, responsável pela restauração das pinturas e elementos decorativos do interior.

Nascida em Fortaleza (CE) e especialista em arte sacra e iconografia bizantina, ela possui mais de 25 anos de trajetória dedicados à conservação e restauração dessa tradição artística.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

História da Catedral Nossa Senhora de Belém

A construção da antiga Igreja Matriz de Guarapuava teve início em 1841. Sua planta estrutural foi desenhada pelo primeiro pároco da cidade, Francisco das Chagas Lima, mais conhecido como Padre Chagas.

Como a obra foi erguida com o esforço e as doações da comunidade local, os trabalhos avançaram lentamente e levaram cerca de 30 a 40 anos, sendo concluídos apenas na década de 1880.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O altar-mor foi construído por dois padres vindos de Minas Gerais. A pintura, porém, só foi realizada em 1922 e, assim como a arquitetura, apresenta características dos estilos barroco e rococó.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Pouco depois, na década de 1930, foi necessário ampliar os fundos da igreja. Essa parte ainda pode ser identificada atualmente pelos tijolos deixados à vista.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Em 1966, a Igreja Nossa Senhora de Belém passou a ser Catedral Diocesana.

O primeiro bispo de Guarapuava foi Dom Frederico Helmel. Quando faleceu, seu corpo foi sepultado dentro do templo, onde permanece até hoje.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Onze anos depois, em 1977, surgiu um movimento favorável à demolição da Catedral. Algumas famílias tradicionais da cidade impediram que a ideia fosse adiante.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Lenda da Serpente de Guarapuava

É justamente nesse contexto que aparece uma lenda local. Segundo a tradição, uma enorme serpente repousaria sob o solo guarapuavano, com a cabeça debaixo da Catedral e a cauda na Lagoa das Lágrimas.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Há diferentes versões sobre o que aconteceria caso a criatura despertasse. Em uma delas, a destruição da Catedral poderia provocar o despertar da grande cobra, que, enfurecida, seria capaz de destruir toda a cidade com um único movimento.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Pelo sim, pelo não, a população preferiu preservar a antiga construção e buscar uma alternativa para acomodar o crescente número de fiéis.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A Nova Catedral Diocesana Nossa Senhora de Belém

Na década de 1990, começaram os estudos para a construção de uma nova Catedral no mesmo conjunto religioso, preservando o templo histórico. Em 1998, foi realizado um concurso para a escolha do projeto arquitetônico.

O trabalho vencedor foi desenvolvido pelo arquiteto Paulo Ernesto Siqueira Martins, com um conceito que representa o Espírito Santo de asas abertas sobre Guarapuava, sem ofuscar a beleza e a importância histórica da antiga igreja.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

As obras tiveram início no ano 2000 e se estenderam por mais de duas décadas. Mesmo ainda não totalmente concluída, a nova Catedral passou a acolher plenamente as principais funções da Diocese e a celebrar suas missas solenes.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Com isso, a nova igreja assumiu a função de Catedral Diocesana Nossa Senhora de Belém, enquanto a antiga construção, carinhosamente conhecida como “Catedral Velha”, recebeu uma nova missão: tornou-se o Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Embora as obras da Catedral Nossa Senhora de Belém tenham começado apenas em 1841, chama a atenção o fato da Paróquia Nossa Senhora de Belém ter sido criada muito antes, em 11 de novembro de 1818, por Alvará Régio de Dom João VI.

Para compreender melhor essa história, é preciso voltar um pouco no tempo e conhecer o contexto da região naquele período.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Antes da colonização

Antes da chegada dos colonizadores, o imenso território de Guarapuava (que somava impressionantes 175 mil quilômetros quadrados e abrangia quase metade do atual Paraná, estendendo-se até as fronteiras com a Argentina) era ocupado por povos indígenas.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Entre seus habitantes estavam os Kaingang, representados por comunidades como os Camés, Votorões e Cayeres, além dos chamados Dorins e Coroados. Documentos históricos também fazem referência aos Botocudos.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Durante séculos, os colonizadores portugueses não conseguiram avançar por essas terras por dois motivos principais.

O primeiro era a imensa barreira natural formada pela Serra da Esperança, uma escarpa da Serra Geral localizada na região da Bacia do Paraná.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A Serra da Esperança

A Serra da Esperança marca uma mudança significativa no relevo paranaense. De um lado está o Segundo Planalto, do outro, o Terceiro Planalto, também conhecido como Planalto de Guarapuava ou Planalto Basáltico, a maior unidade geomorfológica do Paraná.

Sua paisagem reúne alguns dos elementos mais característicos do Paraná: florestas de araucárias, campos, banhados de altitude, vales, encostas, rios, saltos e mirantes naturais.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A bravura dos Kaingang

O segundo motivo (provavelmente o mais importante) era a forte resistência dos povos indígenas, que defendiam seu território com grande determinação.

Tanto que os campos que receberam o nome de Guarapuava (do tupi-guarani, guará, lobo, e puava, bravo) só foram oficialmente avistados pelos portugueses em 1770, quando as chamadas Expedições do Tibagi chegaram às vastas pastagens naturais da região.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A Coroa Portuguesa tinha pressa e fortes motivos para ocupar aquele aparente “vazio” no mapa. O principal objetivo era garantir a posse das fronteiras do sul do Brasil diante dos avanços espanhóis, além de abrir novas rotas para o comércio de gado e ampliar o território sob domínio português.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Entre a descoberta da região e sua efetiva ocupação, porém, passaram-se décadas de tentativas de colonização frustradas pela oposição dos povos originários.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Real Expedição de Conquista e Povoamento dos Campos de Guarapuava

A situação mudou quando, incentivado pela elite agrária paulista e curitibana e preocupado em garantir as fronteiras do Império contra os espanhóis, o Príncipe Regente Dom João VI assinou, em 1808, uma polêmica “Carta Régia” que declarava guerra ofensiva contra os indígenas Kaingang.

O documento autorizava o uso da força militar e a prisão dos nativos que resistissem ao avanço das sesmarias.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Nascia, assim, a Real Expedição de Conquista e Povoamento dos Campos de Guarapuava, uma das operações militares e de colonização mais brutais e estratégicas do início do século XIX no Brasil.

A expedição foi planejada para abrir e dominar o interior paranaense.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Para cumprir a ordem real, foi montada uma estrutura administrativa e militar liderada por Antônio José de Franca e Horta, governador da Capitania de São Paulo. A comitiva era formada por:

  • O comandante: o Tenente-Coronel Diogo Pinto de Azevedo Portugal, experiente militar de origem portuguesa radicado no Brasil.
  • O diretor espiritual e etnógrafo: o Padre Francisco das Chagas Lima, enviado especialmente pelo clero paulista para prestar assistência religiosa e atuar no aldeamento e na catequese dos indígenas sobreviventes.
  • A tropa e os colonos: cerca de 300 famílias, entre soldados da milícia, técnicos, civis voluntários em busca de terras e até prisioneiros enviados ao degredo (uma forma de punição da época que consistia em exilar pessoas para povoar regiões perigosas e isoladas).
Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A chegada aos campos de Guarapuava

A expedição não chegou rapidamente ao destino. Partiu do porto de Santos, em julho de 1809, desembarcou em Paranaguá e seguiu até Curitiba, onde se concentrou.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A marcha por terra teve início em agosto daquele ano e, diferentemente das expedições anteriores, que utilizavam o Rio Iguaçu principalmente como via de deslocamento, a comitiva comandada por Diogo Pinto abriu caminhos, derrubou matas e construiu pontes.

Isso permitiu um avanço mais amplo, mas também mais demorado.

Interior do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Foram necessários quase doze meses para atravessar a densa floresta e subir a Serra da Esperança.

O diário do Padre Chagas Lima registra os extremos contratempos enfrentados pelo grupo: chuvas torrenciais incessantes, o frio rigoroso do inverno, a falta crônica de alimentos e surtos de doenças que abateram muitos homens.

Vista pela janela do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Finalmente, em 17 de junho de 1810, a vanguarda da expedição pisou nos campos centrais de Guarapuava.

Como aquele era o Dia da Santíssima Trindade no calendário católico, a parada foi batizada de Campos da Trindade.

Lateral do Santuário Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O Fortim do Atalaia

Para garantir a sobrevivência em um território considerado hostil e proteger a expedição dos constantes ataques indígenas, a primeira grande medida adotada foi de caráter militar.

Sob as ordens de Diogo Pinto, os colonizadores ergueram o Fortim do Atalaia, na região que hoje corresponde ao distrito de Palmeirinha.

Catedral Diocesana Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O nome Atalaia veio da estrutura elevada construída no local, de onde uma sentinela podia observar uma grande extensão dos campos e vigiar a aproximação de possíveis ameaças.

Construída com troncos de madeira e cercada por valas, a fortificação tornou-se o marco inicial da colonização e o escudo protetor a partir do qual, anos mais tarde, surgiria a cidade de Guarapuava.

Catedral Diocesana Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Logo após a construção do fortim, os expedicionários passaram a sofrer pesados cercos dos indígenas.

A superioridade bélica das tropas, que utilizavam armas de fogo contra os arcos e flechas dos Kaingang, acabou sendo decisiva nos confrontos, que se prolongaram por meses, entre períodos de vigilância e combates violentos.

Interior da Catedral Diocesana Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Ainda em 1810, os Kaingang foram vencidos pelas tropas de Diogo Pinto, e os chamados campos de Koran-bang-rê, nome utilizado pelos próprios indígenas para designar o território, passaram ao domínio português.

Interior da Catedral Diocesana Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A disputa pelo local da futura cidade

O plano original de Diogo Pinto de Azevedo Portugal não previa a fundação da cidade onde ela se encontra atualmente.

O tenente-coronel pretendia estabelecer o núcleo urbano mais ao sul, nas proximidades do Pontão das Estocadas, no território que hoje corresponde ao município de Pinhão, ou simplesmente manter o crescimento colonial concentrado no entorno do Fortim do Atalaia.

Do ponto de vista militar, o fortim oferecia segurança e ocupava uma posição estratégica.

Lateral do Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O Padre Francisco das Chagas Lima tinha uma visão diferente.

Para ele, os arredores da fortificação eram úmidos, acidentados e pouco favoráveis à expansão agrícola. Além disso, o sacerdote pretendia afastar a população civil e seu projeto de aldeamento dos indígenas da forte e violenta influência direta das tropas militares.

Catedral e Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A grande oportunidade surgiu em 1818. Durante uma viagem oficial de Diogo Pinto, Padre Chagas, que já havia articulado com o bispo de São Paulo e obtido um Alvará Real autorizando a criação da paróquia, decidiu agir.

Detalhe da fachada de uma construção no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Unindo-se ao comandante interino da expedição, Antônio da Rocha Loures, organizou por conta própria a mudança do núcleo de ocupação. Seguiu cerca de nove quilômetros ao norte do Fortim do Atalaia, onde encontrou um terreno plano e amplo, ideal para o traçado de um novo povoado.

Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Foi ali que o padre definiu as primeiras demarcações, escolheu o quadrilátero central e lançou as bases para a construção da Capela de Nossa Senhora de Belém. Em 9 de dezembro de 1819, Padre Chagas e Rocha Loures lavraram o Formal de Criação da Povoação e Freguesia.

Quando Diogo Pinto retornou, a decisão já estava consumada: o centro político e religioso havia sido deslocado pelas mãos do sacerdote, consolidando a fundação do núcleo urbano que daria origem à atual Guarapuava.

Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Visitando o antigo Solar Casa do Visconde de Guarapuava que descobrimos boa parte dessa história.

Informações do Museu Municipal Visconde de Guarapuava

Instalado no antigo Solar Casa do Visconde de Guarapuava, construído por volta de 1841, o Museu Municipal Visconde de Guarapuava preserva importantes registros da formação econômica, social e política do interior do Paraná ao longo do século XIX.

Localização

Rua Visconde de Guarapuava, 288 – Centro

Guarapuava – Paraná, Brasil


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Horários de funcionamento

  • Segunda a sexta: das 8h às 11h30 e das 13h às 17h

Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.

Valores de ingresso

  • Público em geral: Gratuito

Tempo de visita

  • 45 minutos

Hoje, o casarão abriga o Museu Municipal Visconde de Guarapuava e preserva importantes registros da formação econômica e política do interior paranaense no século XIX.

Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Por lá, fomos recebidos pela Patrícia, coordenadora do museu, que compartilhou conosco informações, relatos e curiosidades que nos ajudaram a compreender o surgimento e o desenvolvimento de Guarapuava.

Interior do Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Quem foi o Visconde de Guarapuava?

O casarão e o título de nobreza que deu nome a ele estão diretamente ligados a um dos personagens mais influentes de Guarapuava naquele período.

O proprietário da casa era Antônio de Sá Camargo (1807–1896), um rico pecuarista nascido em Palmeira. Por volta de 1828, mudou-se para a região de Guarapuava, onde construiu uma grande riqueza por meio da criação de gado.

Interior do Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Ao longo da vida, recebeu os títulos de Barão, em 1870, e, dez anos depois, de Visconde de Guarapuava, ambos concedidos pelo Imperador Dom Pedro II.

As honrarias estavam relacionadas à sua atuação na vida pública (foi deputado e vice-presidente da Província do Paraná) e também ao apoio financeiro e político prestado ao governo imperial durante a Guerra do Paraguai.

Interior do Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O casarão e o Museu Municipal

O solar foi construído por volta de 1841, utilizando alvenaria de pedra e telhas de barro, em uma arquitetura de características coloniais luso-brasileiras.

Interior do Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A obra contou com o trabalho de pessoas escravizadas, parte importante da história que também permanece registrada no espaço.

Interior do Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Localizado no centro da cidade, ao lado da Praça 9 de Dezembro, o casarão foi a residência onde o Visconde de Guarapuava viveu seus últimos anos e faleceu, em 1896.

Canhão no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Nos fundos do terreno ainda resistem as ruínas de uma antiga senzala de pedra, um vestígio que revela outra face do passado do imóvel e convida à reflexão sobre o período da escravidão no atual território paranaense.

Canhão no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Transformado em museu em 1948, o espaço reúne um acervo que remonta à década de 1840, com mobiliário, utensílios, vestimentas e documentos que ajudam a contar a transformação de Guarapuava, desde os primeiros tempos da antiga vila até a cidade dos dias atuais.

Ruínas no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Em 1974, o Museu Municipal Visconde de Guarapuava tornou-se o primeiro bem de Guarapuava tombado pelo Patrimônio Cultural do Estado do Paraná, medida que ajudou a preservá-lo e evitou sua demolição.

Ruínas no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Por que Nossa Senhora de Belém?

Talvez você esteja se perguntando por que a igreja que deu origem à história religiosa de Guarapuava recebeu o nome de Nossa Senhora de Belém, também adotado como denominação oficial do povoado.

Ruínas no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A escolha de Nossa Senhora de Belém está associada a duas explicações: uma de caráter oficial e outra ligada à tradição popular.

Pintura a óleo sobre tela “Índios Camés”, no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A devoção a Nossa Senhora de Belém era muito forte entre navegadores e militares portugueses. O próprio Dom João VI havia assinado o Alvará Régio que autorizara a criação de uma paróquia sob essa invocação.

Pintura no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Padre Chagas, formado dentro da tradição religiosa de seu tempo, teria escolhido a santa para abençoar o novo núcleo civil da colônia e protegê-lo diante dos perigos do sertão.

Pintura a óleo sobre tela “Praça 9 de Dezembro”, de Iracema Trinco Ribeiro, no Solar Casa do Visconde de Guarapuava, sede do Museu Municipal Visconde de Guarapuava, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A lenda do Rio das Mortes

Outra versão, de caráter popular e profundamente enraizada na cultura local, conta que, por volta de 1818, uma comitiva que transportava famílias e uma imagem de Nossa Senhora de Belém (trazida de Portugal) foi alvo de uma violenta emboscada dos indígenas Camés.

O combate aconteceu às margens de um rio da região e foi tão devastador que muitas pessoas perderam a vida ali, dando origem ao nome Rio das Mortes.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Entre os sobreviventes estava Laura Rosas de França Rocha, esposa do famoso Brigadeiro Rocha. Durante o ataque, ela foi atingida por uma flecha na perna, fazendo com que seu cavalo se assustasse e disparasse sem rumo pela mata.

No ápice do desespero, Laura agarrou-se à imagem de Nossa Senhora de Belém (uma relíquia que havia ganhado de sua mãe) e fez uma promessa fervorosa: construiria uma capela no local exato onde o animal conseguisse parar em segurança.

Diz a lenda que o cavalo parou exatamente onde hoje se ergue a imponente Catedral de Guarapuava.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Quando Guarapuava passou a se chamar Guarapuava?

Embora o nome indígena nunca tenha deixado a boca do povo, a mudança oficial e administrativa ocorreu apenas em 21 de março de 1849.

Naquela data, o governo elevou o povoado à categoria de vila, concedendo-lhe autonomia política. A lei de criação determinou que o município passaria a se chamar Vila de Guarapuava, embora sua sede urbana continuasse sendo a Freguesia de Nossa Senhora de Belém.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Mais tarde, em 12 de abril de 1871, o local cresceu o suficiente para ser oficialmente elevado à categoria de cidade, consolidando definitivamente o nome Guarapuava para todo o território.

Essa memória permanece representada na bandeira de Guarapuava, cuja estrela brilhante é uma homenagem à Estrela de Belém.

Catedral e Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O primeiro plano urbano de Guarapuava

O projeto elaborado pelo padre Francisco das Chagas Lima, em 1819, é considerado o primeiro plano diretor urbano de Guarapuava.

Santuário Diocesano Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A cidade não foi construída de maneira espontânea ou desordenada. O sacerdote aplicou normas urbanísticas rígidas trazidas da Coroa Portuguesa por meio das Cartas Régias, definindo uma organização espacial planejada.

O projeto adotava uma malha ortogonal, conhecida como traçado em “xadrez”.

Solar Dona Ana Joaquina, construído em 1857, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Em vez da tradição colonial de vilas que cresciam espontaneamente, com ruelas tortuosas e adaptadas às condições do terreno, Padre Chagas aproveitou o relevo plano para estabelecer vias retas e perpendiculares, inspiradas em conceitos europeus de simetria, higiene e estratégia militar.

Solar Dona Ana Joaquina, construído em 1857, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Nesse planejamento geométrico, a Capela de Nossa Senhora de Belém foi estabelecida como marco zero da fundação, dando origem à esplanada que hoje corresponde à Praça 9 de Dezembro.

Ao redor desse núcleo, o espaço foi organizado de maneira harmoniosa e hierárquica, com os terrenos mais valorizados destinados aos prédios do poder público e às moradias da elite da expedição colonizadora.

Solar Dona Ana Joaquina, construído em 1857, no centro histórico de Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O plano também procurou afastar do centro urbano as moradias dos indígenas sobreviventes e recém-catequizados, numa tentativa de protegê-los dos abusos e da violência das tropas militares.

Padre Francisco das Chagas Lima, portanto, não atuou apenas como líder religioso. Seu planejamento também o coloca entre os pioneiros do urbanismo no interior do Brasil.

Lagoa das Lágrimas, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Além do planejamento urbano, Padre Chagas estabeleceu normas e padrões para a construção das primeiras casas e definiu regras para a convivência na cidade, entre elas a restrição ao consumo de bebidas alcoólicas.

Lagoa das Lágrimas, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Lagoa das Lágrimas

Após a enriquecedora visita ao Museu Visconde de Guarapuava, voltamos a percorrer as ruas centrais da cidade e logo chegamos a outro lugar bastante conhecido por quem vive por ali: a Lagoa das Lágrimas.

Lagoa das Lágrimas, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Curiosamente, a Lagoa das Lágrimas é artificial. Ela foi construída entre 1964 e 1968, durante a gestão do prefeito Nivaldo Krüger, em uma área conhecida como “canhada”, um terreno baixo, semelhante a um vale profundo entre colinas.

Informações da Lagoa das Lágrimas

A Lagoa das Lágrimas é um dos principais atrativos turísticos de Guarapuava e um dos mais tradicionais refúgios urbanos da região central da cidade. O espaço combina lazer e contato com a natureza, oferecendo uma estrutura que inclui pistas de caminhada, parquinho infantil e passeios de pedalinho.

Localização

Rua Professor Becker, 1324 – Centro

Guarapuava – Paraná, Brasil


Ver no Google Maps


Contatos

Telefone: (42) 3142-1480


E-mail


Horários de funcionamento

  • Todos os dias: 24 horas

Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.

Valores de ingresso

  • Público em geral: Gratuito

Tempo de visita

  • 30 minutos

Para criar um espaço de lazer e um novo cartão-postal para a cidade, a prefeitura canalizou e represou águas de nascentes naturais, ou vertentes, que brotavam das fendas de uma laje de pedra existente no local.

Lagoa das Lágrimas, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O mais interessante é que a famosa lenda que deu origem ao nome “Lagoa das Lágrimas” teria sido criada pelo próprio Nivaldo Krüger, na década de 1960, justamente para dar um ar poético e misterioso ao novo espaço.

Lagoa das Lágrimas, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A narrativa conta que, séculos antes, os índios Dorin habitavam aquelas paragens e entraram em um violento combate contra seus rivais, os Votorões. O jovem cacique dos Dorin partiu para a batalha, mas acabou morrendo durante o confronto.

Desconsolada, sua noiva permaneceu chorando, inconsolável, no fundo daquela canhada, exatamente sobre a laje de pedra. Teria chorado tanto e por tanto tempo que suas lágrimas penetraram pelas fendas da rocha.

Anos mais tarde, conta-se que foi justamente dali que começaram a brotar as águas cristalinas das vertentes que encheram o lago.

Lagoa das Lágrimas, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Com o passar das décadas, a história ganhou novas versões populares, com personagens como a índia Arassay e o guerreiro Guairacá, mas a essência do “choro de amor eterno” permaneceu praticamente a mesma.

Lagoa das Lágrimas, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Revitalizada em 2018, a Lagoa das Lágrimas conta com pista para corrida e caminhada, playground inclusivo, academia da terceira idade, pedalinhos e um amplo gramado cercado por árvores, onde é possível encontrar sombra e descansar.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Parque do Lago

Para encerrar o dia, passamos em um mercado, onde compramos frutas e água gelada, e seguimos até o Parque do Lago, um dos principais cartões-postais de Guarapuava e um dos lugares mais frequentados pelos guarapuavanos nos momentos de lazer.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Informações do Parque do Lago

O Parque do Lago é um dos principais pontos turísticos de Guarapuava e um dos espaços de lazer mais queridos pelos moradores. Cercado por áreas verdes, belas paisagens e opções de recreação, o local é um convite para caminhadas, momentos de descanso e contato com a natureza. Ao fim do dia, o parque ganha um charme especial e proporciona um dos mais belos pôr do sol da região.

Localização

Rua Padre Chagas, 3808 – Centro

Guarapuava – Paraná, Brasil


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Contatos

Telefone: (42) 3142-1480


E-mail


Horários de funcionamento

  • Todos os dias: 24 horas

Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.

Valores de ingresso

  • Público em geral: Gratuito

Tempo de visita

  • 1 hora
Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Diferentemente da Lagoa das Lágrimas, o espaço não carrega lendas de amor trágico, mas sua história de transformação urbana e social é impressionante e mudou completamente a paisagem daquela região da cidade.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O lago do Parque do Lago também é artificial. Toda a área que hoje compreende o parque, com mais de 100 mil metros quadrados, era originalmente um grande banhado, formado pela confluência de dois arroios: o Arroio do Engenho e o Arroio Pocinho.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A origem do nome é bastante simples: a denominação foi escolhida justamente por causa do grande espelho d’água criado no local.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Oficialmente, o espaço é chamado de Parque do Lago Prefeito Nivaldo Passos Krüger, uma homenagem ao mesmo prefeito que idealizou a Lagoa das Lágrimas e deu o pontapé inicial na transformação daquela região.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Nas décadas de 1950 e 1960, o banhado era uma das áreas mais desvalorizadas e vulneráveis de Guarapuava.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Conhecido pela comunidade pelo apelido de “Buraco Quente”, o lugar sofria com habitações irregulares, falta de infraestrutura e graves problemas relacionados à criminalidade.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A mudança começou entre 1986 e 1987, quando a prefeitura iniciou as obras de engenharia para construir a barragem, represar os arroios e limpar o banhado, dando forma ao lago.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

A área de lazer foi estruturada ao longo dos anos e inaugurada oficialmente em 9 de dezembro de 1996, no aniversário da cidade.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O que antes era uma região marginalizada no centro urbano transformou-se em um dos principais espaços públicos de Guarapuava.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O Parque do Lago também se destaca pelas dezenas de cerejeiras asiáticas plantadas ao redor do espelho d’água.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Entre o inverno e o início da primavera, as árvores florescem praticamente ao mesmo tempo, cobrindo a paisagem de rosa e atraindo visitantes que aproveitam para fazer um piquenique, tomar chimarrão, ou simplesmente relaxar sob as flores.

Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Pôr do sol no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Durante nossa passagem, elas ainda não estavam floridas, mas isso não tirou o encanto do lugar nem nos fez desistir da ideia de tomar um mate às margens do lago.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Com o calor daquele dia, em vez do tradicional chimarrão, optamos por um refrescante tereré acompanhado de frutas frescas.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Passamos algumas horas agradáveis apreciando a paisagem, contemplando a natureza e aproveitando a tranquilidade do lugar.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Embora seja artificial e esteja cercado por avenidas movimentadas, o Parque do Lago funciona como uma espécie de refúgio verde em meio à cidade.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Durante nossa permanência por ali, pudemos observar e ouvir diversas espécies de aves, o que tornava o ambiente ainda mais agradável.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O parque também oferece uma boa estrutura para quem deseja passar mais tempo por ali, com quadras esportivas, pistas para caminhada, ciclovias, pista de skate, academia da terceira idade, equipamentos para musculação, brinquedos para as crianças e banheiros públicos.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O Parque do Lago é também conhecido como um dos melhores lugares para apreciar o pôr do sol em Guarapuava. E, mesmo com muitas nuvens no horizonte, podemos afirmar que o entardecer dali foi mágico.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

O céu ganhou diferentes tons, refletidos no enorme espelho d’água, enquanto os chafarizes iluminados acrescentavam ainda mais beleza ao cenário.

Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Anoitecer no Parque do Lago, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Já durante a noite, retornamos ao hotel, onde nos deliciamos com uma saborosa pizza.

Pizza da Nobre Carmela Pizzaria, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Depois de comer, voltamos a percorrer os arredores da Praça 9 de Dezembro, aproveitando a caminhada para fazer a digestão.

Vista noturna da Catedral e Santuário Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Assim encerramos nosso primeiro dia em Guarapuava, no interior Paraná.

Vista noturna do Santuário Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.
Vista noturna do Santuário Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Como é de se imaginar, a cidade ainda guarda muitos outros lugares e histórias para descobrirmos. Mas isso é assunto para os próximos posts.

Vista noturna do Santuário Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, Paraná, Brasil. Foto: FredLee Na Estrada.

Valeu, piazada! Nos vemos!

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