Holambra, SP: a Cidade das Flores e um pedaço da Holanda no Brasil
Conhecida como a "Cidade das Flores", Holambra, no interior de São Paulo, encanta pela herança holandesa, pela arquitetura de inspiração europeia, pelos exuberantes campos floridos e pela gastronomia típica. Entre seus principais atrativos turísticos destacam-se o Moinho Povos Unidos, considerado o maior moinho típico de grãos da América Latina, a Praça dos Pioneiros e a tradicional Expoflora.

Durante uma viagem de moto pelo interior paulista, surgiu a oportunidade de conhecer, ainda que brevemente, a famosa Estância Turística de Holambra.
Mesmo com o céu cinzento e a temperatura amena, seguimos viagem até a cidade, situada a cerca de 130 quilômetros da capital paulista.

Praça dos Pioneiros em Holambra, SP
Assim que chegamos a Holambra, estacionamos a Formosa, nossa Harley-Davidson Heritage Softail Classic 2014, ao lado da Praça dos Pioneiros.
Localizada no centro da cidade, a Praça dos Pioneiros, recentemente revitalizada, recebe diversos eventos ao longo do ano.

O espaço conta com uma área de alimentação composta por sete quiosques, além de coreto, playground infantil, banheiros públicos, bancos e jardins que tornam o ambiente ainda mais agradável.
Em seu centro, encontra-se a casa construída para servir de residência ao Sr. Geert Heijmeijer, primeiro presidente da CAPH (Cooperativa Agro-Pecuária Holambra), cuja história se confunde com a fundação do atual município.

A história de Holambra e a imigração holandesa
A história de Holambra está diretamente relacionada à imigração holandesa para o Brasil no período que sucedeu à Segunda Guerra Mundial.
Diante da devastação provocada pelo conflito, o governo dos Países Baixos incentivou parte de sua população a emigrar para países como Austrália, Brasil, Canadá e França. Entre esses destinos, o Brasil foi o único a permitir a chegada de grandes grupos de imigrantes católicos.

Com o aval do governo neerlandês, a Associação Neerlandesa dos Lavradores e Horticultores Católicos enviou uma comissão ao Brasil, com a missão de organizar a imigração e estabelecer um acordo com o governo brasileiro.
O acordo firmado entre os dois países previa que o Brasil concederia empréstimos para a aquisição das terras onde seria instalada a colônia. Em contrapartida, a Holanda enviaria ao novo núcleo de imigrantes gado, máquinas e outros materiais necessários ao empreendimento.
Em 1948, aproximadamente 500 imigrantes, vindos principalmente da província de Brabante do Norte, chegaram ao Brasil e se estabeleceram na antiga Fazenda Ribeirão, pertencente ao Frigorífico Armour.
A propriedade foi adquirida e destinada aos holandeses e ficava em uma região entre os municípios de Jaguariúna, Artur Nogueira, Santo Antônio de Posse e Cosmópolis.
Em 14 de julho daquele ano, foram fundadas a colônia Holambra I e a CAPH (Cooperativa Agro-Pecuária Holambra).

Curiosamente, o projeto inicial não tinha as flores como atividade principal. Na verdade, elas sequer faziam parte dos planos.
A intenção era transformar a região em uma grande produtora de leite, com ênfase na criação de gado e na fabricação de laticínios. No entanto, pouco tempo depois, doenças dizimaram o rebanho, obrigando a comunidade a buscar alternativas para garantir sua subsistência.
As atenções se voltaram, então, para a criação de suínos e aves, além da agricultura.

A floricultura começou a ganhar espaço alguns anos mais tarde, com a chegada de um novo grupo de imigrantes neerlandeses, em 1951.
O cultivo de flores, iniciado com os gladíolos, expandiu-se nas décadas seguintes e, entre o final dos anos 1950 e a década de 1960, passou a desempenhar um papel cada vez mais importante na economia local.
No ano de 1972, a cooperativa criou seu departamento de floricultura, voltado à produção e à comercialização de uma ampla variedade de flores e plantas ornamentais.
Em 1989, teve início o leilão de flores e plantas, conhecido como Veiling Holambra, consolidando a região como um dos principais centros de produção e comercialização do setor no Brasil.

Anos depois, em 27 de outubro de 1991, 98% da população votou a favor da emancipação político-administrativa de Holambra, que passou a constituir um município independente.
Em 1998, a cidade recebeu o título de Estância Turística do Estado de São Paulo, uma classificação concedida por lei estadual a municípios com forte vocação turística, recursos naturais, patrimônio cultural e infraestrutura de lazer consolidada.
Atualmente, Holambra é a única Estância Turística da Região Metropolitana de Campinas e se destaca, tanto no Brasil quanto no exterior, pela produção e comercialização de flores e plantas ornamentais.

O município possui aproximadamente 40 km² de área rural e responde por cerca de 40% da produção e 80% das exportações brasileiras do setor florista. Esses números ajudam a explicar por que, em 2011, Holambra foi reconhecida oficialmente como a “Capital Nacional das Flores”.
Além da comercialização no atacado, a cidade conta com estabelecimentos especializados no varejo, onde é possível encontrar uma grande variedade de flores e plantas cultivadas na própria região.
Anualmente, Holambra sedia a Expoflora, considerada a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina e um dos principais eventos turísticos do município.

A beleza dos campos de produção também pode ser apreciada ao longo do ano por meio de passeios guiados, que permitem aos visitantes conhecer de perto a principal atividade econômica local e uma de suas características mais marcantes.
Infelizmente, nesta ocasião, não tivemos a oportunidade de realizar o tradicional passeio pelos campos de flores. Fica, portanto, uma ótima desculpa (e um excelente motivo) para voltarmos a Holambra em uma próxima viagem.

Holambra conta atualmente com cerca de 15 mil habitantes e está situada a aproximadamente 600 metros de altitude, em uma região de relevo predominantemente plano, banhada pelos rios Jaguari, Camanducaia e Pirapitingui.
O município faz divisa com Santo Antônio de Posse, Jaguariúna, Cosmópolis, Paulínia, Artur Nogueira e Mogi Mirim.

A proximidade com grandes centros urbanos, aliada à facilidade de acesso por rodovias e aeroportos, favorece o fluxo de turistas e contribui para o desenvolvimento econômico local.
A combinação entre a vocação agrícola, as tradições holandesas, as belezas naturais e a tranquilidade típica de uma pequena cidade do interior transformou Holambra em um importante destino turístico paulista.
O município atrai cerca de um milhão de visitantes por ano, vindos de diferentes regiões do Brasil e também do exterior.

Por que Holambra tem esse nome?
O nome Holambra representa a união entre os imigrantes holandeses e o país que os acolheu. A palavra surgiu da junção das primeiras sílabas de três termos: Holanda, América e Brasil.
A influência holandesa permanece profundamente presente na identidade local e pode ser percebida na arquitetura, na gastronomia, nas danças folclóricas, nos eventos comunitários, no uso do idioma neerlandês e em diversos símbolos espalhados pelas ruas, como moinhos, tulipas e tamancos.
O hábito de andar de bicicleta e a preservação dos costumes trazidos pelos imigrantes também contribuem para a atmosfera singular do município.
A manutenção dessas tradições, aliada à força da floricultura e à qualidade de vida, confere à cidade uma identidade própria, frequentemente associada à imagem de um pequeno pedaço da Holanda em pleno Brasil.

Praça da Cachoeira de Holambra
Depois de explorar a Praça dos Pioneiros, seguimos a pé até outro espaço público aconchegante na região central: a Praça da Cachoeira. O local é amplo e arborizado, com bancos à sombra e uma agradável área de convivência.
Ali, uma cachoeira artificial e pequenas quedas-d’água formam lagos decorativos, integrados harmoniosamente ao paisagismo. É um ótimo lugar para fazer uma pausa, tomar um mate, observar as aves ou simplesmente aproveitar a tranquilidade do ambiente.

Moinho Povos Unidos: o principal cartão-postal de Holambra (SP)
Entre os símbolos mais conhecidos de Holambra está o Moinho Povos Unidos, construído em 2008 para celebrar os 60 anos da imigração holandesa no Brasil.

Localizado na entrada da cidade, ao lado de um charmoso pórtico de boas-vindas, o moinho de vento impressiona pela imponência e pela grandiosidade. A construção tornou-se um dos principais atrativos turísticos do interior paulista.
Moinho Povos Unidos
Construído em 2008 para celebrar os 60 anos da imigração holandesa no Brasil, o Moinho Povos Unidos, em Holambra, é o maior moinho de vento de grãos da América Latina.
Localização
Alameda Maurício de Nassau, 24 – Centro
Holambra – São Paulo, Brasil
Contatos
Telefone: (19) 3802-4245
Horários de funcionamento
- Quarta a domingo: das 10h às 17h
Recomendamos verificar, antes da viagem, as tarifas, os dias e os horários de funcionamento, pois essas informações podem sofrer alterações a qualquer momento.
Valores de ingresso
- Público em geral: R$ 20,00
- Meia-entrada: R$ 10,00
- Crianças até 10 anos: R$ 10,00
Tempo de visita
- 1 hora
Com aproximadamente 38 metros de altura, dimensão semelhante à do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, a estrutura é composta por cerca de 90 toneladas de madeira, distribuídas em dez andares, dos quais seis são abertos à visitação.

Cada pá mede 12 metros de comprimento, gerando força suficiente para movimentar duas pedras de basalto de lava, com uma tonelada cada.

Os espaços internos foram organizados em níveis temáticos, que permitem conhecer melhor o funcionamento e a história dos moinhos tradicionais. Durante nossa passagem, porém, o interior do Moinho Povos Unidos estava fechado à visitação.

O projeto foi desenvolvido pelo arquiteto holandês Jan Heijdra, que tinha 82 anos na época da construção.
Considerado um dos poucos especialistas mundiais nesse tipo de edificação, Heijdra acumulava em seu currículo projetos e reformas de mais de 400 moinhos em sua terra natal.

Em Holambra, criou uma réplica fiel dos primeiros moinhos construídos na Europa em meados do século XVIII, preservando as características tradicionais desse importante símbolo da cultura holandesa.
A construção também conta com um mirante que proporciona uma vista privilegiada da cidade. De lá, é possível observar a paisagem urbana, os campos de produção de flores e plantas ornamentais e, ao longe, alguns municípios vizinhos.

Considerada a maior obra arquitetônica voltada ao turismo na Região Metropolitana de Campinas, a construção recebe mais de dez mil visitantes por semana.
Imponente e carregado de significado histórico e cultural, o Moinho Povos Unidos representa a forte ligação de Holambra com suas raízes neerlandesas e contribui para preservar, em plena paisagem brasileira, um dos símbolos mais marcantes da identidade de seus fundadores.

O tradicional klompen holandês
Ao lado do moinho, chama a atenção um grande monumento em forma de klompen, o tradicional tamanco de madeira holandês, um dos símbolos mais conhecidos da cultura dos Países Baixos.
Trata-se de um calçado rústico, esculpido inteiramente em madeira e utilizado principalmente por camponeses e trabalhadores para proteger os pés do frio, da umidade e das condições adversas do trabalho no campo.

Com o passar do tempo, os klompen deixaram de ser apenas um calçado funcional e se tornaram um importante ícone cultural, além de uma das expressões mais tradicionais do artesanato holandês.

Ainda nas proximidades do Moinho Povos Unidos, encontra-se o amplo Centro de Cultura e Eventos, acompanhado por um conjunto de salas construídas em formato de réplica de uma típica vila holandesa.
O espaço abriga a Feira de Artesanato de Holambra, onde os visitantes podem conhecer e adquirir produtos artesanais e outros itens que valorizam a cultura e as tradições locais.

Gastronomia holandesa em Holambra
Com os primeiros pingos de chuva começando a nos molhar e os ponteiros do relógio se aproximando do meio-dia, seguimos em direção ao centro da cidade em busca de um lugar para almoçar.
Uma coisa que nos chamou a atenção durante o trajeto foi o trânsito tranquilo nas vias centrais e o fato de Holambra ter apenas um semáforo, localizado no cruzamento das ruas Rota dos Imigrantes e Dr. Jorge Latour.

É impossível passear por Holambra sem se deixar seduzir pelos sabores da culinária local. Assim como na arquitetura e nos costumes, a influência da colonização holandesa também está presente na gastronomia, transformando a visita em uma deliciosa viagem por diferentes aromas, sabores e receitas.
Nos restaurantes, bares e confeitarias, os temperos aparecem em pratos que vão do arroz aos tradicionais salsichões. Já os doces artesanais surpreendem pela criatividade, incluindo receitas preparadas com flores e diferentes especiarias.

Entre as opções típicas está o stamppot, tradicional prato holandês à base de batatas e verduras.
A cidade também oferece cervejas artesanais, rótulos holandeses encontrados em empórios e cachaça de produção local.

Confeitaria Zoet en Zout e o stroopwafel
Antes de nos despedirmos da “Capital Nacional das Flores”, fomos até a tradicional Confeitaria Zoet en Zout, que possui um ambiente agradável e mesas na área externa, de frente para o belo Lago Vitória Régia.
Ali, aproveitamos para experimentar alguns doces típicos holandeses e, claro, saborear um stroopwafel fresquinho.

O nome stroopwafel significa, literalmente, “waffle com calda”. O tradicional doce holandês consiste em duas camadas bem finas de massa de waffle, unidas por um recheio espesso, geralmente de caramelo ou melado.
No Brasil, também é comum encontrá-lo recheado com doce de leite.

A iguaria surgiu na cidade de Gouda, na Holanda, no final do século XVIII. Uma das formas mais tradicionais de saboreá-la é colocá-la sobre uma xícara de café ou chá quente.
O calor da bebida aquece e amolece levemente o recheio, deixando a massa ainda mais macia e saborosa.

A torta holandesa que nasceu no Brasil
Foi justamente ali que descobrimos uma curiosidade que nos surpreendeu: apesar do nome, a torta holandesa não foi criada na Holanda, mas no Brasil.
A sobremesa surgiu em Campinas (SP), no início da década de 1990, pelas mãos da empresária Silvia Maria do Espírito Santo.
O nome seria uma homenagem afetiva a uma família de holandeses para quem ela trabalhou durante o período em que morou na Inglaterra.

Depois de tantas descobertas, sabores e experiências, chegou a hora de partir. Vestimos nossos trajes de motociclistas viajantes, subimos novamente na Formosa e deixamos Holambra com aquela sensação gostosa de quem aproveitou cada momento e com uma enorme vontade de voltar assim que surgir uma nova oportunidade.
Nos vemos!

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